SOBRINHOS – MEU RAPAZ

Meus pais só têm dois netos do sexo masculino: Serginho e Marcos. A diferença de idade entre os dois é de mais de 20 anos. Nossa família Moraes Ziller esperava ansiosa a chegada de um menino. E Deus nos deu esse presente maravilhoso.
Durante bastante tempo, ele foi “meu bebê”. Um dia, comentei que ele entraria na universidade e eu ainda o chamaria assim. Comecei a notar que ele não estava gostando muito. Perguntei se preferia “meu bebê” ou “meu rapaz”. Claro que mudou para a segunda opção.
Marcos é inteligentíssimo. Sempre que se interessa por alguma coisa, explora a fundo, até que esgota o tema e passa adiante. A lista é grande: carros, aviões, bateria, guitarra, futebol, mercados, portões automáticos, Nova York, trens, as músicas e a dança de Michael Jackson, e por aí vai. Atualmente, retomou os aviões, que haviam ficado esquecidos durante algum tempo.
Ainda bebezinho, sem saber falar, nós tínhamos, toda sexta-feira, o momento de “conversar”. Ele falava aquelas coisas de bebê, dava risadinhas, parecia estar me contando suas aventuras da semana. Isso virou um costume. Ele foi aprendendo a falar e começou a realmente contar o que havia acontecido. Hoje não conversa tanto, mas tem dias em que me chama no canto e nosso papo vai longe. Há vários segredos que me contou, e que não posso revelar de jeito nenhum. E não conto mesmo.
Meu rapaz sabe curtir a vida. Quando está tocando bateria, parece um adulto, domina o que está fazendo. Mas, na hora de ser criança, é criança com vontade. Brinca, ri, chora, faz o que toda criança faz.
Uma coisa engraçada é o tamanho dele. Eu digo que parece crescer uns 5cm por semana. A gente olha para aquele menino grande e esquece que ele nao tem a idade que aparenta. O importante é que ele não esquece, não tenta se comportar como menino acima da idade dele.
Uma das coisas que mais me dá alegria é dar um abraço bem apertado nele, porque sei que ele gosta de abraços. 
Essa foto mostra um lado maravilhoso do Marcos: o carinho com a família, em especial com o avô e a avó. Foi tirada em Florianópolis, no início deste ano. Meu pai levou um tombo. Machucou-se, foi para o hospital, precisou enfaixar o joelho. Meu rapaz ficou preocupadíssimo. Depois que o vovô chegou de volta ao hotel e já estava acomodado em sua cama, alguém bateu à porta. Ela o rapaz, tinha ido visitar. Conversou, contou caso, fez carinho. Vovó bateu a foto, que revela toda a bondade e amor que residem no coração desse grandão pequenininho.
Que ele continue sempre com coração de criança, como Jesus quer!

SOBRINHOS – PIRULITO

Como ninguém é perfeito, Pirulito é flamenguista. Mas apesar dessa grave deficiência, é um cara muito especial.
Felipe é super inteligente. Sabe conversar sobre qualquer assunto, e tem uma característica de gente de bem com a vida: sabe rir dele mesmo.
Uma vez, nós dois resolvemos fazer uma greve. No Villa, restaurante do pai dele e do Sérgio, vendiam sorvete Hagen-dazz (nunca sei como escreve isso, e estou com preguiça de procurar). Eu e Felipe sempre tomávamos o sorvete depois do almoço. Um dia, ficamos sabendo que eles não queriam vender mais. Combinamos uma greve, com manifestação, cartazes e tudo mais, que seria realizada no domingo seguinte. Ouvimos uma explicação lógica, mas que não nos agradou:
– Só duas pessoas pedem o sorvete. E essas duas não pagam.
Bem, nosso movimento nem precisou sair dos planos. Só com a ameaça conseguimos manter o sorvete no restaurante. Acho que outros fatores também contribuíram, mas preferimos pensar que foi nossa greve.
Felipe passou por uma grande tristeza ainda muito pequeno: perdeu o avô. Sônia, mãe dele, soube lidar tão bem com a situação, que ele, apesar de até hoje, 7 anos depois, ainda sentir saudade do avô, não ter ficado com marcas emocionais. Na verdade, há gente que se assusta, porque ele gosta de brincar com morte. Os bonequinhos dele morrem, ele faz enterro. Como se diz em psicologia, ressignifica a experiência dolorosa.
Pirulito está sempre rindo. Galanteador, joga charme para a Flavinha, namorada do Serginho. Mas tem que ser escondido, para não levar bronca do primo. Ele já sabe como fazer para não chamar a atenção e passar seus galanteios.
Ele gosta muito de futebol, mas tem dois problemas. O primeiro, já falei: flamenguista. O outro, joga no gol. Eu falo com ele que qualquer outra posição é melhor, mas ele gosta mesmo é de ser goleiro. Não adianta discutir.
O cachorrinho do Pirulito é um caso à parte. Nunca vi cachorro tão pequeno. E ele anda meio dobrado, é todo doido. É filho da cachorrinha da Popó. Nasceu fraquinho, mas o Felipe quis cuidar dele mesmo assim. Chama Luigi, e dá para ver que é um cachorrinho feliz.
Aliás, feliz é a família em que Luigi se insere. Sônia, Dino e Felipe formam um trio animado. Estão sempre se divertindo, fazendo programas legais, conversando. Por isso, Pirulito vai crescendo um menino equilibrado, pé no chão, um menino alegre e, ao mesmo tempo, ciente de que precisa se esforçar para superar os obstáculos desta vida.
Quanto a mim, posso me divertir nos momentos em que consigo uma brecha para bater um bom papo com ele…