COMO DÓI!

Este post vem fervendo em minha mente há algumas semanas. Não, não vou falar de morte, a dor maior. Vou falar de outra dor. Cada pessoa tem uma forma de extravasar suas emoções, e eu PRECISO escrever. Não basta escrever em um diário. Tenho que saber que pelo menos uma pessoa vai ler e entender o que estou sentindo.

Venho pensando muito sobre o que nos leva a sofrer e concluí que uma das maiores dores que o ser humano pode enfrentar – excluindo, como falei acima, a morte – é a decepção.

Vou contar um exemplo. Há alguns anos, decepcionei uma garota que amo profundamente. Fiz uma viagem, ela me pediu para trazer uma encomenda. Falei que traria, não consegui trazer. Uma série de fatores me impediu, mas o fato puro e simples foi que não trouxe e ela ficou decepcionada. Falhei com ela. Então, ela sofreu duas dores: ficou sem a encomenda e, o pior, descobriu que não podia confiar sempre em mim. Sei que ela me perdoou, mas sei também que nunca mais vai me pedir para trazer qualquer encomenda para ela. Bem, essa foi uma decepção pequena, felizmente não cometi nenhum delito grave. Penso que, hoje, o fato de ter sido instrumento de decepção incomoda muito mais a mim do que a ela. Sim, eu me incomodo de não ter permanecido à altura da admiração que ela tinha por mim. Sei, sei, foi uma coisa simples. Mas aconteceu, e eu preferia que não tivesse acontecido.

Concluí que a decepção é o pior sofrimento ao ver pessoas extremamente amadas serem profundamente feridas por gente em quem confiavam. Então, existem duas dores acumuladas: a dor da ferida, que é grande, com inúmeros desdobramentos. E a dor de ver pessoas amadas se desfazerem diante de você em um monte de esquemas de engano e distorções da realidade para defender interesses próprios.

Caso a mesma ferida tivesse sido causada por alguém que já não fosse considerado digno de confiança, não haveria esse acúmulo de sofrimento que se compara a um luto. Na verdade, a decepção é um luto – a morte da confiança, do relacionamento, de tudo que se viveu junto.

Vejamos o tão comum adultério. Muitos começam relacionamentos com pessoas que eram casadas, ou estavam em outros relacionamentos. Já vi muitas mães dizerem para filhos e filhas:

– Olha, se ela (ou ele) foi capaz de fazer trair o marido (ou esposa) para ficar com você, é também capaz de te trair e ficar com outra pessoa.

Apaixonadas, as pessoas ignoram o sábio conselho e mergulham de cabeça em um relacionamento que já começou errado. O mais comum é acontecer o que a mãe havia previsto. Há uma dor imensa na traição. Mas a pessoa traída sabia, desde o início, que seu parceiro (ou parceira) era capaz de trair. Não pode dizer que se decepcionou.

Já uma pessoa cujo parceiro sempre foi correto, nunca deu motivo para pensar que seria capaz de trair, se enfrenta essa situação, sofre pela traição e pela “morte” da pessoa confiável que ela pensava estar ao seu lado.

Outro dia eu fiquei sabendo de uma mentira grave que uma pessoa falou. Envolve coisas importantes em minha vida. Mas, como eu sei que essa pessoa mente sempre, sofri muito com a mentira, porém não foi qualquer surpresa, não me decepcionei. Foi apenas uma dor.

Meu texto está muito para baixo? Desculpe, é assim que me sinto hoje. Decepcionada. Primeiro, fiquei perplexa. Jamais imaginava aquelas pessoas falando e fazendo tudo aquilo. Depois, veio a decepção. É triste, muito triste. Mas eu penso que chegará o dia em que a situação será como a minha com a garota: os que decepcionaram viverão muito mais incomodados com a lembrança da decepção do que os que foram vítimas dela. A cicatriz vai ficar, mas a ferida vai fechar. De dentro para fora, como minha prima Zenaide ensinou que deve ser. Agora, o sentimento de não estar à altura da admiração que os outros nutriam por você, de saber que você se desfez diante deles, se desmanchou, ah, esse sentimento é muito pior.

Escrever é mesmo terapêutico para mim, porque acabei de concluir que a pior dor não é se decepcionar com alguém. A pior dor é causar a decepção. Não há volta. Se você se permitiu desmanchar aos olhos de uma pessoa que te admirava, jamais irá recuperar o lugar que ocupava antes. E isso é muito, mas muito mais triste.

Sempre me esforcei para não decepcionar as pessoas. Depois deste post, acho que vou me esforçar ainda mais…

Desculpe aí, meu leitor, minha leitora, esse texto tão pra baixo. Estou triste, então é isso que escrevo. Quem sabe amanhã eu me lembro de uma história bem engraçada e conto para você? Espero que sim.

OI, DEIA!

Oi, Deia!

Hoje, no dia do seu aniversário, eu me faço uma pergunta: há quanto tempo nos conhecemos? Simplesmente não sei. Você chegou, com seu jeito único de espalhar amor, e conquistou toda uma família.

Nas horas alegres, lá está você, com alguma comida deliciosa. Nas horas tristes, olha lá você nos carregando no colo.

Não sei se conheço outra pessoa que goste tanto de amar quanto você. Suave, sem fazer aquela barulheira Moraes Ziller que você conhece tão bem, você chega de mansinho e toma o coração da gente.

Hoje, no seu aniversário, eu escolhi te escrever esta carta, porque tenho muito a dizer, não cabe em um post no Facebook. Por isso meus parabéns vão aqui pelo blog. Para eu poder escrever um pouquinho mais.

Eu não sei qual a minha primeira recordação com você. Não me lembro da primeira vez que nos encontramos. Parece que você sempre fez parte da minha vida, com esse sorriso meigo.

Há momentos que não esquecerei. Depois do almoço delicioso do aniversário da mamãe, que você fez com tanto esmero, ficamos sabendo que papai ia para o hospital. Você, com a mão queimada, ficou encostada à parede, enquanto nós nos abraçávamos e chorávamos. Assim que nos acalmamos um pouco, veio para perto de nós e começou seu trabalho de consolo, que ainda não parou… As latas de biscoito, os bolos, os doces, os agrados que deixava na casa da minha mãe naqueles dias tão duros, tudo isso está gravado para sempre em minha memória e em meu coração.

Veio o tempo de rir, apesar da saudade. Lá está você. Fazendo o almoço do casamento do meu filho, o jantar de aniversário do Sérgio. Sem alarde, sem tocar trombeta. Servindo, como Jesus servia: com amor! Usa seu maravilhoso dom da culinária para abençoar todos à sua volta.

Voltou o tempo de chorar.Aqui está você. Todos os dias, todas as horas.

Você é preciosa demais, Deia. Um senhor que eu amo muito (ele já faleceu, porém a morte não acaba com o amor e eu prefiro continuar a usar o verbo no presente) dizia: “Te amo tanto que nem sei quanto”. E hoje eu repito as palavras dele para você: “Deia, eu te amo tanto que nem sei quanto”!

Meu desejo, Deia, é que nunca uma lágrima escorra pelo seu rosto. Sei que isso é impossível, mas o desejo do meu coração é esse – que você nunca sofra! Se estivesse em meu poder, você jamais passaria por qualquer dor, por qualquer sofrimento.

Sou grata a Deus por ter colocado você na vida de nossa família. Continue assim, doce, meiga, espalhando amor por toda parte.

Muito obrigada por tudo.

Mil beijos.