82,2 – CONHECE-TE A TI MESMA

Terceira postagem, terceiro peso descendente. Não é sempre que isso acontece. Vai aumentar, com certeza. Às vezes passa uma semana subindo, mas depois volta a cair.
Aprendi a conhecer meu corpo há muitos anos. Por ter sempre controlado o peso, sei “ouvir” o que o corpo fala. Percebo quando não tem condições de se exercitar, coisa que poucas gordinhas sabem fazer. E, aí, vi muitas ficarem pelo caminho.
Acontece assim: certa manhã, chego à academia e lá está uma gordinha nova. Talvez não naquele dia, mas logo eu acabo em uma esteira ao lado da dela. Não sei ficar sem conversar, então imediatamente começo a receber as informações. Com poucas variações, muito raras: ela resolveu emagrecer, então começou a fazer esteira durante uma hora pela manhã, depois malha e, à noite, faz mais exercício em casa. Tem um objetivo: vai se casar, sair de férias ou coisa semelhante. Está em dieta rigorosa. Não falta à academia um dia sequer. Logo está correndo na esteira. Não dura dois meses. Acabou. Cansou, não aguenta mais, some. Algumas eu volto a encontrar nos shoppings da vida, mais gordas do que antes.
Em minha opinião, falta a essas pessoas uma coisa: reconhecer que ninguém emagrece do dia para a noite e que o corpo da gente, em certos dias, ou até em certas semanas inteiras, não suporta se exercitar. Como não fazem isso e se obrigam na hora da empolgação, nunca conseguem descobrir o prazer no exercício e, quando abandonam, as recordações que têm da academia são péssimas.
Sei direitinho a diferença entre preguiça e fraqueza. A primeira eu venço, mas, quando a segunda aparece, simplesmente espero passar. E sempre passa. Nos mais de 15 anos em que pratiquei exercício todos os dias, mantendo o peso sob controle, passava vários dias sem malhar. Sei que, caso não acontecesse a depressão, nunca teria engordado 25 quilos. Quando eu via que tinha subido cinco eu já tomava providências mais sérias.
Jamais vou além dos limites do meu corpo. Claro que me forço a melhorar, mas há dias em que apenas passeio na esteira, sem aumentar a velocidade. Meu corpo não aguenta. Em outros, posso ir aumentando a velocidade, a sensação é boa.
Não sei se todo esse meu raciocínio vale para pessoas magras, cheias de energia e acostumadas a exercícios pesados. Mas, tenho certeza absoluta de que se aplica a gordinhas e gordinhos que não são, e nunca vão ser, atletas e manequins. E eu sei disso, sem me sentir nem um pingo diminuida. Como sempre digo: sou euzinha, nada mais, nada menos.
Ah, e ontem eu comi bombom!!!!

82,4 – A CAIXA DE BOMBONS

Houve tempo em que eu era capaz de devorar meia caixa de bombons Garoto. Só faltava comer a caixa propriamente dita. Mas, o conteúdo, lá ia todo goela abaixo, e depois se aninhava em volta de mim, criando uma generosa camada de gordura.
Luto contra meu peso desde sempre. Nunca fui, nunca serei magra. Tenho pernas grossas, quadris largos. E posso ser bem bonita, se cuidar de mim mesma. O processo, antes da depressão, era sempre o mesmo. Meu peso variava entre 64 e 66kg. Eu relaxava um pouquinho, chegava perto dos 70kg e dava um jeito de emagrecer de novo. Cada ciclo durava 3 ou 4 anos, não tenho muita certeza, mas não era muito rápido, não. Com isso, aprendi a cuidar muito bem da alimentação, a vigiar tudo que como. Após muita briga, deixei de sentir vontade de comer chocolate. Isso é um verdadeiro nirvana: olhar uma vitrine repleta dos melhores chocolates do mundo e não sentir vontade de comer.
Mas não foi sempre assim. Lembro de uma vez, quando estava no Vigilantes do Peso. Sérgio tinha comprado uma caixa de bombons Lacta. Colocou no armário dele, porque se deixasse na cozinha os filhos acabariam com tudo. A caixa foi crescendo. Tomou conta do quarto todo. Eu queria que alguém chegasse para me distrair, mas não adiantava. Só existia a caixa azul cheia de desenhos coloridos. De repente, ela começou a gritar meu nome. Desesperada, peguei e comi TUDO. Isso mesmo. Comi tudo. Não lembro de ter repetido a mesma coisa em outra ocasião. Foi a última vez. Daquele dia em diante, fui esquecendo o chocolate. Só voltei a lembrar dele quando estava em depressão. E foi como alcoólatra com a primeira gota do álcool. Comi o primeiro e não parei mais.
No caminho que iniciei neste ano, venci de novo a vontade de comer chocolate. Ontem, especialmente, fiquei super-feliz. No domingo, Dani foi ao mercado depois do almoço. Flávia pediu para ela comprar shampoo e desodorante, eu pedi shampoo. Sérgio pediu uma caixa de bombons. Ela trouxe da azul, igualzinha à que cresceu. Mas a de domingo não tinha poderes. Eu a abri à noite, restavam 2 Sonhos de Valsa e mais uns 3 ou 4 bombons. Não senti vontade de comer. Ontem à noite, sozinha em casa, pensei:
– Fiz tudo tão certinho hoje, vou comer bombom.
Só que estava vendo Mr. Bean e fazendo tricô. Simplesmente esqueci do chocolate. Estava me divertindo o suficiente. Mais tarde, lembrei de novo dos inimigos à espreita, decidi comer um, mas me distraí de novo e esqueci.
Esse é o tipo de experiência que considero maravilhosa. Não precisei lutar contra a vontade de comer chocolate. Eu perdi a vontade. Não quis. Tinha coisa melhor a fazer. Essa é a vitória que desejo: não ter vontade de comer o que não é bom para mim e querer os alimentos que me fazem bem. A verdadeira mudança é a mudança na vontade. O comportamento ninguém consegue controlar o tempo todo…