Ninguém pense que eu estou caduca. A lerdeza é antiga. E, para provar isso, vou contar uma aventura também antiga, que envolve minha prima *** (Ela vetou a publicação do nome. kkk)
Somos muito parecidas. Em todos os sentidos. Ambas bem espertas, rápidas, ágeis. Quem nos conhece sabe bem. Engraçado é que muita gente até nos confunde.
Bem, quando tínhamos cerca de 20 anos, fomos levar uns tecidos para uma costureira fazer vestidos para nós. Eu tinha o endereço e informei:
– SQN 305, Bl # (não lembro o bloco), Ap. 502.
*** dirigia, estacionou direitinho (apesar de lerdas, dirigimos bem) e fomos pegar o elevador. Havia dois. Em cima de um, escrito “PARES” e, do outro, “ÍMPARES”. Fiz pouco caso:
– Que burrice! Se eu quiser ir a um apartamento de número ímpar e pegar o elevador par, quem é que vai saber?
*** sacudiu a cabeça, abismada com a suprema burrice dos administradores do prédio. Como queríamos o 502, que é par, entramos no elevador par. Apertei o 5 e… nada. O bicho não se moveu. Temos certo medo de lugares fechados, e ficamos meio assustadas. Apertamos mais vezes o 5 e não conseguimos qualquer manifestação do elevador. *** falou, em nosso ritmo bem de-va-gar:
– Será que acabou a luz?
– Mas, se acabou, como que a luz do elevador está acesa?
Ela não desistiu:
– O botão pode estar com defeito.
Apertei o 4. Lá vamos nós! Descemos no quarto andar e subimos de escada até o quinto, sempre criticando a suprema burrice dos administradores daquele prédio.
Tocamos a campainha, mas a costureira não atendeu. Aí era acrescentar a injúria à ofensa. Revoltadas, decidimos ir embora. Chamamos o elevador, e o que chegou foi o ímpar. Honestas como somos, entramos meio ressabiadas, já que havíamos tentado entrar em um apartamento par.
Não sei quanto tempo levou para chegarmos à conclusão de que ímpar e par se referia ao andar e não ao número do apartamento. Bem, talvez alguém tenha explicado pra gente. Apagamos essa parte da memória.
Ah, e a cereja do bolo: fomos à quadra errada. A costureira morava na Asa Sul, e não na Asa Norte. E passou a tarde esperando as freguesas que não apareceram…
PENSA NUMA PESSOA LERDA (2)
Ontem, ao registrar meu pequeno engano em relação ao shopping, escrevi que meu passado me condena. Pois bem, então vou iniciar uma pequena série de relatos que confirmarão minha afirmativa. É necessário dizer que minha auto-estima não sofre qualquer abalo devido a esses mínimos, digamos assim, lapsos. Rio deles até chorar.
Acho que o mais estupendo aconteceu em uma manhã ensolarada, há vários anos.
Eu e minha prima Zenaide caminhávamos todas as manhãs no Parque da Cidade. Deixava as crianças na escola e me encontrava com ela. Tínhamos combinado que não havia necessidade de ligar para dizer se íamos. Quem chegava primeiro esperava. Se, até determinado horário, a outra não tivesse chegado, ia sozinha mesmo.
A gente quase não faltava, mas de vez em quando acontecia.
Certa manhã, acordei, vesti um top, uma bermuda e já ia saindo quando olhei pela janela e achei que estava meio nublado. Resolvi vestir uma camiseta. Assim fiz, e lá fui eu, toda me achando.
Justo naquela manhã, Zenaide não foi. Sem problema. Esperei até a hora combinada e fui sozinha.
Mas eu tinha me enganado quanto à temperatura e, de repente, comecei a sentir calor. Sem qualquer hesitação, arranquei a camiseta e continuei caminhando. Nariz empinado. Cabeça para cima, glúteos contraídos, peito para a frente. Tudo nos conformes.
Depois de andar um pouquinho, resolvi dar aquela checada básica no top, para ver se não tinha nada sobrando pelos lados.
SURPRESA!!!!!! Em vez de me deparar com um top, encontrei um lindo sutiã amarelo clarinho, todo de rendinha. Eu tinha tirado o top e colocado o sutiã!!!!!!!!
Sim, fui eu a mulher doida que caminhou de sutiã no parque. Se você já ouviu falar dela, saiba que sou euzinha mesmo.
Só mais um comentário:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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