SÓ MUDA O ENDEREÇO

Muitos dizem que filhos, mães e pais são todos iguais, só muda o endereço. Até ontem, eu discordava com veemência. Hoje, nem tanto.

Antes de entrar no tema propriamente dito, tenho uma profunda dúvida existencial: será que o desafio “um post por dia” inclui sábado e domingo? Sendo um tanto quanto obsessiva, venho discutindo comigo mesma esse tema desde o dia em que aceitei o desafio. Estou inclinada a decretar sábado e domingo como opcionais. Acho que essa tem sido a opção mais votada por mim, por eu e pela Cláudia.

Bem, voltemos ao assunto proposto. Não me enquadro na descrição clássica de mãe altruísta, um anjo de bondade, disposta a abrir mão de tudo pelos filhos. Certos fatos comprovam minha afirmação.

Eu não cozinho. Não faço comidinhas gostosinhas para meus filhinhos. Os coitados não têm aquela coisa de dizer: “Ah, a comida da casa da minha mãe!”. O máximo que eles podem dizer nessa área é que eu sei, como ninguém mais, levar a uma lanchonete ou restaurante. Por exemplo: eles lembram, com muita saudade do tempo em que eu dava para eles, no almoço, toda sexta-feira… SANDUÍCHE DO ARBY’S!

Além disso, sou completamente inútil depois que durmo. E durmo muito. Nunca me levantei no meio da noite para ver se estava tudo bem com meus bebês. Dava um jeito de empacotar bem para não sentirem frio e, caso chorassem, eu ia lá (nunca deixei chorando!), mas, se não me chamassem, eu não era aquele anjo da noite que vai ao lado da cama dos filhos para assegurar que está tudo bem com eles.

Outra coisa estranha é que eu tenho acessos de riso em momentos muito inadequados. Em vez da bronca que deveria dar, eu caía na risada. Claro que dei MUITAS broncas, mas, em inúmeras vezes, em lugar da correção, eu começava a rir. Sei lá, acho que enxergo demais o lado cômico da vida para ser uma mãe “de respeito”.

No frigir dos ovos, eu digo: sou muito diferente do papel estabelecido para as mães. Coitados dos meus filhos. Mas, eles são tão espertos, que conseguiram se sair bem tendo essa mãe “weird”.

Como falei no início, contudo, ontem eu descobri que sou igual. Foi o seguinte: Dani resolveu, há algumas semanas, que vai correr. Um grupo de jovens da igreja se uniu e começou a treinar no parque. Eu, de imediato, a coloquei na meia maratona do Rio. Não há dúvida, na minha cabeça, de que ela é capaz de correr até a maratona inteira. Ela, muito mais esperta do que eu, logo me informou que acha que neste ano ainda não dá. Sei não, há divergências a respeito.

Ontem, ela e os companheiros de treino participaram da Corrida da Adidas. Primeira vez que corre dessas organizadas, com camiseta bonita, bonezinho (deixemos de fora a Marotinha da infância, quando a mãe desleixada a fez chegar atrasada e ela não correu) e tudo mais. Ao concluir a corrida, ela me ligou:

– Mãe, tudo bem? A corrida foi bem, eu ganhei!

Fiquei em êxtase! Que maravilha essa menina! Primeira corrida e já vai trazer medalha de ouro para casa!

– Foi mesmo, filha? Parabéns! Que bom!

– É, mãe, ganhei da Mayara. Só dela.

Comecei a rir e ouvi a voz dos outros perguntando se eu tinha acreditado. E, depois, todos começaram a ligar para as mães e dizer a mesma coisa. E todas acreditaram que seus lindos bebês tinham sido os primeiros na primeira corrida que disputaram na vida. Coisa de mãe, mesmo. Tenho que aceitar: somos todas iguais. Só muda o endereço.

SERÁ QUE CONSIGO?

Seguir conselho de filho é coisa boa. Comentei, há algumas semanas, que Serginho tinha falado comigo para transferir meu blog para o WordPress. Eu já pensava nisso tinha algum tempo e resolvi fazer o que ele disse. E estou gostando muito. Tenho mais recursos aqui. Por exemplo, agora, para acessar meu blog, basta digitar http://www.claudiazillerfaria.com!!!!!! Não é o máximo?

Estou me sentindo a rainha da cocada preta. Meu próprio ponto com!

Mas o WordPress me apresentou um desafio: um post por dia até o final do ano. Topei. Está aí do lado o marcador. Faltam 9 meses.

Será que vou conseguir? Acho que será inevitável falhar alguns dias. É muito tempo, são quase 300 dias. Muitas coisas inesperadas podem acontecer. Mas estou me dedicando. Uma vez, eu fiz um desafio assim por 90 dias. Consegui.

Torça por mim, por favor! É um incentivo a mais para eu conseguir fazer uma coisa que amo: escrever.

Estranho como a gente deixa de fazer tantas coisas de que gosta. Mais estranho ainda é que, quanto mais a gente gosta, mais deixa para o final da fila. Vida louca essa nossa – fazer o que gosta é luxo!

Sendo assim, vou me esforçar. Só faltam 9 meses. Uma gravidez. O que será que vai nascer no fim dessa gestação?