MINHA AMIGA PETISTA

Sábado à noite. Eu, coxinha que de tão coxinha digo que sou daquelas com catupiry, estava grudada na transmissão dos debates na Câmara. Foi quando vi minha amiga petista Lúcia.

Preciso falar sobre ela. Vaidosa, está sempre impecável. Cabelo escovado, maquiagem adequada ao momento, bem vestida. Sempre sorrindo, um sorriso que ilumina todo o seu rosto. Lúcia é uma das pessoas mais carinhosas que conheço. Sabe aquela amiga que sempre tem uma palavra para te elogiar, para te incentivar? Pois é. Nossas filhas são amigas desde sempre. Eu amo as filhas e os netos dela profundamente e sei que a recíproca é verdadeira.

Lúcia tem passado por tempos difíceis, como, podemos dizer, todos os funcionários de qualquer dos lados dessa briga insana que se instalou em nosso país. Trabalha há muitos anos na liderança do PT na Câmara. Competente e dedicada, uma de suas funções é assessorar os deputados durantes as sessões. Por isso eu a vi no sábado. Um deputado estava em uma daquelas infindas “questões de ordem” e ela a postos, ao lado dele, para atendê-lo em qualquer necessidade.

Ela estava exausta. Vi na hora, já que a conheço muito bem. O cabelo que está sempre impecável estava preso para cima, com fios soltos. Dava para perceber que estava incomodando e ela prendeu de qualquer jeito, contrariando seus costumes. A maquiagem tinha saído há muito tempo. Nem batom. Olheiras profundas. Mandei uma mensagem para ela na mesma hora, dizendo que a tinha visto que estava orando por ela. Sim, sou coxinha e oro para Deus fortalecer uma petista. Ela me respondeu que estava exausta e que pedia para orarmos por paz. Atendi o pedido dela, claro.

Por que estou contando isso? Porque talvez meu relato sirva como uma gota num oceano de desentendimento e ódio. Coxinha e mortadela podem e devem ser amigas. Eu e Lúcia nunca discutimos por causa de política. Tanto eu quanto ela sabemos que nossas opiniões divergem. Eu a respeito e ela me respeita. Mais do que isso. Quero o bem dela, assim como ela quer o meu.

Outro dia, ela postou no Facebook uma foto do Orient Express, o trem famoso que vai de Paris a Veneza, no qual sonho viajar desde que li o livro da Agatha Christie. Sei que a viagem é caríssima. Nos comentários, começamos a brincar sobre como conseguiríamos dinheiro para a viagem. Chegamos à conclusão de que, no domingo, ela venderia sanduíche de mortadela e eu venderia coxinha na Esplanada dos Ministérios. Simples assim. De brincadeira. Sem ofensa. Eu sei que ela não é uma aproveitadora que “mama nas tetas do governo”, e ela não me considera uma tapada que não enxerga além do próprio umbigo e desconhece a história do Brasil.

Falando sério, gostaria que houvesse mais, muito mais, coxinhas e mortadelas como eu e a Lúcia. Modéstia às favas, o Brasil só teria a ganhar com isso.

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE BLOG

É, nunca escrevi sobre política partidária. Por vários motivos, que vou ignorar hoje. Vou botar a boca no trombone.

O principal motivo de não ter escrito antes é que muitos amigos e parentes queridos que fazem, ou fizeram, parte do PT. Pessoas honestas, que defendem os ideais que, na minha opinião, ficaram no passado. Alguns se declaram decepcionados, conseguem enxergar a lama que invadiu o partido. Sou solidária com eles e não quero magoá-los. Outros estão perplexos. Muitos afirmam que se arrependem de um dia terem acreditado. E vários me ofenderiam, e me ofenderão, ao ler minha posição. Estão cegos. Não tenho meu blog para levantar debates, nem para me aborrecer, de modo que sempre evitei o tema. No entanto, quando há alguma coisa fervendo muito em meu íntimo, eu preciso escrever, pelo bem de minha sanidade. Então, vamos lá.

Outro motivo de evitar o tema é que não faço parte do grupo que coloca todos os Petistas como ladrões desonestos. Não gosto das palavras, que não vou repetir aqui, que usam o P e o T maiúsculos em termos pejorativos. Não gosto de generalizações.

Além disso, os Petistas xiitas gostam de fazer pouco caso do intelecto dos que não concordam com eles. “Vai estudar história, leia algo além da Veja, assista outro canal que não a Globo.” Essas eu vou responder agora:

  1. Se você, Petista que me lê (creio que serão pouquíssimos), não for professor de história, dificilmente terá estudado tanta história quanto eu. Sou simplesmente apaixonada por história, tanto mundial quanto do Brasil. Leio biografias de pessoas influentes em todas as áreas – de todas as correntes políticas e filosóficas, gosto de livros de história mesmo, escrito por autores com todo tipo de orientação ideológica. Então, não me mande estudar. Mande o Lula estudar, que ele precisa muito mais do que eu.
  2. Na Veja, só leio a página de fofoquinhas no final e o comentário sobre alguns filmes e livros. Também, desculpe-me você, não SUPORTO a Carta Capital, que é o contraponto exato da Veja, a bíblia dos antiVeja. Já li várias vezes e não gostei. Não leio Época, nem Isto É. Como fico sabendo dos fatos? Uma atualização na internet e conversas com pessoas que circulam nas altas esferas do governo. Isso mesmo. Vou direto à fonte. Morar em Brasília nos dá esse privilégio. Não preciso de repórteres para me transmitirem notícias. Tenho amigos e conhecidos que me respondem as perguntas que faço. Há pouco tempo, não vou dizer o nome da pessoa, claro, perguntei se as acusações contra Lula eram verdadeiras. A pessoa não me respondeu sim nem não. Falou: “Vou te contar 3 fatos que sei, citando nomes e locais”. É assim que recebo minhas informações. Na fonte. Então, vá catar coquinho você que me manda ler qualquer coisa.
  3. Não assisto a Globo há muito anos. Talvez você ainda assistisse novelas quando eu já tinha parado. Às vezes, muito raramente, assisto o Jornal da Globo, que acho mais elaborado do que o Nacional. Mas isso é fato raríssimo. Não vejo nada, absolutamente nada, na Rede Globo. Então, essa sua sugestão é inútil para minha pessoa. Ah, se você não se ofender, eu assisto em época de Copa do Mundo, Olimpíadas e outros eventos esportivos importantes. Desculpe aí…

Outra característica generalizada entre os defensores acirrados do PT quando alguém afirma que não é Petista é deduzir, de imediato, que a pessoa defende o Aécio e o FHC. Quanto ao Aécio, não vou muito com a cara dele. Político fabricado. Já do FHC eu gosto. Agora, se ele roubou, quero que seja preso. Todos os corruptos, sejam quem forem, têm que ir para a cadeia. Levou objetos que pertenciam à Presidência de República? Que pague o preço pelo crime. Ele, o Lula e qualquer outro que faça a mesma coisa.

Então, o que me levou a abordar o tema hoje? Simples. Revolta. O tapa na cara que a Dilma me deu ao nomear para seu governo exatamente aquele que os brasileiros querem que seja investigado a fundo para provar sua inocência. Na minha opinião, a nomeação dele é a maior declaração de culpa que se podia fazer.

Tenho muitas restrições a esse sujeito. A primeira, tem a ver com meu amor pelo estudo, que herdei de meu avô. Acho inadmissível ele não ter estudado. Ah, coitado, perdeu o dedo e passou muitas dificuldades. Ele e 90% da população brasileira passaram por dificuldades imensas. Ficou não sei quantos anos tentando ser presidente e não teve a capacidade de fazer um curso superior? De história teria sido bom, para seguir o conselho de seus adoradores. Meu pai fez o curso de Direito quanto eu já era adolescente. Cansei de vê-lo dormindo exausto em cima dos livros. Deixou o exemplo para mim e meus irmãos, que podemos nos orgulhar dele. Não pôde estudar quando era novo, precisava trabalhar… Durante as viagens para as campanhas, Lula poderia ter usado o tempo para aprender inglês, francês, espanhol, etc. A “entourage” era tão grande, deveria ter incluído professores. Teriam sido mais úteis do que os Dirceus da vida. Sou tradutora e sei o estrago que um tradutor pode fazer ao errar em uma palavra pequena, por ignorar um sinal de pontuação. Um exemplo simples:

– O senhor concorda? – pergunta um.

– Eu não concordo – responde o segundo.

– Eu não, concordo – declara o terceiro.

Deu pra notar a falta que faz a vírgula? Aposto que muita gente não notou. Esse tipo de coisa acontece com quem não domina a língua. E o tradutor erra, sem nem se dar conta, sem ter intenção. O “sujeito” fica à mercê desse tipo de erro.

O uso de palavrões, a falta de linha, a bebedeira – tudo isso me incomoda. Aqui em Brasília, existe um código de conduta para todos os servidores públicos, porém o Lula está acima do bem e do mal, né? Bem, na verdade, no fundo, ele não é servidor público. O público o serve. O público serve aos interesses dele e de sua família. Triste que muitos não enxerguem isso.

No final de 2014, depois de tantos anos de empobrecimento da classe média, de “opressão” sobre o pequeno empresariado exercida pelo PT, eu e Sérgio perdemos absolutamente tudo que possuíamos e tivemos que nos mudar de nossa amada casa, que construímos com nosso esforço, sem receber presente de nenhum amigo. Nem um pedalinhozinho sequer. Eu chorava e arrumava caixas. Durante esse processo, eu e minhas irmãs fomos chamadas no Facebook, por uma pessoa que eu pensava que gostava muito de mim, de “protestantes ricas e mentirosas” por termos votado no Aécio. Vejamos. Protestante sou mesmo, com muita alegria. Sou cristã praticante, membro da Igreja Metodista da Asa Sul, uma igreja séria, protestante histórica, fundada na Inglaterra por John Wesley no século XVIII. Mentirosos somos todos. Que jogue a primeira pedra quem nunca falou uma mentira. Mas eu chorei de soluçar ao ser chamada de rica num momento em que era obrigada a me mudar da minha casa deliciosa por causa de desmandos do partido que a pessoa defende com unhas e dentes, uma de minhas irmãs também precisara se mudar poucos dias antes pelo mesmo motivo e a outra irmã estava prestes a perder a empresa que ela e o marido construíram com muito esforço (fato que acabou se concretizando, para alegria do PT). A injustiça doeu fundo e dói até hoje.

Vivemos em uma democracia. Posso ser contra o governo atual. Posso discordar de tudo. Tenho essa liberdade. Posso achar o fim do mundo a presidente (explicarei abaixo por que me recuso a usar a palavra que ela OBRIGA seus assessores a usarem – o “obriga” é outro fato que sei de fonte segura) nomear qualquer pessoa que seja. Posso discordar dos Petistas em tudo. Posso ir à rua de verde e amarelo – jamais de vermelho – para deixar clara minha opinião. Isso é democracia. Engraçado que poucos entendem. Nós, não-petistas, somos burros tapados. Bem, não queira saber minha opinião sobre os cegos que não querem ver…

Quanto a presidente – “ente” é um sufixo que significa “ser”, palavra que serve para os dois gêneros. Então, sobrevivente é o ser que sobrevive. Estudante é o ser que estuda. Competente é o ser que possui competência. Presidente é o ser que preside. Presidenta é uma “sera” que desconhece esses fatos, prefere ignorá-los, ou, então, é uma mulher que não preside droga nenhuma.

E, como diz o sábio Forrest Gump, isso é tudo que tenho a dizer sobre isso.

Ah, faltou: MINHA BANDEIRA É VERDE E AMARELA, JAMAIS SERÁ VERMELHA!