31) A VINGANÇA

Ando relapsa nas minhas 50 histórias dos 50 anos da Igreja Metodista da Asa Sul. O fato é que as de mais destaque já foram contadas, e tenho que ficar buscando na memória as que estão dormindo, esquecidas num canto. Além disso, passada a empolgação inicial da empreitada que inventei, já não fico pensando tanto no tema. Outras coisas acabam tomando minha atenção.

Mas eu me lembrei de um “causo” engraçado ontem. Envolve minha mãe e uma de suas amigas, a quem chamarei de Dona X. Como não pedi a ela autorização para citar o nome, vai com a incógnita da matemática. Para os mais antigos em nossa igreja, não será difícil identificá-la, mas eu não quero correr o risco de um processo judicial. (Risadas da plateia.)

Bem, o fato é que, no início da década de 70, minha mãe e Dona X estavam com a família completa. Pensavam elas. Mamãe tinha 3 filhos, Dona X, 4. As crianças todas mais ou menos da mesma idade, eu um pouco mais velha do que a primeira da Dona X.

Certo domingo, Dona X chegou à igreja nervosa. Estava grávida. Abriu o coração com minha mãe:

– Eu não queria mais um bebê! Agora que estavam todos crescendo, começar tudo de novo… (E assim por diante. Quem já passou por situação semelhante, ou viu alguém passar, pode deduzir o que ela falou.)

Na verdade, quem me contou a história foi Dona X. Em meio a muitas risadas. Mas, naquele dia, ela não estava rindo. Minha mãe foi consolar:

– Que isso, X, não fica assim! Um filho é sempre uma bênção de Deus!

Dona X me falou que quis enforcar minha mãe, mas se conteve. Como costuma acontecer, em poucos dias ela já estava apaixonada pelo novo bebê, e agradecendo a Deus pela bênção que, a princípio, não tinha sido de seu agrado. Já estava toda contente com sua barriguinha quando, certo domingo, minha mãe chegou à igreja nervosa. Estava grávida. E abriu o coração com Dona X:

– Eu não queria mais um bebê! Agora que estavam todos crescendo, começar tudo de novo…

Dona X me disse que sentiu uma satisfação profunda em dizer, em tom irônico, do alto de sua sabedoria:

– Que isso, Ângela, não fica assim! Um filho é sempre uma bênção de Deus!

É verdade. Os dois bebês que deixaram suas mães tão assustadas na hora em que apareceram são bênçãos imensas nas duas famílias que tiveram o privilégio de recebê-los.

Mas que Dona X lavou a alma naquela manhã em que se vingou, lá isso ela lavou! Pode perguntar pra ela. Foi ela mesma que me contou.

30) ONTEM E HOJE

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Pena que só tenho as fotos do hoje.

Não há registro de quantas vezes fomos para a rua, antes que existissem sistemas de som portáteis, para realizar cultos ao ar livre. Aconteciam nos domingos à tarde, com participação ativa de nossa pequena comunidade. Como acontecia nos anos 60, homens pregavam, mulheres ouviam, crianças e adolescentes distribuíam folhetos.

Como falei no post de ontem, sobre EBF, não sabemos para onde foram as sementes lançadas naquelas tardes de domingo em que pregávamos as boas novas e distribuíamos folhetos nas ruas de Brasília.

Na verdade, tanto nos cultos ao ar livre do passado quanto nos eventos recentes, não cabe a nós saber onde e quando as sementes irão germinar. A tarefa do semeador é… semear!

Os cultos ao ar livre era muito diferentes do que acontece hoje. Íamos todos de “roupa de domingo”. Os homens de terno. Mulheres e crianças caprichavam no visual. Naquele tempo, éramos minoria mesmo, e muitos rejeitavam nossa aproximação.

Hoje, apesar de praticamente todos estarem abertos a uma conversa, digamos assim, “espiritual”, há muito engano, sendo o maior, a meu ver, que todas as religiões levam a Deus.

Nenhuma religião, nenhuma igreja leva a Deus. Apenas Jesus. E era isso que pregávamos nos cultos de ontem. Felizmente, é isso que continuamos pregando nos dias atuais.