E O NATAL VOLTOU…

É, poderia cantar a música dos estádios, trocando “campeão” por “Natal”. Explico.

Natal sempre foi uma data super hiper especial em nossa família. Enfeitávamos a casa com o maior capricho, sob a supervisão da mamãe. Lembro-me de um ano especial em que eu, com a ajuda da mamãe, recortei em contact um Papai Noel em tamanho real e colei na janela do quarto da Clarice enquanto ela dormia. Nunca acreditamos realmente em Papai Noel, mas gostamos da figura dele. Há até a história da Cristina sentada no colo… bem, essa é melhor deixar pra lá.

Era minha função amassar o panetone. É, até hoje é panetone feito em casa. Eu amava. Tinha que ser na véspera, ou, no máximo, na antevéspera, porque naquele tempo não existia freezer. Que delícia ir socando a massa grudada na mão até que, por um tipo de mágica, ela se soltava!

Sem falar na especialidade maior que mamãe só faz nessa época: a TORTA DE NOZES! A gente espera o ano inteiro por ela.

E os presentes… Árvore lotada! Papai era apaixonado por presentear. Só o vi comprar uma coisa para ele mesmo: uma camiseta furada em um balcão de “pequenos” defeitos em uma malharia em Santa Catarina. Assim como não gostava de comprar nada para ele, amava comprar para nós.

Desde sempre me lembro do ritual: dia 24 à noite, Cantata na igreja. Em seguida Ceia, que contava sempre com pessoas queridas, além da família. Por muitos anos foram Carlão, Jesse e as meninas. Evany e dona Dulce. Juarez. E muitos outros. Era um espalhar de amor. E a alegria do papai era isto: ver a casa dele cheia de gente alegre. Por isso, na nossa casa nunca trocamos os presentes no dia 24. É no dia 25 pela manhã.

No dia 25, papai vestia sua roupa de Papai Biléo, vinha para a sala com as renas, líamos a Bíblia, cantávamos, orávamos e trocávamos os presentes. Estas fotos são da manhã do Natal de 2011, o último celebrado de verdade até hoje.

À noite, para encerrar os trabalhos, castanha portuguesa com vinho. E assim fechávamos com chave de outro nossa celebração predileta.

Em 2012, papai tinha feito a cirurgia no joelho, que estava sangrando. Já era o tendão rompido que motivaria todo o processo que levou à morte dele. Nossa rotina gostosa não foi na sala, foi no quarto. Nossos corações não estavam tão leves quanto nos anos anteriores. Em 2013, de novo tudo no quarto, ele estava com aqueles ferros na perna e a cabeça ruim de tanto tomar remédio. Já não comprou tantos presentes, as famosas caixinhas com joia que dava para as mulheres foram escolhidas por mim. Estávamos em meio ao turbilhão. E não tínhamos a menor ideia do que nos aguardava no Natal de 2014: ele estava na UTI. Fomos à Cantata, mas eu e mamãe saímos no meio, porque houve um horário especial de visita, e queríamos vê-lo. Renata também foi. Tivemos Ceia, na casa do Henrique e da Renata. Não quisemos trocar presentes. Guardamos para quando ele saísse do hospital. Como foi de lá para o Céu, recebemos os presentes no aniversário. E Cristina deu para o tio Bide o presente que ia dar para o papai.

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O Natal passado foi o primeiro sem ele de verdade. E teve um agravante: Henrique estava doente, internado. Parecia meio que um pesadelo. Ninguém sabia o que ele tinha, emagrecia cada vez mais, foi internado no dia do aniversário da mamãe (dia 18) e, no dia 24, parecia que não ia ter alta. Ele já tinha mandado recado avisando que fazia questão de que tivéssemos Ceia e todo o ritual da manhã do dia 25. Estávamos prontos para fazer tudo quando tivemos uma surpresa maravilhosa: ele teve alta na tarde do dia 24!

Praticamos todo o ritual. Contudo, ninguém estava animado para comprar presentes, para festejar. Foi triste. Além da ausência dele, havia decepções profundas e recentes marcando alguns de nós. Sorrimos porque essa é a nossa marca: alegria. No fundo do coração, uma ausência imensa e a grande preocupação com a saúde do Henrique, que acabou sendo re-internado na tarde do dia 25. Não sem antes fazer a brincadeira que inventou há alguns anos e que vem aperfeiçoando: o sacão não do Papai Noel, o sacão do Henrique. Põe lá Um monte de bobagens e alguns presentinhos melhores e vai sorteando e mandando a gente cumprir umas tarefas – passar para a direita, trocar com alguém, devolver um presente e assim por diante. Foi divertido, mas não foi o Natal de sempre.

E, neste ano, o Natal voltou. Estou doida para enfeitar a casa, para comprar presentes, para ficar contemplando meus enfeites que tanto amo. Saudade? Imensa, maior do que o mundo. Quem viveu o praticamente perfeito vai ter saudade para sempre. É outra vida, que é diferente, mas não necessariamente pior. Afinal, quando papai e mamãe faziam todas essas coisas, já tinham perdido os pais deles e se alegravam conosco.

Como disse João Wesley, fundador de nossa igreja: “linha de esplendor sem fim” – vai passando de uma geração a outra, seja na alegria ou na dor.

O PALETÓ

Terno, com gravata ainda por cima, jamais deveria ter sido adotado como vestimenta formal dos homens brasileiros. Aqui faz calor e os coitados encapotados fazendo sauna o dia inteiro. Quando o terno é bonito, e eles se arrumam para festas, aí, sim, concordo que ficam lindésimos, charmosos.

Os ternos, ainda mais com gravata, se tornaram marca de importância, de poder. Não sei se ainda é assim, porém me recordo com clareza da admiração que senti ao ver na televisão a alta cúpula do governo de Israel em uma reunião – todos usando camisa social, sem paletó. Como isso aconteceu no tempo em que amarrávamos cachorro com linguiça, não sei se o costume persiste. Espero que sim.

No Brasil, o terno é marca da posição que o homem ocupa na escala social e política. Até certo ponto, pode usar camisa no trabalho. Depois, só terno. Há alguns que tomam a roupa como sua marca de importância e poder. Exemplo máximo eu vi ontem e ante-ontem em um de meus principais desafetos, Eduardo Cunha.

Penso que ele dorme de paletó e gravata para Cláudia Cruz não se esquecer de que ele detém todo o poder do céu e da terra. Aqueles olhos arregalados dela são por isso: vive em êxtase de pensar que é casada com o ser mais próximo de um deus que se pode imaginar. Pelo menos isso é, segundo minha opinião, o que Eduardo Cunha pensa sobre ele mesmo.

Por que estou tomando meu tempo escrevendo (de novo – escrevi Chapeuzinho e o Lobo) sobre ele? Sei lá, meus posts nascem na minha cabeça à noite, e este nasceu, então vamos lá. O que mais chamou minha atenção na prisão do meliante foi sua roupa. É, a roupa. A notícia foi que o prenderam em casa. Então, ele foi ao seu closet (que já deveria ter sido desocupado há muito tempo, mas ainda está com ele – só mais uma regrazinha à toa que ele desrespeita), pegou um terno, uma camisa impecavelmente passada, uma gravata comprada com dinheiro do trust que não é dele em alguma Hermès da vida, aprontou-se todo e foi pro xilindró.

Fala sério, ir pra cadeia de paletó e gravata? Assistimos, nos últimos tempos, a prisão de muitos ex-poderosos e nenhum deles se preocupou de tal forma com a imagem. O recado para mim e para você é claro: “Continuo poderoso, continuo o manda-chuva, estou entrando no avião da Polícia Federal, mas continuo no comando – sem algemas e de terno e gravata”.

Bem, chegou a Curitiba, passou por todo o procedimento e foi para a cela. No dia seguinte, saiu para fazer o exame de corpo de delito. Com que roupitcha? Ah, sim, o paletó! Gente, o homem é obcecado! Uma noite só na cadeia e já dava para notar umas diferenças: sem gravata e camisa toda amassada. Imagina o sofrimento dele, coitado, aparecer em público de camisa amassada. Bem feito, se tivesse ido de camiseta ela não estaria naquelas condições. O paletó, porém, ainda estava lá. No dia em que ele aparecer sem o dito cujo, aí poderemos dizer que ele começou a entender que o tempo dele acabou.

Hoje, de óculos escuros, para não mostrar os olhos ainda mais arregalados do que de costume, a esposa foi visitá-lo. De terninho preto. Tive que rir. A foto que vi foi tirada na lateral, então não deu para enxergar, mas acho que ela estava de gravata, para consolar o coitadinho.

Me desculpem o tom tão irônico deste post. O desejo de meu coração é que todos os perversos se arrependam, se voltem para Deus e endireitem seus caminhos. Tudo que sei de Eduardo Cunha, desde muito antes de ele se tornar “O” Eduardo Cunha, mostra que, até agora, ele se recusou a tomar essa atitude. Tem maldade no coração. É mau. De verdade. Tem a cara de pau de subir ao púlpito de igrejas e pregar sobre a Bíblia que os atos dele desrespeitam a torto de direito. Dizem que os sermões são maravilhosos. Devem ser, ele fala bem, é inteligentíssimo. Também é violento. Soberbo. Orgulhoso. Ardiloso. Rancoroso. Não descobri isso nas notícias políticas. Na verdade, foi na história de um homem cujo nome eu desconhecia e que só há poucos meses vim a saber que era ele. Quando descobri, falei, estarrecida: “Gente, mas então esse cara é muito pior do que eu pensava!”. Mas o paletó e a gravata, ah, esses são da melhor qualidade, e, pelo menos na cabeça dele, o tornam o homem mais precioso da face da terra.

Gosto das falas do Magno Malta. Mistura textos bíblicos com humor, com músicas, com sabedoria popular. E não me esqueço um de seus discursos em que começou citando Salomão, dizendo que estávamos vendo a verdade contida no provérbio que diz: “A soberba precede a queda”. É, acho que ainda vou ver o Cunha de camiseta… talvez até de sandália havaiana. Isso seria o máximo!

Até esse dia chegar, eu oro por ele. De verdade. Peço que ele entenda a mensagem que insiste em pregar. Que volte o coração para o Deus que ele sempre invocava nas sessões da Câmara. Creio num Deus que perdoa, que “refaz” a pessoa que se arrepende. Espero que isso aconteça com o Cunha e com os muitos outros poderosos que andam fazendo barbaridades por aí.

Se você quiser saber o que Deus pode fazer na vida de uma pessoa assim, pesquise na internet sobre Charles Colson, também conhecido como Chuck Colson. Um dos envolvidos no escândalo Watergate, também foi para a cadeia, mas saiu de lá completamente diferente do que entrou. Não vou contar a história para não estragar a surpresa. Vale a pena. Deus permita que entre os presos atuais no Brasil existam vários Chucks Colson.