E O MUNDO TEM MAIS UM LADO

Quando o Sérgio teve câncer, escrevi três vezes sobre um lado do mundo que desconhecia (O OUTRO LADO DO MUNDO, O OUTRO LADO DO MUNDO (2) e DE VOLTA AO OUTRO LADO DO MUNDO). No sábado passado, tive mais um vislumbre do lado tenebroso do mundo. Nada de câncer desta vez. Dor, sofrimento e desesperança.

Conto uma história.

Em algum momento do primeiro semestre de 2013, papai precisou voltar mais uma vez ao hospital para um procedimento em centro cirúrgico. Edgar, o cirurgião, deixou tudo organizado no HOME, hospital excelente. No final da tarde, fui para lá com papai e mamãe. Os dois, como sempre que era necessário voltar ao centro cirúrgico, apreensivos. Eles não expressavam qualquer preocupação, mas a gente via no olhar deles. Mamãe arrumou tudo que era necessário, inclusive os travesseiros e o CPAP (ela sempre levava os travesseiros de casa, papai preferia). Não por que motivo me lembro tanto dos travesseiros. O fato é que me lembro bem deles naquele dia. Deixei os dois no carro e fui até a recepção da emergência, para conversar com a pessoa que Edgar tinha indicado. Ela me falou que seria impossível internar o papai. Haviam chegado pessoas com procedimentos de urgência, que já estavam no centro cirúrgico, todas as salas ocupadas.

Eu me lembro bem da cena é daquelas que ficam gravadas na mente como fotografia. Cheguei à porta da emergência e vi os dois pares de olhos ansiosos fixos em mim. Não tinha jeito, éramos só eu e eles, tinha que dar a notícia desagradável. Abri a porta do carro e contei a situação. Papai se encolheu um pouco, mas continuou com seu ar resignado. Eu já tinha decidido que iria ligar para o Edgar, e foi o que fiz. Transcrevo o diálogo como me recordo:

– Oi, Edgar. Temos um problema. O centro cirúrgico está lotado, chegaram emergências, não vai ser possível fazer a cirurgia aqui no HOME hoje.

Uma pausa no diálogo para explicar que ele tinha passado a manhã trabalhando no Hospital de Base e a tarde no STJ. Devia estar bem cansado.

– Ih, Cláudia, vamos ter que deixar para amanhã de manhã.

– Edgar, eu não tenho coragem de voltar com eles para casa. Estão aqui com a bagagem toda, vão passar a noite aflitos em casa. Não dá para fazer hoje ainda no Santa Luzia?

– Vou ligar para lá. Se tiverem o MATERIAL (guarde essa palavra) a gente faz lá. Não, peraí, se não tiverem o material lá, eu peço para alguém pegar tudo aí no HOME e levar para lá. É a mesma empresa que abastece os dois hospitais, não vai ter problema. Vou ligar para meu colega que está na emergência do Santa Luzia e pedir que ele comece o processo para a internação.

E assim Edgar fez. O material que não estava disponível no Santa Luzia foi levado do outro hospital. Apesar do cansaço de um dia inteiro trabalhando, ele começou a cirurgia um pouco mais tarde, mas poupou aos meus pais a aflição de passar uma noite a mais esperando o procedimento. Assim é o dr. Edgar. Há algum tempo, comentando comigo que precisava trabalhar menos, falou que, de todos os lugares em que trabalha, o que sente que não pode deixar é o Hospital de Base, por ser o lugar onde ajuda as pessoas que mais precisam.

CORTA A CENA, PASSA PARA SÁBADO À NOITE.

O mesmo Edgar está de plantão no Hospital de Base. Passará lá a noite inteira, atendendo os muitos feridos que chegam. Poderia estar em sua bela casa, com sua linda esposa, assistindo um filme com a também linda filha. Ou poderia sair para jantar com as duas, ou só com a esposa. Quem sabe, ir à casa do pai, o divertido sr. Edgar. Visitar amigos. Muitas, muitas opções. Mas estava no Hospital de Base, para “ajudar os que precisam”.

Minha filha Daniela precisava mostrar para ele o resultado de um exame. Como tem sentido muita dor na coluna, era um tanto urgente. Edgar falou para ela chegar ao Hospital de Base às 19h, o horário do início do plantão dele porque, se chegasse alguém com fratura exposta, ele teria que ir para o centro cirúrgico e não poderia atendê-la. Dani chegou no horário marcado, claro, e ele foi logo dizendo:

– Ainda bem que você já está aqui, porque realmente chegou uma pessoa com uma fratura exposta e vou ter que ir para o centro cirúrgico.

Estava atendendo a Dani quando um colega dele entrou no consultório e falou que ele não precisava ter pressa, porque a cirurgia não ia acontecer. Edgar estranhou e perguntou o motivo. A resposta me remeteu ao que aconteceu há três anos:

– Não temos o material necessário aqui no hospital.

Só que lá, hospital público, não tem como ligar para outro hospital, para pedir para enviarem o material, para poupar dor e aflição a quem “precisa de ajuda”. Não sei se era homem ou mulher, criança ou adulto, não interessa. Era uma pessoa sofrendo, que deve ter continuado sofrendo porque os bilhões que poderiam estar comprando material para a cirurgia dela estão em algum banco suíço, ou de qualquer outra nacionalidade. Edgar já me contou que os ortopedistas do Hospital de Base às vezes levam aquele foguinho de soldar para fazerem, eles mesmo, alguns acertos em peças de fixação de fraturas. No meio da noite, quando o plantão fica mais tranquilo, eles fabricam o que deveria ser comprado com o dinheiro que anda passeando por paraísos fiscais.

Como diz o pr. Antônio: “Corrupção mata”.

Tenho certeza de que sua revolta é do tamanho da minha. Espero que cada pessoa que roubou, ou mesmo que fez mal uso de verbas públicas, seja punida com rigor. No entanto, por maior que seja a punição que essa pessoa receba, não acredito que exista castigo à altura do crime cometido. Existe, na lei, alguma pena que esteja à altura de deixar pessoas com fraturas expostas sem tratamento? Nem fazer a mesma coisa com o corrupto, porque ele deixa muitas pessoas nessa situação, e ele é um só, então só sente uma dor.

Esse foi só um caso de que tomei conhecimento, porque, por alguns momentos, fui lá ao outro lado do mundo. Aquele lado do mundo de que falei nos outros posts é inevitável. Você fica doente, tem que se tratar. Este lado do mundo de que falo aqui é fruto da maldade, da crueldade de seres humanos que só enxergam seu próprio umbigo, que vêm há séculos engolindo o Brasil com uma voracidade sem limites.

Este post não chegará a eles, no entanto fica o aviso: mesmo que vocês escapem da justiça humana, há Justiça! Cuidado! Há Alguém de quem ninguém foge. E Ele fala coisas muito duras contra os que oprimem o povo sofrido. Sem deixar de “dar uma bronca” no povo de Israel, por coisas muito erradas que havia feito, Deus reserva as palavras mais duras para os corruptos da época. Como a Bíblia é válida para todos os tempos, as palavras se aplicam aos de hoje também (alguns versículos de Jeremias 30):

Teu mal [do povo] é incurável, a tua chaga é dolorosa. Não há quem defenda a tua causa; para a tua ferida não tens remédios nem emplasto. … Por isso, todos os que te devoram serão devorados; e todos os teus adversários serão levados, cada um deles para o cativeiro; os que te despojam serão despojados, e entregarei ao saque todos os que te saqueiam. Porque te restaurarei a saúde e curarei as tuas chagas, diz o SENHOR…

Como na linda música de João Alexandre: “Brasil … volta teus olhos pra Deus, Justo Juiz”. Se fizermos isso, este outro lado do mundo, tão horrendo, terá fim. Há esperança.

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE BLOG

É, nunca escrevi sobre política partidária. Por vários motivos, que vou ignorar hoje. Vou botar a boca no trombone.

O principal motivo de não ter escrito antes é que muitos amigos e parentes queridos que fazem, ou fizeram, parte do PT. Pessoas honestas, que defendem os ideais que, na minha opinião, ficaram no passado. Alguns se declaram decepcionados, conseguem enxergar a lama que invadiu o partido. Sou solidária com eles e não quero magoá-los. Outros estão perplexos. Muitos afirmam que se arrependem de um dia terem acreditado. E vários me ofenderiam, e me ofenderão, ao ler minha posição. Estão cegos. Não tenho meu blog para levantar debates, nem para me aborrecer, de modo que sempre evitei o tema. No entanto, quando há alguma coisa fervendo muito em meu íntimo, eu preciso escrever, pelo bem de minha sanidade. Então, vamos lá.

Outro motivo de evitar o tema é que não faço parte do grupo que coloca todos os Petistas como ladrões desonestos. Não gosto das palavras, que não vou repetir aqui, que usam o P e o T maiúsculos em termos pejorativos. Não gosto de generalizações.

Além disso, os Petistas xiitas gostam de fazer pouco caso do intelecto dos que não concordam com eles. “Vai estudar história, leia algo além da Veja, assista outro canal que não a Globo.” Essas eu vou responder agora:

  1. Se você, Petista que me lê (creio que serão pouquíssimos), não for professor de história, dificilmente terá estudado tanta história quanto eu. Sou simplesmente apaixonada por história, tanto mundial quanto do Brasil. Leio biografias de pessoas influentes em todas as áreas – de todas as correntes políticas e filosóficas, gosto de livros de história mesmo, escrito por autores com todo tipo de orientação ideológica. Então, não me mande estudar. Mande o Lula estudar, que ele precisa muito mais do que eu.
  2. Na Veja, só leio a página de fofoquinhas no final e o comentário sobre alguns filmes e livros. Também, desculpe-me você, não SUPORTO a Carta Capital, que é o contraponto exato da Veja, a bíblia dos antiVeja. Já li várias vezes e não gostei. Não leio Época, nem Isto É. Como fico sabendo dos fatos? Uma atualização na internet e conversas com pessoas que circulam nas altas esferas do governo. Isso mesmo. Vou direto à fonte. Morar em Brasília nos dá esse privilégio. Não preciso de repórteres para me transmitirem notícias. Tenho amigos e conhecidos que me respondem as perguntas que faço. Há pouco tempo, não vou dizer o nome da pessoa, claro, perguntei se as acusações contra Lula eram verdadeiras. A pessoa não me respondeu sim nem não. Falou: “Vou te contar 3 fatos que sei, citando nomes e locais”. É assim que recebo minhas informações. Na fonte. Então, vá catar coquinho você que me manda ler qualquer coisa.
  3. Não assisto a Globo há muito anos. Talvez você ainda assistisse novelas quando eu já tinha parado. Às vezes, muito raramente, assisto o Jornal da Globo, que acho mais elaborado do que o Nacional. Mas isso é fato raríssimo. Não vejo nada, absolutamente nada, na Rede Globo. Então, essa sua sugestão é inútil para minha pessoa. Ah, se você não se ofender, eu assisto em época de Copa do Mundo, Olimpíadas e outros eventos esportivos importantes. Desculpe aí…

Outra característica generalizada entre os defensores acirrados do PT quando alguém afirma que não é Petista é deduzir, de imediato, que a pessoa defende o Aécio e o FHC. Quanto ao Aécio, não vou muito com a cara dele. Político fabricado. Já do FHC eu gosto. Agora, se ele roubou, quero que seja preso. Todos os corruptos, sejam quem forem, têm que ir para a cadeia. Levou objetos que pertenciam à Presidência de República? Que pague o preço pelo crime. Ele, o Lula e qualquer outro que faça a mesma coisa.

Então, o que me levou a abordar o tema hoje? Simples. Revolta. O tapa na cara que a Dilma me deu ao nomear para seu governo exatamente aquele que os brasileiros querem que seja investigado a fundo para provar sua inocência. Na minha opinião, a nomeação dele é a maior declaração de culpa que se podia fazer.

Tenho muitas restrições a esse sujeito. A primeira, tem a ver com meu amor pelo estudo, que herdei de meu avô. Acho inadmissível ele não ter estudado. Ah, coitado, perdeu o dedo e passou muitas dificuldades. Ele e 90% da população brasileira passaram por dificuldades imensas. Ficou não sei quantos anos tentando ser presidente e não teve a capacidade de fazer um curso superior? De história teria sido bom, para seguir o conselho de seus adoradores. Meu pai fez o curso de Direito quanto eu já era adolescente. Cansei de vê-lo dormindo exausto em cima dos livros. Deixou o exemplo para mim e meus irmãos, que podemos nos orgulhar dele. Não pôde estudar quando era novo, precisava trabalhar… Durante as viagens para as campanhas, Lula poderia ter usado o tempo para aprender inglês, francês, espanhol, etc. A “entourage” era tão grande, deveria ter incluído professores. Teriam sido mais úteis do que os Dirceus da vida. Sou tradutora e sei o estrago que um tradutor pode fazer ao errar em uma palavra pequena, por ignorar um sinal de pontuação. Um exemplo simples:

– O senhor concorda? – pergunta um.

– Eu não concordo – responde o segundo.

– Eu não, concordo – declara o terceiro.

Deu pra notar a falta que faz a vírgula? Aposto que muita gente não notou. Esse tipo de coisa acontece com quem não domina a língua. E o tradutor erra, sem nem se dar conta, sem ter intenção. O “sujeito” fica à mercê desse tipo de erro.

O uso de palavrões, a falta de linha, a bebedeira – tudo isso me incomoda. Aqui em Brasília, existe um código de conduta para todos os servidores públicos, porém o Lula está acima do bem e do mal, né? Bem, na verdade, no fundo, ele não é servidor público. O público o serve. O público serve aos interesses dele e de sua família. Triste que muitos não enxerguem isso.

No final de 2014, depois de tantos anos de empobrecimento da classe média, de “opressão” sobre o pequeno empresariado exercida pelo PT, eu e Sérgio perdemos absolutamente tudo que possuíamos e tivemos que nos mudar de nossa amada casa, que construímos com nosso esforço, sem receber presente de nenhum amigo. Nem um pedalinhozinho sequer. Eu chorava e arrumava caixas. Durante esse processo, eu e minhas irmãs fomos chamadas no Facebook, por uma pessoa que eu pensava que gostava muito de mim, de “protestantes ricas e mentirosas” por termos votado no Aécio. Vejamos. Protestante sou mesmo, com muita alegria. Sou cristã praticante, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, uma igreja séria, protestante histórica, fundada na Inglaterra por John Wesley no século XVIII. Mentirosos somos todos. Que jogue a primeira pedra quem nunca falou uma mentira. Mas eu chorei de soluçar ao ser chamada de rica num momento em que era obrigada a me mudar da minha casa deliciosa por causa de desmandos do partido que a pessoa defende com unhas e dentes, uma de minhas irmãs também precisara se mudar poucos dias antes pelo mesmo motivo e a outra irmã estava prestes a perder a empresa que ela e o marido construíram com muito esforço (fato que acabou se concretizando, para alegria do PT). A injustiça doeu fundo e dói até hoje.

Vivemos em uma democracia. Posso ser contra o governo atual. Posso discordar de tudo. Tenho essa liberdade. Posso achar o fim do mundo a presidente (explicarei abaixo por que me recuso a usar a palavra que ela OBRIGA seus assessores a usarem – o “obriga” é outro fato que sei de fonte segura) nomear qualquer pessoa que seja. Posso discordar dos Petistas em tudo. Posso ir à rua de verde e amarelo – jamais de vermelho – para deixar clara minha opinião. Isso é democracia. Engraçado que poucos entendem. Nós, não-petistas, somos burros tapados. Bem, não queira saber minha opinião sobre os cegos que não querem ver…

Quanto a presidente – “ente” é um sufixo que significa “ser”, palavra que serve para os dois gêneros. Então, sobrevivente é o ser que sobrevive. Estudante é o ser que estuda. Competente é o ser que possui competência. Presidente é o ser que preside. Presidenta é uma “sera” que desconhece esses fatos, prefere ignorá-los, ou, então, é uma mulher que não preside droga nenhuma.

E, como diz o sábio Forrest Gump, isso é tudo que tenho a dizer sobre isso.

Ah, faltou: MINHA BANDEIRA É VERDE E AMARELA, JAMAIS SERÁ VERMELHA!