A GENTE NÃO AFUNDA DE JEITO NENHUM

Está lá. Eu escrevi, falando sobre a água do Mar Morto. Na festa de lançamento do meu livro, pr. Ibi pegou a frase e deu a ela significado totalmente novo.

Há algum tempo essa mensagem sobre se afogar vem me “perseguindo”. Pr. Misael a transmitiu em um culto. Pedro ia bem faceiro andando sobre as águas ao encontro de Jesus quando prestou atenção no vento e… lá vai ele se afogar. Mas Jesus estendeu a mão, que ele pegou na mesma hora e os dois voltaram para o barco. Mensagem clara: NÃO PRESTE ATENÇÃO NO VENTO, PRESTE ATENÇÃO EM JESUS!

Meses se passaram e a mesma mensagem voltou com força total em nossa classe da Escola Dominical, com outro nome: ventos contrários. O mesmo texto bíblico, mas só que expresso em outros termos.

Fui a um culto no Núcleo da Fé e, adivinha qual foi a pregação? Isso mesmo. O texto do semi-afogamento de Pedro e a volta dele para a segurança do barco, de mãos dadas com Jesus.

Quando eu escrevi que a gente não afunda, não estava pensando em nada além da água hipersalgada do Mar Morto.

Ontem, lendo um livro do Stephen King para escritores, enquanto esperava uma fila quase infinita no Banco, cheguei a uma parte em que ele fala sobre simbolismos. E ele diz que os simbolismos podem ser conscientes, mas muitas vezes nós os colocamos sem nos dar conta de que estão lá. E me reporto a uma entrevista de Humberto Eco, que afirmou que nem desconfiava de quantas coisas tentara dizer com o que havia escrito. E podem ser involuntários, ou seja, extraídos depois do texto pronto, e usados para lhe dar novos significados.

Eu posso dizer com toda franqueza que minha frase sobre não afundar não teve qualquer simbolismo consciente. Mas o fato é que, apesar de mais ventos contrários do que sou capaz de enumerar aqui neste post, a gente até hoje não afundou, e creio que não vai afundar.

Foi isso que o Ibi falou: “Pelo que sei da vida deles, essa frase se aplica – a gente não afunda de jeito nenhum”. É verdade.

Não somos bonzinhos, nem fortes, nem super-espirituais. Mas, na hora do sufoco, a gente olha para o lugar certo – para Jesus. E não afunda. Chora, esperneia, fica triste, mas segue em frente. E, por isso, não afunda…

Foi a primeira vez que alguém abriu meu livro, pegou uma frase e deu a ela uma interpretação nova. Foi uma sensação muito boa perceber que aquilo que coloco no papel pode ter aspectos que eu não imaginei enquanto escrevia. Sei que a palavra escrita, depois que segue seu caminho, tem desdobramentos que o próprio autor não prevê. E ver acontecer com a minha escrita, em meu próprio benefício, não tem preço. Melhor, muito melhor do que ter Mastercard…

E olha aí o Sérgio “não afundando” no Mar Morto:

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