HILÁRIO (3) – O homem-fumaça

Muitos falam comigo sobre meu blog, me incentivam a escrever, dizem que se divertem (destaque especial para Rossana e Cláudio nesse ponto – obrigada, viu?). Mas o fato é que quem mais se diverte sou eu. Comentei outro dia com a psicóloga sobre o efeito terapêutico que a escrita exerce sobre minha digna pessoa. Portanto, como ontem aconteceu uma coisa que me deixou bastante preocupada, preciso caprichar no hilário de hoje. E, no meio da situação que vou contar, eu pensei que ia desmaiar de tanto rir. Fui perdendo o ar, e não conseguia mais respirar. Ai, como sofri!
Receita para o desastre: pegue a família Finrinfinfim no Centro-Oeste e leve para uma estação de esqui na Califórnia. Não esqueça o bom-humor, porque você vai precisar, com certeza.

Bem, a Amanda em seu primeiro contato com a neve não tem nada a ver com a história, mas é lindinha demais, não resisti e coloquei a foto.
Vamos à história. Chegamos a Lake Tahoe no início da tarde. Claro que a galera correu para brincar na neve. Adultos e crianças. Euzinha, não! Gosto de neve na foto, nos filmes, ou pela janela do quarto ou do carro aquecido. Mas lá foi a tchurma brincar.

Ao fundo, nas fotos, dá para ver o hotel. Térreo. Um corredor aberto, as portas e janelas dos quartos viradas para o lado onde estava todo mundo. No meio dessa neve toda, uma maravilha: uma jacuzzi soltando fumaça! Da jacuzzi também dava para ver todo o corredor e todas as portas dos apartamentos. Esse é um ponto importantíssimo no desenrolar do drama futuro.
Resolvemos ir para a piscina. Já que ela era bem quente, até eu e a Cristina deixamos o quarto quentinho e fomos. Nem sei quanto tempo ficamos lá, cozinhando. Essas piscinas parecem um canecão de sopa de gente fumegando:

Serginho, Flávia e Daniela

Sérgio, eu, Cristina e Joel

Cristina e Joel foram os últimos a chegar. Muito organizadinhos, deixaram a roupa dobradinha em uma cadeira, para vestir na hora de voltar para o quarto. Ficamos lá bastante tempo, até que Joel cismou que a água quente combinada com o frio ambiente ia fazer mal para ele. Decidiu voltar para o quarto. Foi o primeiro, então, nosso cobaia.
Quando ele saiu da piscina, já começou a gritar de frio. E saía fumaça dele inteiro! O Joel é muito grande, então saía MUITA fumaça. Eu nunca tinha visto uma pessoa-chaminé! Bem, ele pegou a calça para vestir. E começou a gritar mais e a pular. Como tem a voz grave, os gritos do Joel são meio guturais, semelhantes aos do abominável homem das neves. Ninguém entendia o que estava acontecendo, e ele não explicava. Só gritava. E pulava. Tentou vestir uma perna, tirou, tentou a outra, tirou de novo. Pulando e gritando o tempo todo. Dá para imaginar o que a turma dentro da piscina fazia.
Desistiu da calça, pegou o casaco. Mesma coisa. Um braço, outro braço. Pula, pula. Grita, grita. Fumaça, fumaça. No meio da barulhada, conseguimos concluir o óbvio: se você deixa a roupa exposta a uma temperatura vários graus abaixo de zero, ela também fica… abaixo de zero. A roupa estava geladíssima. O piso também, por isso ele pulava tanto. Como ele estava com o corpo muito quente, doía tudo por causa do gelo.
Depois de muita confusão com roupa e toalha, ele achou melhor ir para o quarto. Agarrou tudo, meio abaixadinho, e saiu correndo pela neve. Soltando fumaça. Só que o quarto dele era um dos últimos. Então, da piscina, a gente via aquele ser abaixado, fumaçando, agarradinho nas roupas dele, quicando por todo o corredor. De repente, a Cristina riu mais alto e conseguiu dizer:
– Ele esqueceu a chave!
Foi nessa hora que eu achei que ia desmaiar. Não conseguia mais respirar e fui ficando mole. E ele chegou e ficou pulando abaixadinho na porta do quarto, mas não entrava. E a fumaça subindo aos céus. Felizmente para ele, tinha levado a chave. Só que tremia tanto de frio que não conseguia enfiar o cartão na abertura da fechadura.
Tudo está bem quando acaba bem. Ele conseguiu entrar, se aqueceu, não ficou gripado. Mas a verdade é que goianos e mineiros se saem muito melhor em outro tipo de ambiente:

HILÁRIO (2) – Santa Ceia

Examinando o conteúdo de meu blog, cheguei à conclusão de que falta um cenário mais solene. Vamos, portanto, a um domingo de Santa Ceia na Igreja Metodista da Asa Sul.

Procurei uma foto que mostrasse o templo todo, mas, por incrível que pareça, não tenho. Domingo que vem eu tiro! Mas essa aí serve aos propósitos, já que os fatos narrados ocorreram nessa plataforma. Dá para ver que, atrás dos cantores ha uma mesa, que é onde ficam o pão e o vinho (que chamamos os elementos) para a Santa Ceia. Nos bancos azuis bem ao fundo, o Coral. O templo é grande, a entrada é bem ampla.
Pastor Euler tem um zelo extremo pela celebração da Ceia. Na Igreja Metodista, as pessoas vão até o altar para pegar os elementos. Quando não há muita gente, todo o ritual é feito com as pessoas ajoelhadas no altar. Mas, com um grupo grande, isso fica inviável. Assim, no domingo de manhã, pastor Euler convidava três casais para o ajudarem a servir os elementos. Ficavam um à esquerda da plataforma da foto, outro à direita e o terceiro atravessava todo o templo e se colocava à porta dos fundos, para servir as pessoas sentadas mais atrás.
Certo domingo, fomos convidados eu e Sérgio, Nucha e Maurício e Célia e Jezreel.
Abrindo parênteses, preciso informar uma característica que eu e Nucha compartilhamos e, para isso, vou contar outro fato, ocorrido anos antes dessa noite de Santa Ceia. Estávamos em um jantar. Eu e Nucha sentadas juntas, e mamãe na mesma mesa. De repente, uma mulher levou o maior tombo, bem na nossa frente. Observei meu prato, como se ele fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Nucha fez o mesmo. O marido da mulher, todo sem jeito, puxava a mão da coitada e dizia para ela levantar e ela:
– Mas tá doendo!
Eu e Nucha firmes, olhando os pratos. Mamãe não aguentou e soltou:
– Cláudia tem um probleminha…
Eu e a Nucha explodimos na gargalhada, as lágrimas escorriam pelo rosto, manchando a maquiagem. O probleminha é que não posso ver ninguém cair, eu rio de chorar. E o mesmo acontece com a Nucha. Não é só cair. Qualquer “mal feito” nos faz cair na gargalhada.
Bem, voltemos à noite solene. Pastor Euler, com sua toga toda bordada, nós, mulheres, chiques no úrrrrtimo. Sérgio, que canta no coral, estava com a beca. Ficamos todos por trás da mesa, de frente para a congregação, com o coral às nossas costas. Tudo muito bonito. Pastor Euler seguiu todo o ritual, e chegou à parte em que primeiro tomam a Ceia os que vão servir. Então, entregou o pãozinho e o suquinho para a gente e falou:
– Comamos e bebamos, etc, etc.
Imediatamente, Sérgio… engasgou com aquela quantidade mínima de suco e pão. Mas engasgou feio. E tentava não tossir. Eu tive um ataque de riso, como poucos em minha vida. Nucha, do outro lado dele, não ajudava em nada, também se dobrando de rir. O pessoal do coral, atrás do Sérgio, batia nas costas dele, oferecia água, e o coitado a tossir, se sacudindo todo. E eu e a Nucha nos sacudíamos de rir.
Durante todo esse tempo, a congregação estava em pé, olhando para nós. Eu olhava para o chão, tentando me controlar. Quando achava que tinha conseguido, via os amigos olhando para nós e rindo também, e caía na gargalhada de novo. Pastor Euler, Célia e Jezreel, do outro lado, não entendiam o que estava acontecendo com as doidas que não paravam de rir. E o pastor teve a péssima ideia de mandar que eu e Sérgio fôssemos para a entrada da igreja. Atravessei todo o corredor sacudindo o pãozinho, de tanto que ria, enquanto o Sérgio ainda tossia. Só identificava no meio daquele mar de gente os meus amigos, rindo da minha cara. Lembro bem da Sílvia, sacudindo a cabeça e dizendo que eu não tenho jeito mesmo.
A fila para servirmos era imensa. Parecia de cumprimentos depois do casamento. Cada vez que o Sérgio tossia, ou que um dos amigos mais chegados se aproximava, eu caía na gargalhada de novo.
De alguma forma, conseguimos terminar o ritual. Saí do templo quase correndo, e ri até perder as forças. Quando chegamos em casa, meia hora depois, Sérgio ainda estava tossindo do engasgo. Explicamos ao pastor o que tinha acontecido, mas, não entendo por quê, ele nunca mais nos chamou para ajudá-lo na Ceia…