HILÁRIO!!!! (1) – Facilitando as coisas para o papai

Nem precisei sortear o papelzinho. O de ontem me deu ideia para vários posts. Alterando um pouco as palavras do renomado filósofo Zagalo, vocês vão ter que me aguentar (engolir é meio forte, já que preciso conquistar leitores, não afastá-los, né?).
Bem, resolvi contar os momentos mais engraçados de que me lembro, aqueles em que quase fiz xixi na calça de tanto rir. Então vamos lá.
Estávamos na Disneyland. Não sei se já deu para notar, mas somos Disneymaníacos, então, como estávamos na Califórnia, era vital irmos à Disneyland. Nosso hotel tinha transporte para o parque. Como papai não gosta de acordar cedo (no que puxei a ele, claro), eu, mamãe e ele ficamos para ir mais tarde. Pegamos o ônibus e, ao chegar, ele precisou caminhar uma boa distância até o local em que alugamos a cadeira motorizada. Foi até preciso parar no caminho para ele sentar um pouco.

Cadeira alugada, “divertição” o dia inteiro.

Piratas do Caribe! Esse aí é o Jack Sparrow.

Claro que ficamos até o parque fechar. Sempre é assim. Papai e mamãe têm mais pique do que gente com metade da idade deles. Quando saímos, o parque já estava bem deserto. A entrada da Disneyland é bem grande. Falei, do alto de meu vasto conhecimento:
– Pai, para o senhor andar menos, vai com a cadeira até a ponta lá da esquerda (o lugar por onde chegamos). Vocês sentam no banquinho que tem lá e eu volto para devolver a cadeira.
Assim fizemos. Eu, papai, mamãe, Cristina e Amanda. Voltei com o scooter e, enquanto isso, eles descobriram que, para ir embora, a gente tinha que pegar o trenzinho na outra extremidade. Ou seja, para evitar que ele andasse, eu o fiz andar MUITO mais.
Cristina resolveu verificar se o carro estava perto, porque ela tinha chegado bem cedo, e estacionado bem na entrada. Sem se dar conta, ela passou de uma corda, mas tinha se afastado de nós apenas um 5 ou 10m. Ia voltando, quando foi barrada por uma funcionária. Vou legendar a conversa:
– Você não pode entrar por aqui.
– Mas eu só passei para ver se meu carro está aqui. Você me viu.
– Aqui não é entrada.
– Mas eu estou com eles. Olha eles ali, no banco.
– Para entrar, você tem que revistar a bolsa.
– Então revista.
– Eu não tenho autorização para revistar bolsas.
– O que eu faço?
– Vai lá na revista de bolsas.
Lá foi a coitada, e nós rindo a valer. Mas o melhor estava por vir. Era verão, mas eu nunca passei tanto frio quanto naquele verão na Califórnia (tenho uma foto do termômetro da van marcando 12 graus). Sonhava com meus casacos, quase todos pendurados nos cabides, em minha casinha. Cristina foi pela inspeção de bolsas e começamos nossa jornada rumo ao trenzinho que nos levaria ao estacionamento.
Pobre do papai! Mancando, com a maior dificuldade, e a gente rolando de rir. Ele também ria, não pensem que estávamos “mangando” do coitado. A situação era realmente cômica.
Quando avistamos as filas do trenzinho, não podíamos acreditar. Parecia metrô em horário de pico. Tinha um parado, cheio. Depois, as pessoas à nossa frente lotaram outro. Ficamos para o terceiro.
Acredito que por ter o cérebro congelado pelo frio que sentíamos, Amanda começou a falar tudo em espanhol. Um pequeno detalhe: ela não fala espanhol. E lá ia ela:
– Mantengan-se alejados de las puertas! Mantengam los braços e las piernas dientro de lo trem.
A gente ria dela e do frio. Do papai mancando, da mamãe agoniada, da mulher que não sabia inspecionar bolsa e de tudo mais. As pessoas em volta, certamente achando que somos doidos, olhavam espantados para a gente. Mas o clímax estava por vir.
Finalmente, depois do que pareceu meia hora (deve ter sido uns 10 minutos, no máximo), nosso trenzinho chegou. Mamãe entrou, papai em seguida. Depois, nós três, não lembro em que ordem. Burrice total. Papai deveria ter sido o último. O caso é que os bancos são muito juntos, e papai não conseguia dobrar os joelhos, porque tinha ficado muito tempo em pé. Aí, ele engastalhou no meio do caminho. Ficou meio sentado e meio em pé. O homem do trenzinho mandava todo mundo sentar para a gente poder ir embora, mas papai não conseguia. E nós quatro (e ele também), ríamos de chorar:
– Nunca mais a gente vai sair daqui! Ele não senta e o trem não anda com ele em pé!
E Amanda falava, em espanhol, para ele sentar.
Como estou aqui, digitando, e não dentro do trem da Disneyland, dá para sacar que, em algum momento, ele caiu sentado. Enfim, rumo ao estacionamento!
Em Orlando, o trenzinho tem várias paradas, sempre bem perto do carro da gente, de modo que, quando parou longe, ficamos sentados, esperando a parada seguinte. Surpresa! Era a única parada!
Como já estávamos no embalo, continuamos rindo. A Amanda, em espanhol, claro. De repente, a gargalhada da Cristina ficou mais intensa. Quando conseguiu falar, informou:
– Como eu cheguei bem cedo, estacionei o carro lá na outra ponta, bem perto da entrada!
Ou seja, estava bem pertinho do lugar em que deixei o papai para devolver a cadeira. Ela foi magnânima. Enquanto ficamos parados, tiritando de frio, ela correu, pegou o carro e nos buscou. Enfim, sãos e salvos. E com o aquecimento do carro ligado!
Quando finalmente conseguimos voltar ao hotel, encontramos Clarice preocupadíssima, sem saber o que tinha acontecido conosco. Amanda explicou tudo, em espanhol, claro.
Informo, com alegria, que o cérebro dela já descongelou e ela voltou a falar português.

Placa na entrada da Disneyland. É muito bom fazer isso de vez em quando. Ou, no nosso caso, de vez em sempre.

QUE TRAGÉDIA!!!!!!

Como ficou bem claro nos últimos posts, tenho esquemas para todas as coisas. Alguns chamam de manias, mas esse termo é meio depreciativo. Então, vamos chamar de esquema.
Quando eu decido investir meu tempo e esforço em alguma nova empreitada, meu esquema parte de um ponto muito positivo: vou estudar o assunto. Claro, compro todos os livros que posso, faço todos os cursos que possam vir a me ajudar e assim por diante. Como diz minha sábia amiga Lenira, para mim tudo vira coleção. Evidente: sou obsessiva!
Sempre gostei de escrever. Aprendi muito cedo, e me encontrei nessa atividade. Óbvio, sozinha e pensando. Tudo a ver comigo.
O que meus amados leitores leram até aqui não tem nada a ver com a tragédia. O caso é que, em um dos livros que estudei para saber como manter este blog, havia no final uma lista de temas, para aqueles dias em que nada vem à mente para registrar aqui. E hoje é um desses dias.
Meu esquema com os prompts (é assim que o livro chama os temas) foi anotar cada um em um papelzinho e colocar em uma gavetinha do meu arquivinho Betty Boop. Eu pego um e sou obrigada a escrever sobre o que vier.
Hoje, quase desisti. Faltou pouco. Cheguei a devolver o papelzinho e pegar outro. Mas perguntei a mim mesma:
– Você é uma mulher ou um saco de batata? Descobre um jeito de escrever sobre isso.
O caso é que o papelzinho mandava escrever sobre minha experiência mais triste. E eu não quero. De jeito nenhum. Prefiro o blog leve, com textos alegres, que façam rir. Pensando assim, resolvi contar o fato mais triste, se olharmos a vida pelo ângulo cômico.
Ah, assim eu gosto. E ficou fácil escolher: minha tragédia foi, em meio à depressão, engordar 25kg em pouco mais de um ano!!!!!!
No início, a depressão foi muito boazinha comigo nessa área. Emagreci, fiquei uma sílfide. Ganhava elogios que me faziam até melhorar. Depois, a maRvada me levou a engordar. Eu via o ponteiro da balança disparando e não tinha forças para fazer absolutamente nada a respeito.
Cabe ressaltar que eu pesava 62kg ao me casar. Mais de vinte anos depois, com duas gestações (uma de gêmeas!), meu peso variava entre 64 e 66kg. Era uma luta, mas eu conseguia. Malhação e dieta muito controlada. Passava meses sem comer chocolate!
De repente, tudo por água abaixo. As roupas começaram a encolher. Aliás, tudo encolheu, da cadeira do escritório à poltrona do avião. Coisa terrível. Parecia que eu tinha virado uma espécie de Gulliver.
Gordinhos, vou dizer uma coisa: é muito desconfortável ser gordo! Como cheguei a pesar 89,9kg (Deus foi muito bom – nunca cheguei aos 90), vivi um pouco dos incômodos do excesso de peso. O mundo não foi feito para gente gorda. Não há espaço para a gordura.
Eu trombava nas coisas. Meus joelhos e pés começaram a doer. Também, é brincadeira, né? Pensem bem: eu amarrei cinco sacos de arroz Tio João em volta de mim. Exatamente. Cinco sacos de arroz. Imagina andar o dia todo carregando isso tudo.
Maior, porém, do que o desconforto físico, foi o emocional. Eu me achava simplesmente horrorosa. E quem se sente assim não se arruma, então fica mais horrorosa ainda.
Coisa boa foi quando comecei a melhorar um pouco e encontrei forças para emagrecer! Já joguei dois sacos de arroz fora. Outro dia, levei 7, sete, SETE calças para ajustar!!!!!!!!!!! Que alegria. Queria fazer uma festa. Acho até que fiz, nem que tenha sido sozinha.
Já contei que sofri uma recaída e precisei voltar ao medicamento, mas já avisei logo para a médica que ela ia ter que encontrar um jeito de me tratar sem um remédio que engorde. E ela conseguiu. Faz três semanas que estou com o remédio, e continuo emagrecendo.
IUHUUU! Se é para contar história triste, que pelo menos tenha final feliz.

ANTES – Não liga pra moto caída, olha a gordura da pessoa. Os bracinhos… A barriguinha…
Ainda não é o depois. É o durante. Foto tirada no dia 7.5.