COALA

Tá bom, tá bom, eu confesso: deveria ter nascido coala! São os bichos mais sábios de todo o universo conhecido e desconhecido. Dormem 23 horas por dia. Não seguidas. Dormem um pouco, já no meio da comida. Acordam quando sentem fome, comem as folhinhas que estão ali por perto e voltam a dormir. Só descem da árvore deles quando a comida acaba e eles precisam encontrar outra melhor. Como nada é perfeito, nem eles escapam de uma ida periódica ao supermercado dos coalas.
Sou coala por excelência. Gosto de dormir, faço tudo devagar, amo ficar na minha árvore. Sou a Coala Ziller e Amanda é a Coalinha Ziller. Com uma diferença: ela não gosta tanto de dormir quanto eu.
É muito difícil ser coala num mundo de formigas. Nossa vida se mede pelo nível de atividade que mantemos: atividade física, que pode ser vista, avaliada e analisada pelas outras pessoas. Para nós, coalas, tudo exige muito mais esforço do que as formigas despendem na mesma tarefa.
A coisa começa na hora de acordar. As formigas abrem os olhos e pulam da cama, falando e cantando. Nós precisamos de um bom tempo para “aquecer”. Lembro dos primeiros carros a álcool. A gente deixava o bicho ligado, esquentando o motor, enquanto se arrumava para sair. (Nem gosto de lembrar daquele tempo em que tinha que acordar cedo e levar os filhos para o colégio! Ai, como sofri!) Pois é, os coalas precisam de um longo tempo na cama até conseguir fazer Tico e Teco entrarem em ação. E nenhuma formiga é capaz de entender essa necessidade.
Durante o dia, coalas se movem devagar. Nada de pressa, nem de afobação, nem de stress. As formigas querem devorar a gente. Muitas chegam a nos dar umas ferroadas. Aí, coala que se preza coça o lugar e ignora a ferroada. As formigas, diante dessa indiferença, querem nos enforcar. Coitadas das formigas, a gente tira todas do sério.
Eu Coala e Amanda Coala temos mães formigas. Coitadas das nossas mães!!!!!! Até conseguirem nos mover de nossa inércia as duas já estão arrancando os cabelos.
O sono é o refúgio dos coalas. Enquanto as formigas, em momentos de preocupação e angústia, partem para a ação, nós, coalas, nos enrolamos em algum lugar e dormimos horas seguidas. Talvez esperando que, quando acordar, vamos encontrar outra realidade, que o tempo em que estivemos fora do ar resultou em mudanças radicais em tudo que nos preocupava. Ou, então, que a tristeza tenha diminuído de alguma forma.
Se o mundo fosse só de formigas, ninguém sobreviveria ao stress. Se fosse só de coalas, os problemas se acumulariam sem solução até abafar todo tipo de vida. Deus, em sua sabedoria, nos fez diferentes, para que uns ajudassem a limitar os excessos dos outros. Sendo assim, vamos celebrar a vida, sejamos nós coalas ou formigas.

Amanda Coala e nosso semelhante que, infelizmente, não pude trazer de San Diego para ela.

UMA CARONA NA VAN DA CLARICE

A van da Clarice rendeu, ontem. O post dela fez sucesso. Sendo assim, vou pegar carona e falar mais sobre a “chiquice” da nossa família. Fotinhos de uma de nossas nada chique vans:

Não sei de onde essa fama vem. Talvez das avós, que estavam sempre arrumadíssimas. Ou da nossa paixão por sapatos, ou do gosto da mamãe pela arrumação da casa, ou do capricho dela para estarmos sempre impecáveis, do cabelo até as unhas dos pés.
Mas, se tem uma coisa que não somos é chiques.
Para começo de conversa, e bota conversa nisso, falamos alto demais. As duas coisas. Falamos alto. Falamos demais. Rimos muito (rir nunca é demais). Rimos alto. Uma ressalva: Cristina é mais comedida nesse quesito intensidade do som.
Outra coisa muito chique, que não temos em absoluto, é aquele negócio blazé, de fingir não estar deslumbrado diante de uma coisa deslumbrante. Um exemplo: Nem sei quantas vezes fomos à Disney. Não contamos mais. No entanto, todas as vezes em que entramos temos que fazer o maior estardalhaço. Uns choram, outros riem. Todos gritam (menos a mamãe – ela é chique). Durante os shows de fogos é que vamos à loucura. Prova cabal da não-chiquice: em um lugar chiquetésimo para assistir Iluminations, espaço reservado só para nós, conseguimos tirar a foto mais ridícula do mundo. Nem quero imaginar o que os funcionários que trabalhavam por ali pensaram desse grupo sui-generis.

Outra prova de nossa destituição de chiquice reside em nossas amadas férias em Santa Catarina. Todos os anos. Pelo menos 20 dias. Pensa em 100 pessoas enfurnadas em um apartamentinho de dois quartos (sendo um deles pouco mais do que um corredor). Ali a gente se esbaldava em nossa não-chiquice. Mamãe cozinhava para um batalhão. A gente tinha escala para arrumar a cozinha e lavar o banheiro. Era um entra e sai sem fim. Gente que chegava, passava uns dias e ia embora. Nem precisava avisar. Era só chegar com um colchão. Pensa na falta de conforto.
Em festas, a gente está sempre com a turma da bagunça, nunca com a sofisticada e fina. Sabe aqueles que dão um jeitinho de tirar o sapato embaixo da mesa? Isso, somos nós.
Estamos sempre em turma. Tudo junto num montinho. Gente chique não é assim. Cada qual tem suas atividades e seus programas sociais. Mas nós somos a Zillerada. Lá vem a galera! Sensíveis, coloquem algodão nos ouvidos, porque o barulho vai começar!
Mas há uma coisa em que somos imbatíveis: somos felizes! Enfrentamos problemas difíceis, cada um com suas lutas, mas quando nos reunimos, somos felizes. Papai até consegue esquecer um pouco a dor que o aflige há tanto tempo, cada um de nós deixa de lado suas preocupações e nos deliciamos em conversas e risadas que recarregam nossas baterias para mais uns dias de lutas. Se ser chique é ser feliz, então, somos chiques no úrrrrrrrrrrrrtimo!