PRESENTES ESPALHADOS PELO CAMINHO

Escrevi ontem sobre oportunidades inesperadas que aproveitamos. Hoje, me lembrei de presentes que Deus espalha por lugares por onde passo. Há presentes todos os dias, em casa, na rua, em todo lugar, mas lembrei especialmente dos que ganhei em viagens.
Bom, até as viagens já são presentes que Deus espalha na minha vida, porque é o que mais gosto de fazer. Mas ele é tão bom que, além de dar a viagem, esconde presentinhos no caminho, para eu ir encontrando. Vejo muitos, mas penso nos inúmeros que não percebi. Vou contar alguns.
Quando fomos a Israel, os presentes foram o sol se pôr em lugares sempre especiais: no Mar Vermelho, no Mar da Galileia, no Monte das Bem-Aventuranças e, o supra-sumo, chegamos a Jerusalém e fomos para o Monte das Oliveiras assistir o espetáculo do sol se despedindo de nós sobre a cidade.
Uma vez, estava em João Pessoa, com um grupo da igreja. Ia saindo do hotel e… lá vinha meu primo Waldo entrando. Mais um presente. E o mesmo aconteceu no aeroporto de Buenos Aires. Olha lá meu primo!
Na comemoração de nossas bodas de prata, alugamos um carro em Paris e fomos realizar um de nossos maiores sonhos: conhecer Mônaco. Seguimos pela Costa Azul e, quando fizemos a curva e avistamos o principado, tocou no rádio uma de minhas músicas prediletas: “We are the champions”, do Queen. Jamais aceitarei que foi por acaso. Dos bilhões de músicas que existem neste mundo, tocar a minha, logo naquela hora! Tem que ter o dedo de Deus nisso.
Bom, eu poderia fazer uma lista quase infindável de “coincidências” semelhantes, mas vou contar a que mais me agradou.
A viagem já foi inesperada. De uma hora para outra, surgiu uma oportunidade de irmos à Itália e Áustria com meus pais. Resolvemos incluir Innsbruck no roteiro, para ir ao Zillertal, região natal da família de meu avô paterno. O hotel era um charme. De frente para o rio, a janela ia de cima a baixo. Havia um assento, onde podíamos ficar contemplando o rio, a montanha da outra margem, com aquelas casinhas lindas penduradas pela encosta. Chegamos no início da noite, e decidimos sair para jantar. Era final de novembro, ainda não chegara a época da neve. Mas estava tudo lindo mesmo assim.
Jantamos em um restaurante charmoso (como, de resto, é a cidade toda). Tomei a melhor sopa de tomate de toda minha vida. Estávamos quase acabando, quando percebi uns floquinhos brancos voando. Isso, era neve. Já conhecíamos neve, não era a primeira vez, mas o cenário era especial demais. Voltamos para o hotel com a poeirinha de neve. Sentamos perto da janela e ficamos olhando. Os floquinhos foram ficando maiores, os telhados do outro lado do rio se cobriram de branco. As árvores também, o chão, tudo… Quando não aguentei mais ficar acordada, dormi com as cortinas abertas. Na manhã seguinte, estava tudo coberto de neve. Na recepção, a funcionária comentou:
– É a primeira neve. Veio cedo este ano, para vocês!
Eu concordei:
– É, foi um presente de Deus para nós.
Fenômeno climático previsível ou presente de Deus? Creio em um Deus de amor que esconde presentinhos especiais para alegrar ainda mais os meus dias. E me esforço para enxergar onde estão essas lembrancinhas, esses toques especiais que ele me dá constantemente.

SEM A GENTE ESPERAR É MELHOR.

Dá para acreditar que 48 horas antes de tirar essa foto no Magic Kingdom eu estava almoçando em minha casa, sem qualquer plano de viajar? No entanto, olha eu ali, abraçada ao Vitinho, que também não tinha ideia de que ia viajar, muito menos comigo. Alice e Amanda também não sabiam, assim como Rogério e Thaís.
Eu tinha acabado de sentar para almoçar, quando o telefone tocou. Clarice falou que já estava tudo combinado com o Sérgio. Naquela noite eu iria para São Paulo, no dia seguinte, vôo diurno para os EUA, passar duas semanas em Orlando.
Sou uma mulher casada, mãe de família, tradutora, com responsabilidades. Como assim, virar a vida de cabeça para baixo e viajar?
Vou revelar um segredo que sempre conheci, mas que veio reforçado através de muito sofrimento no ano de 2004: a vida é repleta de reviravoltas. Podem ser boas ou ruins. Em geral, não conseguimos fugir dar ruins, mas, infelizmente, costumamos voltar as costas às boas reviravoltas.
Como uma viagem totalmente inesperada. Várias pessoas comentaram comigo que não teriam coragem de fazer o que eu fiz, partir sem uma preparação, sem deixar tudo organizado.
A organização não é tão importante assim. Outros organizam por nós. Mas posso afirmar que se eu tivesse recusado a viagem, teria deixado escapar uma das experiências mais gostosas da minha vida.
Precisei trabalhar em Orlando. À noite, quando voltávamos dos parques, Amanda cuidava da Alice enquanto eu pegava o computador e ia trabalhar um pouco. Claro que a produção baixou, mas recuperei ao voltar para casa.
Não sei que consigo expressar o que quero, mas vou tentar deixar mais claro. Precisamos nos agarrar sem medo às boas surpresas que pulam à nossa frente. As surpresas ruins nos agarram, não podemos fugir delas. Mas as boas, nós é que precisamos segurar. Muitas vezes, passamos pela vida deixando escapar boas oportunidades. Eu me esforço ao máximo para não fazer isso.
SURPRESAS QUE SURGIRAM DE REPENTE E FORAM MUITO BEM APROVEITADAS:
Fim de semana em BH, com a família, para assistir um jogo. Nosso time perdeu, mas o fim de semana foi da melhor qualidade!
Vamos fazer uma festa junina? Vamos. Em uma semana, tudo pronto. Diversão a valer.
Reunião de família! Semana Santa. Basta comprar carne de sol, rachar a conta. Não fica caro pra ninguém, e a alegria corre solta.
Sem dinheiro para comprar a primeira árvore de Natal? Improvisa!!!!!! E curte de montão.
Sem combinar, participantes do Ele Vive, nosso conjunto da adolescência, vêm passar o Natal em Brasília. Vamos ensaiar e cantar alguma coisa? Vamos. Nem parecia que 20 anos haviam passado.
Não sabemos voltar a este lugar. No interior da França, uma placa: “Bord du lac”. Vamos almoçar à beira do lago? Vamos. A vida é muito curta para desperdiçarmos os presentes que Deus coloca em nosso caminho. Podemos não saber voltar, mas jamais esqueceremos como foi gostoso nosso almoço…

Fiz apenas uma rápida coletânea de momentos surpresa que Deus colocou em meu caminho. E insisto: jamais deixe de aproveitar essas surpresas! Elas embelezam nossa existência. São presentes de Deus para nós.