VAI PRA ONDE AGORA?

É uma pergunta recorrente. Tem sempre alguém me perguntando pra onde eu vou agora. Até parece que Brasília não passa de um entreposto, onde eu troco de mala. Concordo que viajo muito, mas a fama é maior do que a realidade. Dani, meu amigo, não a filha, nem o sobrinho, pergunta:
– Agora você vai passar um período aqui em Brasília?
Mas ele viaja tanto, ou mais do que eu. Implicância dele.
Hoje, no entanto, sou obrigada a responder que vou para New York.
Não é meu destino predileto. De todas as cidades que conheço, três brigam pela preferência: Rio, São Francisco e Paris. Fazendo uma análise mais detalhada, verifico que a ordem que eu escolhi para listar representa também a ordem de preferência, mas a diferença entre elas é mínima.
New York tem uma característica que não me agrada: em geral, as pessoas saem daqui com uma meta definida – fazer compras (fato que costuma se repetir com Miami).
Apesar de gostar muito de fazer compras, eu detesto “dia de compras”, não gosto de outlets. Prefiro comprar uma coisa em um shopping bem bonito do que cinco em um outlet bagunçado. Como diz minha sábia tia Minó, sou uma pobre “suberba”. Bem, dizer que sou pobre é um absurdo, mas dá para sentir o espírito da coisa.
Quando a gente vai a New York, sempre tem no grupo gente que pretende trazer a cidade inteira nas costas. O famoso “shop till you drop” (comprar até cair). Nada a ver comigo.
Outro dia, minha prima Ana me ligou, para saber como estava o Sérgio, para dizer que estava orando por nós. E me contou que ganhou de presente uma viagem, com um grupo de mulheres organizado pela minha cunhada Renata. Sei que no grupo tem muita gente que está alucinada para comprar, mas a Ana é como eu. Somos muito parecidas, tanto fisicamente quanto em quase todos os outros aspectos. Não posso imaginar companheira melhor do que ela para explorar os museus, livrarias e parques da Big Apple.
Além  disso, minha filha Flávia também vai com o grupo. Plano: assistir as quartas-de-final do US Open. UAU! Será que, enfim, vou visitar a cidade do jeito que quero? Sem Empire State, Top of the World, Estátua da Liberdade, nem outlet e shopping que ficam a quilômetros de distância?
Sérgio não vai. Isso é um ponto extremamente negativo na viagem, porque ele é meu melhor companheiro de aventuras. Mas tem uma vantagem: vou assistir Mamma Mia, que ele se recusou terminantemente a ver na última viagem à Big Apple.
Grandes planos. Será que se tornarão realidade? Nunca sabemos o que o futuro nos reserva, mas parece que vou mesmo.
Apesar das boas perspectivas, uma coisa me chateia: Dani (minha filha, não o amigo, nem o sobrinho) não pode ir. Eu queria ir com as duas filhas. E meu melhor companheiro de viagem também não vai. Mas eu vou fazer o possível para me divertir ao máximo. Não vai ser difícil.

Prefiro assim, mas….

REVIRAVOLTAS DA VIDA

Na minha família, o divórcio não é comum. Aconteceu só com uma de nós. Clarice se casou, teve a Amanda, se separou e se casou com o Rodrigo. Hoje, tem a Alice também.O pai da Amanda, André, continua meu amigo. E a esposa dele, Esmeralda, chegou com seu jeito meigo, conquistou a Amanda, e, com isso, conquistou minha admiração e meu carinho também. André e Esmeralda têm o Davi, um dos garotinhos mais fofos que conheço, que me chama de tia Cláudia, do mesmo jeito que a irmã dele.
Há alguns anos, esse tipo de relacionamento seria impensável. Eu não poderia me relacionar com eles, e Amanda viveria um hiato entre sua família Ziller e sua família Fernandes. Graças a Deus isso não acontece.
Mas meu coração está triste. A família Fernandes vai sofrer uma ruptura. André e Esmeralda estão de mudança para o Havaí com o Davi, e Amanda fica em Brasília. Muitos planos e projetos, vão trabalhar com motociclistas e surfistas e, com certeza, vão fazer um trabalho maravilhoso, como já têm feito aqui em Brasília.
Com isso, Amanda sofre. E eu. E a família Ziller, e a família Fernandes. Apesar do imenso alívio que singo por minha sobrinha ficar aqui comigo, em vez de ir para o outro lado do mundo, eu sei que o coração dela está sangrando.
Eu penso como o amor é interessante, quando damos a ele a oportunidade de se espalhar e de envolver todas as pessoas. Na Amanda Ziller Fernandes (ou Pina Pinandi, como ela falava quando era pequena), as duas famílias precisam se entrelaçar, se encontrar, se unir. Com isso, somos enriquecidos.
Triste realidade de famílias com divorciados onde os ex são chamados de “falecido”. Não gosto disso. Quero ver o André muito vivo, atuante, com projetos, com muitas coisas boas na vida (como a Esmeralda e o Davi), porque gosto dele. Mas, também, porque minha sobrinha é apaixonada pelo pai, e eu quero que ela seja SEMPRE feliz. Coitadas das crianças de divórcio que são puxadas de um lado para o outro, precisam escolher de que lado ficar. Ela tem o direito de amar a todos, porque todos os envolvidos encontraram um jeito de se gostar e se apreciar.
Vou sentir muita saudade do Davi. Ele é um doce de criança. Estou triste pelo que a Amanda está sofrendo, mas eu também estou sofrendo com a partida deles.
Jesus nos mandou amar o próximo. Pode existir alguém que seja mais próximo do que a família da minha sobrinha?
Houve um tempo em que a Igreja rejeitava divorciados, não sabia o que fazer com eles, assim como está perplexa, hoje, com as outras novidades na sociedade. Felizmente, hoje, na maioria dos lugares em que as pessoas são esclarecidas, isso foi superado. A mãe, o pai, a madrasta e o padrasto da Amanda, por exemplo, são todos pastores. Cada casal faz seu trabalho específico, em lugares diferentes, mas a essência da fé que é transmitida para ela é a mesma.
Logo que André e Clarice se separaram, eu estava na praia com Amanda e meu sogro. Olhava para ela, e pensava que ela nunca estaria totalmente feliz, porque estaria sempre ou conosco, ou com o pai. Nunca com todos. Meu sogro, homem sábio, homem de Deus, me falou:
– Não se preocupe, minha filha! Ela vai sofrer, mas vai “tirar de letra”, porque ela é muito especial.
Creio que Deus falou através dele naquele dia, porque é isso que tenho visto acontecer enquanto os anos passam. E houve muitas situações em que ela esteve com todos nós. Todos os avós, todos os tios e primos, de ambas as suas famílias.
Na próxima semana, André e Esmeralda partem. Será triste. Minha Pandinha vai sofrer. Vou chorar com ela, com toda certeza. Mas os canais de comunicação estão todos abertos, porque todos nos admiramos e nos amamos. Isso, claro, tornará toda a situação menos difícil para minha sobrinha e sua grande família.
Vou sentir saudade de vocês, André, Esmeralda e Davi. Não sei quando será, nem onde, mas, com certeza, voltaremos a nos encontrar. E estarei sempre orando por vocês.
André criou um site para acompanharmos a família nessa jornada: http://www.familiafernandes.com.br/
A bela família Fernandes: