81,3 – BUROCRACIA

Estou gostando desse negócio de informar o peso só uma vez por semana. Eu continuo me pesando todos os dias, não consigo perder o costume. Mas a referência é o da quarta-feira. E foi bom num sentido que eu não esperava. Quando eu colocava o peso todos os dias, o que eu comia num dia não tinha influência direta no dia seguinte e, como já escrevi antes, até hoje não sei quanto tempo a comida leva da boca à balança. Mas, sabendo que a quarta-feira virá, com o resultado acumulado de vários dias, tenho mais facilidade para cuidar da alimentação de cada dia.
Ainda não voltei a fazer exercícios. Apesar de já ter mais de um mês da cirurgia, ainda estou com uns pontinhos abertos, e não custa nada esperar um pouco mais. Hoje eu quase fui caminhar. Mas não consegui elaborar a estratégia (eu tenho estr…..). Sérgio fala que minhas rotinas de beleza são muito cheias de burocracia. Não tenho como discordar.
No momento presente, as burocracias são antes ou depois da caminhada? Vou suar muito. E os pontinhos ainda abertos? Ai, quantas dúvidas.
O negócio anda meio complicado. Eu me levanto e vou começar as providências. Abro meu sutiã-armadura que me acompanha 24 horas por dia, e lá vai: nos pontos que o médico deve tirar amanhã, coloco uma compressa de gaze com um óleo (uma maravilha: aparece em quase todas as roupas); nos dois lugares pequenos que estão abertos, mais gaze, com pomada; aí, o clímax: as tiras de silicone em todos os lugares onde cortou (isso é UM SACO!). Bem, agora, trancar a armadura com tudo isso lá dentro, sem sair do lugar. Tenta aí, depois me conta. Acho que o melhor é fazer tudo isso depois da caminhada, depois do banho. Mas ainda estou preocupada com o lugar que levou os três pontos extras. Não custa esperar mais uns dias.
Pensa que acabou, Bloguinho? Nada disso.
De noite, depois do banho, fico livre das tiras de silicone. Maior adianto. Mas, onde elas estavam, passo uma pomadinha. E as gazes são exatamente como de manhã. Não achei que ia dar tanto trabalho.
Pensa que estou reclamando, Bloguinho? Nada disso! Estou achando o máximo! Eu gosto de burocracias para cuidar de mim. Lembra do dia em que te contei do banho poderoso?
Amanhã devo tirar os últimos pontos, e fazer nova sessão de carboxiterapia nas pálpebras. Melhor que isso, só dois isso!
Ah, e ainda não te contei que vou viajar. Não se preocupe, você vai também. Vamos ao Rio. Acredita que vou assistir um jogo entre Guga e Agassi? Estou empolgadíssima!
E tem casamento na sexta-feira. Primeira maquiagem dos meus olhinhos… E vou cortar o cabelo. Quem sabe radicalizo e corto bem curtinho? Não sei. Vou pensar. Depois informo, mas estou mais inclinada em deixar um chanelzinho básico. AMO!!!!! Como é bom pensar em coisas boas…

RECOMPENSAS

Desde que comecei a tentar emagrecer, venho criando estratégias (por acaso já falei que tenho estratégia para quase tudo na vida? kkkkkk) para me incentivar, sendo você, Bloguinho, uma das mais eficientes.
Algumas fracassaram porque surgiram antes que eu estivesse realmente pronta para agir, outras porque jamais funcionaram, em nenhum momento da história, com nenhuma pessoa viva ou morta. Vou contar algumas.
Comprei aquele aparelho do Polishop que fica dando uns choquinhos na barriga. Agora pode rir. Sem maiores comentários.
Como não gosto de bicicleta ergométrica convencional, comprei daquelas de cadeirinha, onde a gente fica sentada. Usei muito, creio que umas dez vezes. Está enfeitando a churrasqueira, com toda sua pompa.
Criei uma tabela no Excel, onde anotava meu peso todos os dias. Anotei durante uns três meses. Até que durou bastante!
Voltei ao Vigilantes do Peso. Paguei seis meses, fui a umas quatro ou cinco reuniões. Acho que não contei aqui, mas já fui instrutora em um programa bem semelhante ao VP. Então, sei de cor aquelas palestras, conheço a dieta melhor do que conheço a palma da minha mão.
Bem, eu sempre soube o óbvio: preciso ingerir menos calorias do que gasto por dia. Não existe outra forma de emagrecer. Mas uma pessoa em depressão, sem forças para viver, quanto mais para pensar em dieta e exercício, não consegue colocar em prática coisa tão simples. Por isso, eu ficava procurando saídas fáceis, ou paleativos, em tentativas frustradas de reverter um processo que me deixava cada dia mais angustiada.
Felizmente chegou o dia em que a depressão se foi, eu me coloquei em pé de novo e comecei a fazer o que funciona. Criei mais uma estratégia (ah, tenho estratégias…). Um presente para mim mesma a cada dois ou três quilos. Nada muito especial, apenas uma recompensa. Meu primeiro pensamento: uma caixa de Ferrero Rocher!!!!! Isso seria muito bom. Emagreço um quilo, como uma caixa de bombom, engordo de novo. Emagreço, outra caixa, e, assim, eu passaria o resto da vida gorda, emagrecendo um quilo e engordando de novo. Mas que recompensa eu poderia me dar? Eu não conseguia descobrir. Sapato? Roupa? Isso eu compro quando estou com vontade, não ia ser especial.
Eu tive uma ideia que foi excelente para mim (não sei se adiantaria com outras pessoas). A cada quilo que emagreço, eu compro alguma coisa que vou usar na academia! Top, calça, camiseta, casaquinho, garrafinha nova, bolsa, etc, etc, etc. Sempre um objeto que vai me lembrar, lá na academia, que a coisa está funcionando. Com isso, a vitória passou a incentivar mais vitória.
Para mim, uma das maiores dificuldades é me manter animada. O processo de emagrecer muitos quilos é longo. Há fases de desânimo. Inclusive, a ideia de que não há um fim pode ser desalentadora. Não há fim porque, quando atingir um peso que me satisfaça, se eu parar de cuidar do corpo, vou engordar de novo. Então, é para a vida toda.
Mas a opção de vitória gerar incentivo para mais vitória é excelente. Depois, eu posso estabelecer recompensas, digamos, mensais, para me manter no peso certo. Taí, Bloguinho, você acabou de me dar uma ideia excelente. Ainda não tinha pensado nisso. Você é o máximo!

Euzinha, no meu peso ideial…