Praia é tudo de bom. Na verdade, não sou afeiçoada à areia e ao mar salgado, mas sou apaixonada ao máximo grau pelo ambiente de verão, a descontração, por ficar sentada de frente para o mar, ouvindo e contemplando as ondas.
Eu e Sérgio viemos a Natal em 2003 e só voltamos em janeiro do ano passado. Ficamos impressionados com o desenvolvimento da cidade! Cresceu muito neste tempo, a atividade turística se profissionalizou muito.
Uma das coisas que mais me chamaram a atenção no ano passado, e que já se manifestou agora, é a atenção das pessoas que nos atendem. Funcionários dos hotéis, motoristas de táxi, segurança do shopping, atendentes nas lojas. Todos os contatos que tivemos com essas pessoas, no ano passado e nesses dois dias, têm sido muito agradáveis.
Os motoristas de táxi são um caso à parte. Conversam o tempo todo com o papai, que sempre vai no banco da frente, porque entrar atrás é mais difícil para ele. Dão a maior atenção, contam histórias, demonstram interesse em nós. Além disso, sabem dar informações sobre a cidade, a gente vê que são pessoas preparadas.
Isso é tão bom! Eu sonho tanto com um país em que todos sabem conversar, sabem opinar sobre os mais diferentes temas, têm, enfim, educação no sentido mais amplo! E gosto de ver que isso tem acontecido aqui em Natal.
Outra coisa deliciosa aqui é o clima. Na beira da praia, claro! Há sempre o vento vindo do mar, de modo que a gente não sente calor. Marcos está mais vermelho que sinal de trânsito, porque brinca o dia inteiro, sem sentir o sol fritando a pele “super morena” dele.
Ontem, primeiro dia, queríamos ir ao mercado. Natal tem um shopping excelente, o Midway, que tem um mercado Extra. Já conhecia um fast-food que serve camarão, então fui direto nele. Mas escolhi mal: camarão com um molho delicioso, tomate fresco e… bacon! Eu simplesmente não posso comer fritura! Resultado: dia de recolhimento. Não faz mal. Amanhã o sol me espera. Com a promessa da visita de Alceu e Piquitina, nossos amigos que estão aqui.
Este ano, Sérgio, em seu primeiro emprego, não pôde vir (buááá). Rodrigo, Clarice e Alice acabaram de informar que não virão (buáááá´). Mas a Flávia, que não vinha à praia conosco há muito tempo, está aqui (oba!!!!!!). Creio que vamos nos divertir bastante.
Com bacon e tudo mais.
SHELDON COOPER – O RETORNO
Volto a falar de minha semelhança com Sheldon Cooper, que já comentei no post chamado… Eu e Sheldon Cooper. Claro, não podia ter outro título.
Continuo me divertindo com o personagem, que tem adquirido mais destaque na série The Big Bang Theory. Acho que muito mais gente se identifica com ele! No último episódio, ele está sozinho em casa, quando surge na janela – terror dos terrores – um passarinho. Segundo o tradutor, um gaio azul. (Foi isso que apareceu na legenda, e não falo inglês de tão alto nível para conhecer os nomes dos pássaros. Aliás, não sei nem em português.) Sheldon ficou aterrorizado. Não conseguia pensar em outra coisa. Apesar de ter fechado a janela, ficava do lado de dentro do vidro, olhando o passarinho. Eu sei exatamente o que é isso. Quando há uma dessas coisas que incomoda a nós – os obsessivos – não conseguimos pensar em mais nada.
Vou contar um fato tragicômico. No dia 23 de dezembro, fui ao culto de despedida de nosso querido amigo Carlão, que falecera na véspera. Chorei muito, durante todo o tempo, em tristeza e saudade profundas. Mas os dois suportes do caixão estavam desalinhados. Tanto um com relação ao outro quanto com relação à cerâmica do piso. E eu chorava e olhava aquilo. Que vontade de arrumar!!!!!! Não consigo tirar da mente coisas desalinhadas, sem simetria. Por mais que esteja transtornada.
Voltemos ao Sheldon. Ele fechou a cortina, para tentar não ver o pássaro, mas não adiantou. Sabia que o danadinho estava lá, no parapeito. Não lembro bem como foi a sequência de ações, mas o passarinho acabou dentro do apartamento e, tragédia das tragédias, pousou no “spot” do Sheldon, lugar em que ele se senta e onde não permite que ninguém mais sente. Por fim, desesperado, chamou suas amigas Bernadete e Penny, para resolverem o problema. As duas tentavam convencê-lo de que o passarinho era inofensivo, mas ele repetia que sofre de ornitofobia – medo irracional de aves – e que não conseguia conviver com a presença dele, mesmo separado pelo vidro.
Acho que não posso dizer que sofro de ornitofobia, mas, sempre que vejo um pássaro, de qualquer tipo, sinto que ele está mirando o bico na minha direção e que a qualquer momento vai me atacar. Só consigo olhar para ele, fixamente, esperando a bicada. É impressionante como o bico parece crescer! Tenho muito medo de pintinhos. São bichos altamente traiçoeiros, esperando apenas uma distração de minha parte para me atacar com toda fúria de que são capazes. Por isso, nunca me aproximo de frangos, galinhas ou de seus filhotes. Não posso dizer o mesmo sobre os Galos, já que torço para… o Galo! Ironia do destino.
Bernadete e Penny resolveram acabar com o medo do Sheldon. Pegaram o pássaro. Era amestrado, subiu no dedo de uma delas, que foi se aproximando do apavorado Sheldon, que se encolhia todo com medo da fera. Mas as duas têm jeito para a coisa, e foram bem devagar. Primeiro conseguiram que ele se aproximasse do gaio azul, depois, em meio a gritos e gemidos, o pegasse no dedo. No fim da cena, Sheldon estava se derretendo de amor pelo bichinho. Assim que isso aconteceu, o passarinho foi embora pela janela, e Sheldon ficou arrasado. Espalhou fotos pela vizinhança, esperando recuperar seu amigo recém-conquistado.
Além de ter medo de aves, eu tenho medo também de todo tipo de animal. Sabe aquelas crianças que gostam de pegar filhotinhos? Nunca fui assim. O primeiro filhotinho que peguei no colo foi a Lola. Ela foi o meu paralelo com o que aconteceu com Sheldon e o passarinho.
Tivemos outros cães, e eu os detestava. Todos. Sem exceção. Me irritavam, me incomodavam. Até já escrevi sobre isso também no blog.
Mas a Dani me pegou de jeito. Depois de passar dois anos morando na Califórnia, faltava cerca de um mês para ela voltar para casa. Em uma conversa no MSN, ela me perguntou se ela podia comprar um cachorrinho igual ao que tinha lá. Claro que eu disse que podia. Teria concordado com coisas muito mais difíceis do que mais um cachorro na minha vida. Ela até me pregou uma peça, mandando uma foto de um cachorro horrível, dizendo que era aquela raça. Depois esclareceu, e fiquei aliviada.
Desde que a Lola chegou, fiquei que nem o Sheldon com o passarinho. Encantada. Ela faz de mim o que quer. Pego no colo, sou a “mamãe” dela, mimo a bichinha de todas as formas. E o Charlie, que veio depois, também. Foi tão bom aprender a gostar dos cachorrinhos! Eles me fazem tanta companhia!
Na série, Sheldon sorri muito pouco. Na verdade, ele não sabe sorrir. Mas ontem, com o passarinho, ele sorria, bem feliz. E eu me identifiquei mais uma vez com ele.
Só que me saí melhor. Os meus bichinhos retribuem meu carinho. Me fazem companhia. Durante o dia, quando estamos só nós aqui em casa, eles ficam onde eu estiver. No escritório, Lola deita no banquinho onde apoio os pés, e Charlie tem um edredom para dormir. Se vou almoçar, Lola fica no encosto do sofá e Charlie deita do meu lado, no tapete. Não importa aonde vou, os dois estão sempre atrás de mim (até no banheiro entramos os três!). Por isso, já levaram porta de armário na cabeça várias vezes. Não vejo que estão tão pertinho, abro a porta e só ouço a pancada. Tadinhos!
Mais impressionante é quando a depressão ataca. Eles não me largam de jeito nenhum. Se eu me deito na cama, eles se encostam bem em mim, parece que querem me consolar. Não sei como descobrem que estou precisando de carinho e de companhia silenciosa. Talvez seja Deus quem conte para eles.
Por causa desses dois bichinhos, descobri que vencer medos nos enriquece. Aprendi que a vida pode mudar, que não precisamos ficar até a velhice presos nos medos e ideias preconcebidas que trazemos da infância. E posso dizer que tem sido muito divertido. Aliás, eles dois também gostaram muito desse episódio de The Big Bang Theory!