Estou lendo/estudando o livro Lifetales: A Workbook for Writing Your Lifestories, de Karen Y. Hamilton. Ontem, cheguei a uma atividade muito gostosa. Fiz uma lista de minhas coisas favoritas. Depois, escrever um pouco sobre cada uma. Então, lá vai hoje. O livro infantil.
Aprendi a ler com 5 anos. Vovó Evangelina me ensinou, na Cartilha Sodré. Apaixonei-me imediatamente pela leitura.
Hoje, tenho extrema dificuldade para apontar um livro predileto, mas, na infância, houve um imbatível: Reinações de Narizinho. Li e reli. Contei até 12 vezes. Depois, parei de contar, ou perdi a conta, sei lá qual foi.
Muitos, ao citar um livro, dizem que se transportavam ao lugar onde tudo acontecia. Não era o que acontecia comigo, não sei dizer por quê. Talvez porque eu não goste, e nunca tenha gostado, de sítios. Sou totalmente urbana.
Pior do que isso, Narizinho não tem pais, e só sabemos da mãe do Pedrinho, e, mesmo assim, ela nunca está no sítio. Por mais que gostasse das histórias, eu não queria ir para o sítio, e muito menos ficar sem meus pais.
No entanto, eu amava aquelas aventuras. Vivia com o livro, até que mamãe achou necessário me proibir de ler antes do almoço. Eu era obrigada a me levantar um pouco, a ir brincar embaixo do bloco. Sábia decisão, porque se ela não fizesse isso eu passaria o tempo todo lendo.
Algumas coisas eu queria ter: o vestido que a aranha fez para o casamento da Narizinho com o Príncipe Escamado, os bolinhos da tia Nastácia, a companhia do Pedrinho e do Visconde. Outras, não: minhas avós eram mais legais do que a Dona Benta, não queria que minhas bonecas fossem petulantes como a Emília, não queria, de jeito nenhum, morar em um sítio, e preferia ler as aventuras do que vivê-las.
Só fui para a escola quando já tinha 7 anos. Lia perfeitamente, mas vovó não pensou em me ensinar “aritmética”, de modo que eu não podia ir para o 2o. ano. Fui para uma sala de repetentes do 2o. ano, chamada, eufemisticamente, de 2o. ano preliminar. Não esqueço da chatura que era esperar os colegas fazerem as leituras em voz alta, gaguejando. A professora, muito esperta, percebeu e me autorizou a levar meu próprio livro. Então, lá ia Narizinho comigo para a escola. Enquanto os outros liam a cartilha, eu lia Monteiro Lobato.
Infelizmente, em um daqueles lapsos imperdoáveis, nossa coleção Monteiro Lobato se foi. Ninguém sabe para onde, mas sumiu. As capas tinham os desenhos dos personagens, as ilustrações eram lindas… Um dia vou comprar outra em algum sebo da vida, nem que seja só para segurar. Eu lembro da sensação gostosa daquele livro de capa colorida na minha mão. Não há outro igual.
E, um dia, vou encontrar tempo para reler não só Reinações, mas todos os outros livros infantis de Monteiro Lobato.
Eu “tava” pensando…
AINDA LÁGRIMAS – Um agradecimento ao Valter Júnior
Gosto de escrever textos alegres, cheios de humor. Desde sábado, porém, estou mais para lágrimas do que para riso. Vai melhorar, claro, mas ainda está muito recente. Vou vivendo o luto, como se diz…
No domingo, enquanto derramava minhas lágrimas, senti meu espírito tão vazio… Não estava longe de Deus, mas sem saber expressar para ele o que se passava em meu coração.
É interessante isso. Em determinados momentos de tristeza intensa, parece que não conseguimos falar com Deus. Pelo menos, acontece comigo. Eu não estava revoltada contra ele. Não se tratava de uma briga entre nós. Eu sabia que nossa amada precisava do descanso. Era mais como o silêncio que mantemos perto de um amigo que nos entende.
Ontem de manhã, entrei no Facebook e encontrei o seguinte recado no post em que falei que estava sofrendo pela morte da dona Ábia:
Valter Junior Melo Enquanto choramos nossa alma está orando e assim dizendo a Deus o que estamos sentindo. Deus vai recolhendo nossas lágrimas enquanto enxuga as Dele. Sofremos, mas não sem esperança, pois a gente se encontra novamente em breve. Cristo nos assegurou isso. Deus nos ajude a prosseguir por amor aos que estão conosco e por amor a Ele. Volta logo Senhor! Fraterno abraço.
Isso falou tudo. Valter sempre tem uma palavra sábia através do Facebook, que usa com maestria para abençoar a gente.
O pensamento de que Deus chorava junto conosco, por causa do que estávamos sofrendo, traz uma compreensão do motivo pelo qual eu não falava nada: não havia necessidade. Deus sofre comigo. Conosco. Com todos e com cada um.
Há um texto na Bíblia que afirma que Deus recolhe nossas lágrimas. Ele as vê. Conhece cada uma delas. Acompanha enquanto elas caem.
O sofrimento humano é uma das grandes questões que se colocam entre nós e Deus. Muitos questionam a própria existência da dor, já que Deus afirma ser amor. Não vou entrar em debates teológicos. Mas posso dizer que tenho experimentado, no meio de cada dor, a presença de Deus me consolando e, depois da curta palavra do Valter, entendi que tenho experimentado, também, a empatia Dele em meu sofrimento.
Pensamento poderoso, esse!