BAYMAX

Baymax é personagem do filme Operação Big Hero que nunca assisti. É todo branco, não sei se é bonzinho ou malvado. Encontrei uma imagem da cabeça dele, que é a parte que nos interessa aqui nesta história.

baymax

Há quase 3 anos, nossa família descobriu um jogo chamado TsumTsum. Sempre falamos como se escreve. Flávia veio nos visitar e ficou rindo da gente. Disse que a pronúncia certa é Sam-Sam. Pra nós continua como sempre foi.

Esse jogo nos proporcionou momentos de descontração no final da vida do papai. Quando ele foi para o Céu, passamos algum tempo olhando meio de lado para o jogo, mas depois fizemos as pazes com ele. Alguns. Nem todos.

Uma pausa. Discordo por completo dos que afirmam que a tecnologia faz os membros das famílias se afastarem. Penso que isso ocorre nas que iam se afastar de qualquer jeito, fosse por tecnologia, livro, jornal, pergaminho, festas, passeios, ou qualquer outro motivo. Lembro-me bem de um tempo muito antes do digital de ligar para a casa de uma amiga, perguntar se ela estava e ouvir: “Vou ver”. E não tinha celular para isolar ninguém no quarto. Enfim, na família Moraes Ziller há uns renitentes, mas há o grupo que se une em torno do TsumTsum, fazendo o oposto de se isolar.

Fim da pausa. O jogo consiste em passar o dedo na tela, fazendo sequências de personagens fofíssimos. Achei uma imagem:

tsum

Você tem um minuto em cada jogada para libertar o máximo de bonequinhos que conseguir, usando um deles, com a especialidade dele. Tem que ter pelo menos três em sequência. Um dia, estávamos sentados à mesa depois do capuccino, dedicadíssimos ao jogo. Alguém tocou a campainha. Logo gritamos: “Peraí, é só um minuto!”. E a Dani ficou lá fora esperando a gente acabar para não perder o coração que dura um minuto. Como ela é top no jogo, não ficou brava.

Quanto mais cabeças você unir e fizer desaparecer, mais moedas você ganha. Com elas, você compra outros personagens, vai aumentando sua coleção. A minha coleção é imensa!

Cada bonequinho faz uma coisa. O Mickey tira todos os Tsums do centro da tela. A Marie, do filme Aristogatas, faz aparecer uma porção de bolhas que a gente estoura e ganha pontos. E assim por diante. O BayMax faz crescer algumas cabeças, que valem cinco vezes mais do que as pequenas.

Existem eventos importantíssimos no Tsum. Cartelas de Bingo, passeios com personagens, e, o melhor que houve até hoje, na minha opinião – batalhas de Star Wars, em que ajudávamos uns aos outros.

Havia um fato muito triste relacionado ao jogo. Amandinha não tinha o BayMax. Por isso, não terminava a primeira cartela de bingo, que exigia a presença do supracitado. Todas as vezes em que ela ia comprar um novo personagem ficávamos torcendo para sair o BayMax e ele se recusava a aparecer. Quase toda semana alguém perguntava a ela se tinha conseguido e ela fazia beiço e dizia que não. As tias e a mãe dela queriam fazer doação, mas o jogo não permite.

Sábado, estávamos na sala jogando. Estamos em meio a um evento muito importante: o baile da Bela e a Fera. Clarice, Cristina, eu e Amanda nos dedicávamos com afinco. De repente, Amanda deu um grito: “Não acredito!”. Olhei para a tela do celular dela e lá estava ele, o BayMax. Emoção geral. Gritos de todos os lados. Sem mentira, fiquei com um nó na garganta, com vontade de chorar. Ela foi correndo na cartela que precisava do BayMax e terminou. Que alegria imensa!

Eu pensei em como Deus prepara umas coisas boas para a gente. Se a Amandinha tivesse recebido o BayMax dela sozinha, não teria sido tão divertido.

Deus se importa com o Tsum? Sim, se o Tsum for alegrar pessoas que o amam. A chance do personagem chegar num momento em que estávamos jogando juntas era mínima. Isso só acontece sábado à tarde. Mas era ali que Deus queria que ele aparecesse. Um mimo para filhas amadas dele.

Esse é o Deus que eu conheço, que experimento, que vejo ao meu lado: um Pai amoroso, que gosta de mimar seus filhos com pequenas coisas que podem passar despercebidas, mas que são presentes que ele espalha por nosso caminho. Basta abrir os olhos e enxergar os BayMaxes que ele tem jogado em nosso caminho.

VIÚVA??????

Tenho muito primos. Muitas primas. Meu pai tinha 10 irmãos, e cada um teve vários filhos. Família italiana, que gosta de se reunir e fazer bagunça.

Por parte de minha mãe não são  tantos. Somos 11. Como em geral acontece, nesse ramo da família acabamos mais unidos com os filhos da irmã da minha mãe, tia Célia. Somos 9. Dois homens e sete mulheres. Solange, Waldo, esta que vos escreve, Henrique, Lílian, Emília, Cristina, Suzana e Clarice. Nós, os 6 primeiros, temos idade bem próxima.

Vivíamos o ano todo programando as férias, já que eles moravam em São Paulo e nós em Brasília. Naqueles bons tempos, as aulas terminavam no final de novembro e só voltavam em março. Passávamos esses 3 meses juntos. Sem qualquer compromisso oficial. Era só diversão. Férias de verdade. Além disso, tinha julho, o mês inteiro. Mais 30 dias de viagens de um lado para o outro. Eram muitas aventuras.

Em geral, Henrique e Waldo partiam para um lado e nós, as garotas, fazíamos nossos programas. Gostávamos mesmo de ir da casa de umas para a das outras. Mamãe dizia que era uma dificuldade orar por todos nós, porque tinha que ficar se lembrando de onde estava cada um.

No início da minha vida, minha companheira constante era a Solange, mas, acerta altura, os poucos anos que me separavam dela causou um impacto. Ela já trabalhava, estava na faculdade, e eu e Lílian só na farra. Nessa época, as noites eram reservadas para conversas. Eu ficava cada noite com uma das primas. Depois, dormia de dia. Era uma delícia. Íamos de conversas sérias a brincadeiras num piscar de olhos. Fritávamos pastel às 3h da madrugada. Não sei como nossas mães não tiveram um break-down.

Sô continuou sendo meu par, mas a Li chegou para aprontarmos. Ela teve uma fase hippie que foi o máximo. Usava tudo isto aí:

moda-hippie-3

As pulseiras eram o charme maior. Até quase o cotovelo! Cabelão, uma faixa tipo aquelas que o Guga usa para prender o cabelo nos jogos. Calça boca de sino, desbotada e, de preferência meio suja.

Nós duas aprontávamos bastante. Nada sério para os padrões atuais, mas grandes rebeldias dentro de nossa família. Um exemplo. Para irmos à praia em janeiro, nossos pais recorriam à ajuda de parentes para nos hospedarem. Então, fomos várias vezes para a Barra do Itapemirim, no Espírito Santo. Nossos tios-avós paternos tinham lá uma casa imensa, com lugar para nós e mais toda a torcida do Flamengo. Então, aportávamos e lá ficávamos dias e dias. A maior diversão era ir à pracinha à noite. Tínhamos horário marcado para voltar para casa. Eu e a Lílian voltávamos, esperávamos todo mundo ir se deitar e… pulávamos a janela para voltar à pracinha e encontrar meu paquera, um cara chamado Adalto, que era caixa do supermercado. Não sei como ela conseguiu uma foto 3×4 dele que guardei muito tempo com grande paixão. Estou aqui digitando e rindo, além de pensar que fim terá legado o Adalto.

Não vou entrar em detalhes, mas uma das pessoas que dormiam no quarto conosco (eu e a Lílian dormíamos na mesma cama) implicou com a gente. O que fizemos? Criamos um boato de que a pessoa em questão só fazia xixi e cocô em um penico que guardava embaixo da cama e escondia de todo mundo de manhã. Imagina a garotada tentando encontrar o penico!

Nossas paqueras continuavam em São Paulo. Contei essa história há algum tempo, no post Não dá pra piorar.. Garanto que você vai rir lendo mais essa aventura nossa.

O tempo foi passando, fomos amadurecendo um pouco. De repente, chegou à Igreja Presbiteriana de Vila Mariana um pastor novo, Rev. Calvino. Tinha quatro FILHOS e uma filha. Um dos filhos era jogador de futebol, o José Eduardo. Jogava no Corínthians. Você precisa ter feito parte de uma comunidade protestante para entender o reboliço que a chegada dos rapazes causou entre as meninas. Que os irmãos do Zé me perdoem, mas ele era o rei da cocada preta.

O cara era lindo. De verdade. Como vibramos com as idas e vindas, com o que pensávamos que era sinal de interesse dele pela Lílian. Como sofremos quando ele parecia não ligar para ela. Aquelas coisas deliciosas de paquera. Logo minha priminha conquistou o cara. Ou será que ele a conquistou? O fato é que namoraram, noivaram e se casaram.

Tiveram bons momentos, horas difíceis, lutas e alegrias, como todo mundo. Os dois se tornaram exemplo de marido e esposa, pai e mãe, cristãos consagrados a Deus. Três filhos maravilhosos: Eduardo, Gustavo e Maurício.

A vida seguia em paz, até que… a doença chegou. O Zé, tão forte, atleta de ponta, ficou fraco. Lutou durante dois anos, venceu. Teve cinco anos de alívio, até que lutou mais dois anos e… foi para o Céu. Agora minha priminha ficou VIÚVA!

Como pode? Onde está a lógica? Eu não posso fazer nada para ajudar, para resolver o problema dela, para amenizar a dor! Como, depois de tantos anos, pensar em Lílian sem Zé?

Eu não conheço outra viúva da idade dela. Viúvas são minha mãe e várias das amigas dela, não a minha prima, minha colega de farra, de risadas, de brincadeiras inconsequentes (que continuaram mesmo depois que viramos adultas).

Creio firmemente na existência de um Deus Todo-Poderoso, que é amor. A Bíblia diz: Deus é amor. Como encaixar isso com o fato de que ele permite tanto sofrimento? Não só a morte, mas tudo que aconteceu antes dela, todo o vazio que o Zé deixou.

Não dá para entender. Dá para chorar, lamentar, sofrer e aceitar que Deus é amor, apesar de, muitas vezes, as circunstâncias apontarem em outro sentido.

Sendo muito sincera, porém, afirmo que minha priminha ser viúva é um fato que me deixa perplexa. Um dia, quando estivermos todas no Céu, voltaremos a sorrir como nas fotos abaixo. Enquanto estivermos aqui, não vai ser a mesma coisa nunca mais. Se uma sofre, todas sofremos…

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Faltam Cristina e Solange

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