Doentinha desde quinta-feira da semana passada, o que fiz nesse fim de semana foi assistir televisão. Felizmente existe o sistema HD que permite que a gente grave o que gosta para ver depois, porque eu não gosto de quase nada que passa na televisão. Os canais abertos só encontram meus olhinhos quando o Sérgio está no domínio do controle remoto. Eu assisto filmes românticos bobos, comédias, documentários e, minha predileção, sitcoms. Minha predileta na atualidade é The Big Bang Theory.
Eu me identifico com o grupo de nerds. Não sou gênio, mas sei como é ser a primeira da sala. Sei o que sente aquela criança que a professora sempre cita como exemplo. As outras crianças não gostam muito da gente, não. E a gente fica meio parecida com ET.
Também me identifico com os quatro nerds nas preferências de lazer deles. A diversão que eles encontram é sempre diferente do que os outros consideram divertido. Até as piadas que eles fazem os outros acham sem graça. Na série, eles chamam de piada de cientista. Nunca cheguei a esse nível, mas sei como é a essência da coisa.
Mas o meu predileto é, sem qualquer dúvida, o Sheldon. Tem o spot dele. Um lugar perfeito para ele no sofá da casa. Outro dia, cheguei à cozinha e a Dani estava no meu spot à mesa. E falou:
– Ih!!!! Não vou levantar, quero ver o que você vai fazer.
Eu, que não sou Sheldon, consegui escolher outra cadeira. Quando vi, estava passando margarina no pão. Não gosto de pão com margarina. Ela quebrou minha rotina, eu fiquei sem saber o que fazer. Rimos todos, e acabei conseguindo tomar o café sem maiores problemas, apesar de comer pão com margarina.
Sheldon tem rotinas para tudo. Se for interrompido, ele começa a ter tiques nervosos, não consegue prosseguir com mais nada. Ao bater na porta, por exemplo, ele precisa dar três batidas rápidas e falar o nome da pessoa. Repete isso três vezes. Se a pessoa abrir a porta antes da terceira vez, ele bate na porta aberta e termina sua rotina. Não chego a esse extremo, mas sei como é ruim interromper uma de minhas rotinas.
Em um episódio, ele fica sozinho em casa, porque todos estão fora. Resolve fazer um diário em seu computador (parece com alguém…) e escreve: “sozinho em casa, sem o calor da companhia humana“. Em voz alta, diz:
– Que maravilha!
Também sei o que é isso. Como gosto de ficar sozinha! Bem, estou aqui, no meu escritório, com o computador, montes de livros e dois cachorrinhos e… feliz como pinto no lixo.
Às vezes os amigos insistem com ele para sair de casa, e ele não consegue entender o prazer da sair por sair. Sempre que vai à rua, ele tem um objetivo específico: ir à loja de comic books, comprar comida, trocar o lençol que comprou errado, ir trabalhar. Mas não entende o conceito de sair para não ficar em casa. Eu também não. Prefiro sempre ficar no meu canto.
Sheldon é o espelho em que me vejo. Dou muitas gargalhadas, porque eu seria daquele jeito se fosse um pouco mais maluquinha. Muitas vezes, enquanto estou rindo do Sheldon, Sérgio me pergunta o que foi. Não tenho como explicar. Na verdade, estou rindo de mim mesma. Claro que a paródia exagera, mas estou vendo alguém me representar ali na televisão.
Eu gosto de rir de mim mesma. Gosto muito. É mais divertido do que rir dos outros, porque conheço todas as facetas envolvidas. Quantas vezes eu caio na gargalhada no consultório da psicóloga, por causa das contradições, do nonsense, do inesperado que descubro em mim mesma. Aliás, eu muito mais rio do que choro.
Às vezes me pergunto se não seria bom rir menos e chorar mais. No entanto, depois de uma boa gargalhada, eu me sinto excelente. O mesmo não acontece depois de chorar. Fico cansada, apesar de aliviada. Ah, mas a risada… Essa tem, sobre mim, efeito terapêutico. Aquela gargalhada que começa na barriga, que jorra com uma força que nada consegue segurar. Ah, essa me renova, revigora.
Sendo assim, muito obrigada, Sheldon Cooper! Você tem me sido de grande ajuda.
Eu “tava” pensando…
O QUE SALVAR SE MINHA CASA PEGAR FOGO?
Tenho a resposta na ponta da língua. Não sei se, diante de minha casa em chamas, eu seguiria com meu projeto, mas eu sempre afirmo que pegaria o máximo de fotografias que pudesse.
Sou apaixonada por fotografia. Não artísticas, nem sou eu quem as tira. Sabe aquelas em que a família faz pose, todo mundo bonitinho e sorrindo? É, essas mesmo. Gosto de mexer com elas. Arrumar os álbuns, organizar em ordem cronológica. Amo fazer Scrapbooks. Cada página pronta é contemplada infinitas vezes.
Minha casa é repleta de porta-retratos. Sérgio também curte as fotos. Gosto de inventar com elas. Fazer clipes com música e dar de presente. Fiz um mural lindo para o quarto do Serginho, com fotos dele desde recém-nascido até adulto. Experimentei os scraps digitais, fiz uma agenda para o Sérgio, um livro para a Amanda, mas não é minha praia. Prefiro pegar as coisas, gosto do alto relevo dos enfeites na página.
Tenho cerca de 40 álbuns de 200 fotos cada um, meticulosamente organizados. Só guardo as que me agradam. Se não gosto de alguma coisa, jogo logo fora. Pra que guardar uma coisa de que não gosto? Assim, devo ter jogado fora quase o mesmo tanto de fotografias que arquivei.
Há algumas fotos fora de ordem, mas eu coloco um aviso nelas: FORA DA ORDEM CRONOLÓGICA!!!! A primeira foto nos meus álbuns é da minha mãe, ainda adolescente, de trancinha. Daí em diante, eles contam minha história, que é a nossa história, a da minha família.
A Bíblia tem um versículo que eu amo. No meio de uma devastação completa, sua nação destruída, seu povo levado para o cativeiro, o profeta Jeremias disse: “Quero trazer à memória aquilo que pode me dar esperança”! É isso que as fotografias fazem comigo. Trazem a esperança.
A gente só fotografa momentos alegres. Ninguém pega a câmera e sai clicando quando está em meio ao sofrimento. Alguém falou que ninguém é tão feliz quanto aparece no Facebook. Claro. Pra que colocar ali as dificuldades? Queremos lembrar do que dá esperança.
Às vezes, eu me sento e pego um dos álbuns, aleatoriamente. Em meia hora, posso percorrer uns 10 anos de vida. Meus filhos correm, riem, brincam. Volto aos lugares onde moramos antes. Dou um replay em diálogos. A história editada que as fotografias apresentam mostram que a gente é feliz.
Nunca, em nenhum dos momentos naqueles álbuns, vivi sem problemas ou preocupações. Não existe vida sem contratempos, dificuldades, obstáculos, tristezas. Mas as fotos mostram que sempre fomos felizes, mesmo com tudo isso. Mostram, também, que as coisas ruins ficam para trás, mas as boas continuam com a gente pela vida toda. Por isso relaciono as fotografias com relembrar o que dá esperança. Não só podemos ser felizes no meio das dificuldades. Um dia, de alguma forma, elas vão passar, não tenho nada que me obrigue a lembrar delas. No entanto, cada foto, é um marco para me ajudar a reviver de um momento de alegria.
É, não tenho dúvida. Na casa pegando fogo, quase tudo mais poderia ser reposto, mas minhas fotos…