EMPATE OU VITÓRIA?

Para mim, foi vitória, tipo 7 a 1. Para as outras 108.999 pessoas que estavam no Mané Garrincha e para os milhões que assistiam pela TV foi só empate.

Minha vitória foi esmagadora. Explico em detalhes.

Os últimos dois meses da minha vida ficarão marcados como aqueles em que me senti “mais mal” (de propósito o erro de português) em toda a minha vida. Nunca antes na história da Cláudia ela se sentiu tão fraca, tonta, sem apetite, etc, etc, etc. Nenhum programa me dava vontade de sair da cama, ou de casa. Nada, absolutamente nada, afastava a prostração imensa que sentia. Fazer as unhas, ir à igreja, receber alguém em minha casa, cortar o cabelo, ir à casa da minha mãe, passear com o Chachá, ir ao Coaching, às aulas do Mestrado com que tanto sonhei? Não, não queria fazer nada disso.

Há uns dez dias comecei a melhorar. Dani tinha comprado ingressos para os jogos do Brasil aqui em Brasília, para ela e o pai. E acabou tirando férias. Tinha um ingresso sobrando. Sérgio falou que gostaria de ir comigo. Na primeira vez em que falamos no assunto, senti um mal-estar. Sugeri que ele convidasse alguém, mas ele falou que só queria ir comigo (não é lindo?). Então falei que ia. Primeiro gol: às 13h30min de ontem, saí de casa, dirigindo meu próprio veículo, para me encontrar com ele na casa da mamãe. E lá fomos nós.

Paramos o carro no Parque da Cidade, o GDF colocou ônibus de lá para o estádio. Aliás, tudo muito bem organizado. Entramos no ônibus vazio, que foi enchendo, claro. Na minha opinião claustrofóbica, já estava repleto quando uma das organizadoras, já em uma das últimas paradas, pediu para todos chegarem mais para trás e foi colocando mais gente pra dentro. Não entrei em pânico. 2 a 0 para mim.

Saímos do ônibus e percorremos a pé o restante do caminho. Um carro de polícia apitou, dei um grito e agarrei o Sérgio. Esse apito e os outros que ouvi foram o único gol que sofri.

Ao chegar ao estádio, era uma multidão verde e amarela. Eu, no meio de multidão? Ali fiz o terceiro e o quarto gols. 4 a 1.

Entramos. Estádio lotado e eu não fiquei sem ar. 5 a 1.

Encontramos nossos lugares. No meio da fileira, longe de qualquer porta ou caminho para fugir. E não fiquei assustada. Foram dois gols em seguida. 7 a 1 para mim.

Sair de casa, enfrentar multidão, ficar longe da saída, cercada de gente por todos os lados sem entrar em pânico em um minuto sequer? Foi uma vitória imensa. Amei o jogo, amei a tarde, amei passear com meu marido, amei ver aquele mar de gente de camisa amarela andando com tranquilidade, senti orgulho da organização em minha cidade. Nem o engarrafamento para sair do estacionamento estragou a tarde. Vitória esmagadora da Cláudia.

O jogo? Ah, foi empate. E daí?

UM PRESENTE???????

É, há fases na vida da gente em que parece que só recebemos notícias ruins. Falando sério, nesses dias dá vontade de sumir, de virar nuvem, de… ficar na cama, embaixo das cobertas, o dia inteiro.

Nunca gostei de acordar de manhã. Em todos os dias de que me recordo, foi sempre uma tristeza. Há quem acorde de mau humor. Eu acordo triste, porque a noite acabou. E, há muitos, muitos meses, sei que o mais provável é o dia não me trazer novidades boas. Sim, uma aqui, outra ali, mas, na maioria, as novidades são ruins. Hoje, foram várias.

Chegam por vários meios. Telefone, conversa em casa, Facebook, twitter, zapzap, etc. Posso tentar me esconder, ficar encolhidinha na minha cama, com a porta do quarto fechada, elas encontram um meio de chegar até minha esgotada pessoa.

Ontem, minha amada primamiga Zenaide me mandou uma linda mensagem no zapzap. Dizia que a cada manhã encontramos um presente lindo, com laços de fita, mandado por Deus para nós. Sim, estar viva é um presente. Meus amados estarem vivos também é um presente de valor inestimável. A vida, por ela mesma. é um presente. Mas, falando sério, hoje, minha sensação foi de receber uma caixa de presente muito linda e, ao abrir, encontrar uma daquelas brincadeiras sem graça, um presente que não vai agradar, daquelas coisas que só ri quem está assistindo, mas que a pessoa que recebe não acha a menor graça.

Estou brava. Você, que me lê, talvez se assuste com o que vou dizer, mas estou brava com Deus. Verdade. Já falei para ele, então posso falar para você. Se ele controla tudo, se está no comando – e creio nisso com todas as minhas forças – então, por que não age a meu favor? Por favor, não me responda, não me apresente versículos bíblicos, porque já li todos inúmeras vezes. A pergunta é apenas retórica. Sei que chegará a hora em que tudo ficará em seus devidos lugares. Mas esperar é difícil, extremamente difícil.

Não se engane com o tom desse meu post, que parece desanimado, desacreditado, sem esperança. Sou esperançosa incorrigível. Vou dormir agora. Tenho esperança de que amanhã será um dia melhor do que hoje. O presente estará lá, para eu abrir. Se encontrar outro monte de notícias ruins, a esperança de que depois de amanhã será melhor vai continuar.

É ditado bem batido: esperança é a última que morre. Concordo. Enquanto eu viver neste mundo haverá pelo menos uma pessoa com esperança de que amanhã seja melhor do que hoje. E assim vamos vivendo. De esperança em esperança.

Mas que é difícil, lá isso é.