HILÁRIO (7) – Iolanda

Não conheço a Iolanda. Nunca a vi, não sei se é loura ou morena, gorda ou magra, alta ou baixa. Não tenho nada contra ela. Nem a favor, mas ela me proporciona, até hoje, lembranças muito agradáveis.
Antes de contar a história da Iolanda, preciso tratar um pouco de como funciona nossa igreja, a Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília, claro.
Há um grupo que faz parte dela praticamente desde a fundação, logo que Brasília foi inaugurada. Minha família faz parte dessa turma. Outros foram chegando um pouco depois e se integraram à “galera” inicial. Com o passar do tempo, famílias moraram algum tempo em Brasília, e fizeram parte da igreja enquanto ficaram aqui. Mas há umas pessoas interessantes: aparecem ninguém sabe de onde, como um vendaval. Participam de tudo, fazem o maior reboliço e, de repente, assim como surgiram, desaparecem.
Bem, o caso de hoje tem a ver com uma dessas famílias. Não me lembro o nome deles, recordo apenas uns apelidos nada cristãos que os adolescentes lhes atribuíram, e que não vou revelar aqui. Eles eram muito peculiares.
Na década de 80, quando eles passaram por nossa comunidade, uma das coisas mais bregas que existia era festa de 15 anos. Felizmente elas foram resgatadas, porque hoje cada uma é mais legal do que a outra. Mas, naquele tempo… ninguém fazia festança. Mas a filha completou 15 anos e foi como um casamento. Convidaram a igreja inteira, convite impresso e tudo! Sérgio logo declarou que não ia. O Amílcar também. Eles perderam, porque foi uma coisa folclórica, que ninguém que presenciou esquece.
Sem os maridos, eu e Zenaide sentamos no último banco do templo (sim, teve culto, ela entrou na igreja como noiva DUAS vezes – uma de maria-chiquinha, a outra vestida de moça). Claro que cochichamos e rimos o tempo todo, como, aliás, quase todos os outros presentes. Sei, sei, reconheço: nada cristão. Sorry, não somos perfeitos.
Na verdade, eu nunca tinha conversado com nenhum dos membros da família, acho que eles nem sabiam quem eu era. Zenaide os conhecia melhor, por causa de uma atividade que faziam juntos na igreja.
Quando acabou o culto, houve fila de cumprimentos. Sim, igual de casamento. Eu e Zenaide entramos na fila, e logo percebemos que a mãe e a filha não davam a mínima atenção para as pessoas que estavam cumprimentando. O tempo todo perguntavam uma para a outra:
– Você já viu a Iolanda?
– A Iolanda veio?
Os únicos momentos em que davam atenção aos convidados era quando percebiam que eles conheciam a Iolanda e repetiam as mesmas perguntas para eles. Foi chegando nossa vez. Não comentamos nada, mas, conversando depois, descobrimos que estávamos as duas intrigadas com a tal Iolanda.
De repente, éramos nós. As duas, paradinhas lado a lado, chiquérrimas, esperando para dar um abraço na aniversariante. Eu, constrangida, porque as duas não me conheciam. Mas elas olharam para nós, abriram o maior sorriso, e avançaram, com os braços abertos, prontas para dar um abração. Eu pensei:
– Nossa, não sabia que elas gostavam tanto da Zenaide…
Sorrimos, meio sem jeito. As duas passaram direto por nós, exclamando:
– I-O-LAN-DA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pensa em nós duas estateladas no meio do caminho, sem saber o que fazer, com a festa acontecendo às nossas costas. Zenaide, muito circunspecta, comentou:
– Essa Iolanda deve ser alguém MUITO importante.
E eu:
– Ao contrário de nós duas.
Caímos na gargalhada e fomos comer salgadinho na festa. Acho que as duas não sentiram falta de nossos cumprimentos…

3 comentários sobre “HILÁRIO (7) – Iolanda

  1. Não acredito que você não teve nenhuma curiosidade pra ver a tal Iolanda!Na verdade fiquei um pouco sem entender e até um pouco frustrada,mas ri muito ao imaginar todo esse exagero pra uma festa de 15 anos!Haja imaginação…Abraço,Natalie

  2. Engraçado como sempre… Já estava sentindo falta de rir assim… Agora porque você não ficou pra ver a Iolanda?? Pela descrição devia ser a peça central da festa, além de a mais exagerada!!!Kkkkkkk

  3. A gente ficou na festa. Na hora em que as duas foram abraçar a Iolanda, a gente ia dar muito vexame se fosse até lá, porque ria demais. Depois, ficamos com nossos amigos e parentes, rindo a valer, e esquecemos da estrela principal da festa. Acho que foi uma certa dor de cotovelo… KKKKK

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