QUAL É O NOME DELA? COMO?

Apelidos. AMO! Meus sobrinhos: Zu, Zi, Drica, Meu Rapaz, Ripilica e Ferefefê. Apenas Ripilica foi “roubado” de um jeito que a mãe dela a chamava. Ainda assim, adaptei, e ela é minha Ripilica. Bem, os nomes: Júlia, Isabela, Amanda, Marcos, Alice e Fernanda.

Tenho pensado muito nessa questão de apelidos, desde que foi nomeado pastor de nossa igreja meu irmãozão, cujo apelido que usamos para ele desde nossa adolescência não é adequado a um pastor. Virou Reverendo. Não, não adianta insistir. Se você não sabe qual é o apelido eu não vou te contar. Agora é segredo, guardado a sete chaves pelos que tiveram o privilégio de crescer juntos, como uma família, na Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília. Cabe uma explicação. Na época em que o apelido nasceu, havia um personagem grande, forte e muito bravo na televisão que tinha o tal nome. Começamos a chamar nosso Reverendo por esse nome por causa da TV. Só que a palavra tem um sentido pejorativo para quem não sabe disso. Como o programa saiu do ar há mais ou menos um século, ninguém se lembra dele, e o sentido ficou apenas o pejorativo. E nós com um amigo muito amado, nosso pastor, com esse apelido.

Éramos um bando de crianças e adolescentes que viviam juntos. Inevitável que dali surgissem os apelidos. Meu marido, Gavião. Tinha o Batata, o Baby (isso mesmo, O, que até hoje é chamado assim) a Tininha, a Dudu, o Mané, os sete irmãos – Dette, Dani, Ceceu, Bia, Léo, Geba e Fred – o Tanato, mais quatro irmãos – Quico, Neca, Ziza e Tita, e assim por diante. E os apelidos grudaram em seus donos. Alguns, como esses dos irmãos, já vieram de casa e nós, que não éramos parentes, os adotamos. Outros foram inventados pela turma mesmo, como o Gavião, o Baby e o *** (o Reverendo).

Eu tenho um apreço especial por apelidos, porque sinto que revelam um relacionamento de carinho, de intimidade, de proximidade. Crio muitos que só eu uso, como esses dos meus sobrinhos e o mais utilizado de todos: Biba, para minha irmã Cristina. Ninguém mais a chama assim. Só eu. Exclusividade. Gosto de dar nomes especiais para pessoas especiais. Não que aquelas que eu não chame por apelido não sejam especiais. É só que ainda não encontrei o nome certo para elas. Meu cunhado Joel é Billy (já ouviu falar no Billy Joel? Pois é). Os apelidos nascem assim, espontaneamente. Acho que têm vida própria.

No final do ano passado, encerramos o último ensaio da Cantata de Natal da igreja. O maestro Deyvison fez questão de agradecer a todos que estavam ajudando por trás dos bastidores e também ao casal que faria a narração:

– Maurício e… Desculpe, mas não sei seu nome.

– Nucha.

Maestro embasbacado. Ele entendeu bruxa. Olhou para o coral, meio em pânico, e nós soletramos. Ele agradeceu à Nucha e fomos todos para a confraternização. Eu e Nucha conversávamos, quando ele se aproximou:

– Você tem um nome bem diferente, eu nunca tinha ouvido.

– Na verdade, eu me chamo Ana Maria…

Ele não aguentou:

– Ah, não, um nome tão lindo e você diz que se chama Nucha!

Rimos, ela disse que era apelido de infância e ele comentou que, quando chegou à nossa igreja, uma das maiores dificuldades que enfrentou foi com nossos apelidos. Disse que, às vezes, precisava falar com um dos homens, mas acabava não falando nada, porque não conseguia dizer:

– Batata, por favor, faça assim e assado… Gavião, olha só…

Eu ia falar, mas consegui me conter:

– E você não tem ideia do apelido do novo pastor!

Reverendo, se você me lê, fique tranquilo, até hoje não revelei para ninguém que não sabia antes. Nosso segredo continua bem guardado, só para quando estamos em família. Mas pode ter certeza de que, quando você chegar lá no Céu, papai vai chamar você de ***.

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