PARA NOSSA ALEGRIA

Se você é das poucas pessoas que ainda não assistiu o vídeo imperdível, segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=K02Cxo3fAC8.

Ontem, chorei de rir várias vezes por causa do Jefferson, da Suelen e da Mara. E muita gente comigo. No Facebook, era “Para nossa alegria” desde os gols do Vasco até o fato de hoje já ser quinta-feira.

Hoje de manhã, até o Luciano Hulk compartilhou o vídeo. Ao copiar o link, eu vi que já houve mais de cinco milhões de acessos. Isso mesmo. Cinco milhões, no link que eu peguei. E há vários outros, idênticos, uns editados, outros copiados. Eles estão fazendo muito sucesso.

Induzida pelo trio, divaguei, claro.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a música escolhida. O título é, na verdade, Galhos Secos, foi gravada pela banda Catedral em 1993. Não é melodia simples (praticamente irreconhecível na interpretação deles), e a letra também é elaborada. Engraçado que nunca foi um sucesso estrondoso e quase ninguém a canta hoje. Esses dois fatos não se encaixam com os três cantando com a voz de taquara rachada e morrendo de rir no meio da “apresentação”. Talvez por isso seja tão engraçado, pelo contraste entre uma música, digamos assim, bem elaborada e a total ausência de sofisticação do trio.

A família rindo, evidentemente se divertindo, com a música “de bom nível”, me fez lembrar de uma tarde em que nosso Coral foi cantar em uma igreja em uma favela. Muito arrumadinhos em nossos uniformes, com nosso bom teclado a tiracolo, destoávamos por completo do ambiente. Pessoas extremamente pobres, mal arrumadas, muitas estavam sujas. Cantamos, e, aí, o Coral deles também cantou, numa demonstração de afeto pela nossa presença, segundo falou o pastor (não fui eu que inventei a motivação). Creio que Jefferson, Mara e Suelen faziam parte do Coral deles. Todo mundo cantava daquele jeito. Imagina a cena: umas 30 pessoas, numa capelinha lotada, todas cantando como os dois no vídeo.

Sou dada a ataques de riso com muita facilidade, e a cena cômica me obrigou a sair um pouco, respirar fundo e voltar. Mas, quando voltei para a igreja, passei a olhar com outros olhos. Deus me deu um cutucão. Apesar da pobreza, a igreja estava toda arrumada. Havia uma toalha na mesa, um vaso com flores de plástico em cima. Num canto, os instrumentos velhos e desgastados pelo uso (com certeza eram de segunda, ou terceira, mão) disposto em ordem. E tudo limpo. Os membros do Coral, sentados juntos, demonstravam alegria pelo que haviam acabado de fazer. E eu ouvi aquela vozinha dentro de mim, que eu sei de onde vem:

– Para mim, a música de vocês é igual à deles. Eu olho para o coração.

Sim, temos que fazer o nosso melhor para Deus. Ele merece todo nosso esforço, e um pouco mais. No entanto, por mais talentosos, intelectuais, ricos, bonitos, chiques que sejamos, o olhar dele está no que nos move. Não sei o que moveu Jefferson e sua família a cantarem aquela música, mas sei que, caso o intuito tenha sido louvar a Deus, talvez, aos olhos Dele, os três cantem mais bonito do que Elvis Presley cantando Amazing Grace (caso Elvis tenha apenas interpretado uma partitura, sem colocar nela o coração).

Uma coisa é fato: eles tiveram mais de cinco milhões de acessos e eu estou sonhando em chegar aos mil aqui neste novo blog.

Quem é que está rindo agora? Mas é tudo PARA NOSSA ALEGRIA!!!!!!!

IGUAL HÁ MUITO TEMPO

Ante-ontem, no meu post SÓ MUDA O ENDEREÇO (https://claudiazillerfaria.com/2012/03/19/so-muda-o-endereco/), contei que eu sempre me achei muito diferente do papel tradicional das mães, mas que, por causa do que aconteceu domingo, descobri que sou bem semelhante às minhas companheiras de status familiar.

Penso, penso e penso mais. Depois de muita terapia, descobri que sou uma pessoa introvertida. Esse termo costuma ser entendido da forma errada. Introvertida não quer dizer tímida, quer dizer voltada para si mesma, com tendência a pensar, pensar e pensar mais. Segundo a psicóloga que descobriu essa minha característica, eu me encaixo quase 100% nas definições técnicas do tipo. Falou que é difícil alguém ser tão introvertido quanto eu. Por isso sou capaz de me isolar do mundo à minha volta e mergulhar nos meus pensamentos, qualquer que seja o ambiente em que esteja.

Pronto, divaguei, e isso não tem nada a ver com o tema de hoje, mas foi para explicar porque pensei tanto e cheguei a descobrri que sou igual às outras mães há muito tempo. Ou, talvez, desde sempre.

Foi, de novo, a Daniela. Com a Flávia, ela começou a fazer caratê antes de completar cinco anos. Serginho já fazia, e o professor as aceitou. Aliás, Edson, o sansei deles, foi pessoa muito importante na formação dos três. Outro dia, eu me encontrei com ele e me senti feliz por ter oportunidade de agradecer todo o carinho que ele dispensou aos meus filhos, os conselhos sábios e equilibrados que deu a eles.

Flá e Dani eram o xodó dele. As duas sempre foram muito, digamos assim, ativas. Começaram a fazer natação com sete meses, por causa de bronquite, e os esportes sempre foram parte importante da vida delas. E amaram o caratê desde o primeiro dia. Bem, no primeiro dia, a Flá disse que ia fazer balé. Comprei roupa cor de rosa, tutu, sapatilha, tudo. Arrumei dos pés à cabeça. Saiu da aula chorando, porque tinha comprado tudo de balé, mas preferia caratê, como a Dani. Lá fui eu atrás de outro quimono, claro.

As duas estavam prestes a completar seis anos quando participaram do primeiro torneio. Pensa numa coisa linda. Aquelas duas de cabelinho bem pretinho, iguaizinhas, fazendo os movimentos com firmeza e seriedade na frente dos juízes. Eu babava, o pai babava, o Serginho babava e o Edson também.

Como eram bem pequenas, foram das primeiras a se apresentar, e tínhamos que esperar todos os outros, antes de termos o resultado final. Era alguma data especial, com churrasco em nossa casa, então Sérgio foi embora e eu fiquei esperando. Serginho também fez a apresentação dele, e eu lá, esperando os resultados. Sozinha.

Enfim, chegou a hora. Dani ficou em primeiro lugar, Flávia, em segundo. Eram poucas crianças da idade delas, mas eu fiquei muito feliz assim mesmo, claro! Elas pegaram os troféus, sentaram no lugar na fila, muito comportadas (depois de terem quase derrubado o ginásio enquanto esperavam as outras apresentações – existe um filme que não me deixa mentir).

Eu olhava para os lados, para ver se alguém me identificava como mãe daqueles pequenos prodígios. Nada. Os outros olhavam para os filhos deles como se tivessem conseguido tanto sucesso quanto os meus. Que indiferença!

Mas, aí, veio a cereja do bolo. Anunciaram que havia um prêmio para atleta revelação daquele ano. E… Dani ganhou!!!!!!!!!!! Aí eu não aguentei e comecei a dizer para todo mundo que estava perto de mim que era minha filhinha. Não sei por que eles não se empolgaram, não ficaram em pé para aplaudir. Eu, claro, chorei! Felizmente havia o Edson para compartilhar minha exultação.

Pois é, acho que tem muito tempo que eu sou igual, e nem tinha me dado conta disso. Sou tão igual que acho que sou diferente…