NOVIDADES

Acho engraçado como as pessoas têm dificuldade para aceitar novidades. Explico.

Leio e ouço críticas aos livros digitais. Devo ser sincera e contar que prefiro os de papel. Gosto de passar as páginas. Há alguns que classifico de “gostosos”, outros  são mais “chiques”. Amo o cheiro dos livros. Tanto dos novos quanto dos velhos. Ainda assim tenho certeza de que deixarão de existir, num futuro não muito distante. Afinal, já ficaram para trás o papiro, os rolos, os livros de capa dura com inscrição a ouro, aqueles feitos por tipografia, com as letras colocadas uma a uma nas placas para impressão.

Apesar de preferir os de papel, onde posso escrever, passar as páginas com maior rapidez, possuo um Kindle, onde, inclusive publiquei os quatro livros que escrevi. O meu aparelho é dos primeiros que foram lançados. Ele comporta dois mil livros. Antes, eu saía de férias com a mala pesada por causa dos cinco ou seis livros que carregava todas as vezes. Hoje, vou com os cerca de duzentos que tenho no Kindle, dentro da bolsa, com a possibilidade de comprar mais alguns em qualquer lugar do mundo, caso queira ler uma obra que não esteja no meu aparelho. E possuo uma biblioteca na Amazon, onde guardo os livros que já li e não quero manter no aparelho. Estou falando do Kindle porque é o que tenho e uso, mas em qualquer tablet ou computador podemos baixar os livros, muitos sem pagar nada. Dou um exemplo. Li uma obra inesquecível, Crônicas da Família Schonberg-Cotta. Obra antiga, não se encontra em qualquer livraria. O exemplar que li era de minha tia Célia, e tive que devolver, claro. Encontrei no Kindle, de graça, porque é obra de domínio público. Baixei e está lá, guardadinha. Se eu preferia ter em papel? Sim. Mas tenho o conteúdo, que é o importante. Penso que em breve os jovens vão passar a ler exclusivamente nos tablets.

E as redes sociais? Sou fã de carteirinha. Reencontrei amigos que não via há muitos anos, mantenho contato constante com parentes e pessoas queridas, divulgo minhas ideias através deste blog. Conheço uma pessoa que me diz que não gosta de redes sociais, que gosta é de carta de papel. Também gosto. Só que não trocamos uma carta sequer há mais ou menos uns quarenta anos. Enquanto isso, “converso” com muita gente através do Facebook e de outras redes.

Os jogos de computador são outro problema para muita gente. Tantas críticas… Famílias não conversam, os adolescentes se isolam, as crianças ficam viciadas. Aqui entre nós, esses problemas não existiram desde sempre? Eu me lembro muito bem de uma amiga preocupada com o filho, que hoje já é adulto, que, na adolescência se isolava no quarto, não queria que ninguém entrasse. Não conversava com os irmãos, nem com os pais. E não existiam os jogos de computador naquele tempo… Na verdade, eu sempre encontrei nos jogos um ponto em comum com meus filhos, porque sempre fiz questão de aprender a jogar o que eles estavam curtindo no momento. Mesmo que não gostasse muito, eu aprendia e podia conversar com eles sobre o assunto. Me divirto ao me lembrar de um em que eles construíam montanhas-russas e, se o cálculo estivesse errado, o carrinho voava longe, e a gente via as pessoas esperneando e gritando sendo jogadas pela tela. Ríamos muito. Minha infância foi deliciosa pulando amarelinha, e a deles também, criando prédios e montanhas-russas no computador. Não vejo nada de errado nisso.

Minha reflexão tem a ver com a comoção gerada pelo Pokémon Go. Falando sério, gente, qual o problema em sair procurando Pokémon? Só não baixei o jogo porque meu celular já está muito carregado: Candy Crush Soda, Candy Crush Saga, Criminal Case, Two Dots e o jogo da nossa família, Tsum Tsum. Como não quero excluir nenhum desses, já estou muito adiantada, não há lugar para o Pokémon. Mas achei bem interessante. Amanda me explicou direitinho como funciona. Muito legal. E a febre vai passar, assim como passaram todas as anteriores.

Deixem as crianças brincarem, brinquem com elas, entrem na diversão delas! O mundo anda para a frente, todos os dias surgem novidades.

Amo a Bíblia. E você agora me pergunta: o que a Bíblia tem a ver com o Pokémon? Respondo. Ela fala sobre nos renovarmos, renovarmos a mente! Isso inclui aceitar o novo, o diferente, o que não conhecíamos antes, o que chegou agora.

Eu me lembro muito bem de minha avó, já perto dos noventa anos, quando surgiram os PCs. Um dia ela me falou:

– Eu quero aprender a mexer nesse negócio aí que vocês ficam mexendo!

E minha mãe, que entrou na era Whatsapp! Excelente! Viajou para a Califórnia e falou todos os dias com os filhos e os netos. Viva a inovação, que sejam bem-vindos novos tempos, novas coisas!

EMPATE OU VITÓRIA?

Para mim, foi vitória, tipo 7 a 1. Para as outras 108.999 pessoas que estavam no Mané Garrincha e para os milhões que assistiam pela TV foi só empate.

Minha vitória foi esmagadora. Explico em detalhes.

Os últimos dois meses da minha vida ficarão marcados como aqueles em que me senti “mais mal” (de propósito o erro de português) em toda a minha vida. Nunca antes na história da Cláudia ela se sentiu tão fraca, tonta, sem apetite, etc, etc, etc. Nenhum programa me dava vontade de sair da cama, ou de casa. Nada, absolutamente nada, afastava a prostração imensa que sentia. Fazer as unhas, ir à igreja, receber alguém em minha casa, cortar o cabelo, ir à casa da minha mãe, passear com o Chachá, ir ao Coaching, às aulas do Mestrado com que tanto sonhei? Não, não queria fazer nada disso.

Há uns dez dias comecei a melhorar. Dani tinha comprado ingressos para os jogos do Brasil aqui em Brasília, para ela e o pai. E acabou tirando férias. Tinha um ingresso sobrando. Sérgio falou que gostaria de ir comigo. Na primeira vez em que falamos no assunto, senti um mal-estar. Sugeri que ele convidasse alguém, mas ele falou que só queria ir comigo (não é lindo?). Então falei que ia. Primeiro gol: às 13h30min de ontem, saí de casa, dirigindo meu próprio veículo, para me encontrar com ele na casa da mamãe. E lá fomos nós.

Paramos o carro no Parque da Cidade, o GDF colocou ônibus de lá para o estádio. Aliás, tudo muito bem organizado. Entramos no ônibus vazio, que foi enchendo, claro. Na minha opinião claustrofóbica, já estava repleto quando uma das organizadoras, já em uma das últimas paradas, pediu para todos chegarem mais para trás e foi colocando mais gente pra dentro. Não entrei em pânico. 2 a 0 para mim.

Saímos do ônibus e percorremos a pé o restante do caminho. Um carro de polícia apitou, dei um grito e agarrei o Sérgio. Esse apito e os outros que ouvi foram o único gol que sofri.

Ao chegar ao estádio, era uma multidão verde e amarela. Eu, no meio de multidão? Ali fiz o terceiro e o quarto gols. 4 a 1.

Entramos. Estádio lotado e eu não fiquei sem ar. 5 a 1.

Encontramos nossos lugares. No meio da fileira, longe de qualquer porta ou caminho para fugir. E não fiquei assustada. Foram dois gols em seguida. 7 a 1 para mim.

Sair de casa, enfrentar multidão, ficar longe da saída, cercada de gente por todos os lados sem entrar em pânico em um minuto sequer? Foi uma vitória imensa. Amei o jogo, amei a tarde, amei passear com meu marido, amei ver aquele mar de gente de camisa amarela andando com tranquilidade, senti orgulho da organização em minha cidade. Nem o engarrafamento para sair do estacionamento estragou a tarde. Vitória esmagadora da Cláudia.

O jogo? Ah, foi empate. E daí?