É, mais uma aventura em Orlando. Pelo menos não foi em nenhum parque Disney. Foi no Wet’n Wild.
Era um grupo interessantíssimo, organizado pelo Henrique. Nossos pais, os pais da Renata, Henrique e Renata, eu e Sérgio, César e Enilda, Evany, Lenira, Leonora, Moema e Nucha. Ah, também o Mauro. E, para completar, Júlia e Isabela, que tinham 7 meses.
No domingo, o primeiro dia que passamos em Orlando, fomos para o parque de água. Os sem-cônjuge, exceto a Lenira, preferiram ir ao Shopping.
Eu, Sérgio e Lenira nos divertimos tanto, sem ter que cuidar de nenhuma criança (nossos filhos ainda eram pequenos, e foi um bom momento de descanso), que nos esquecemos de almoçar. Por volta das quatro da tarde, um de nós sentiu um certo desconforto e se deu conta:
– Vocês repararam que a gente não almoçou?
E decidimos continuar a descer nos tobogãs sem almoço mesmo. Só jantar seria suficiente.
Que dia divertido. Inesquecível.
Só quem tem filhos pequenos entende essa dicotomia saudade/alívio que acontece quando a gente tem momentos longe deles. Apesar de ficar o tempo todo lembrando, pensando que eles gostariam de estar lá, a gente aproveita muito mais sem a preocupação de cuidar deles. Por exemplo, jamais teríamos esquecido de dar almoço para nossa tropa, mas esquecemos de nosso próprio almoço em benefício da diversão. Filhos, não se ofendam, please!!!!!!
No centro do Wet’n Wild de Orlando há um lago. Em toda a volta do lago, há um cabo suspenso, preso em postes. Por ele, corre um outro cabo preso por uma argola, onde as pessoas espertas seguram e fazem a volta ao lago, ajoelhadas em uma pranchinha. Jamais esquecerei da pranchinha. A minha era azul.
Entramos na fila para a atração. Eu, Sérgio, Henrique, Renata, César e Lenira. Logo de início, a gente pega um colete salva-vidas e um capacete. Não sei por que cargas d’água, César pegou de criança. O colete não fechava no, digamos assim, privilegiado abdômen dele, e o capacete só ia até a altura da testa. Parecia que ele tinha duas cabeças. Diante de tal cena, nossos abdômens, não privilegiados, já doíam de tanto rir na fila, antes mesmo de começar a atração.
Henrique conhece a irmã desde que nasceu. Sabe que minha pessoa carece de uma dose de esperteza, então foi me ensinando:
– Você tem que ficar com os braços dobrados. Não estica de jeito nenhum, para não sentir um puxão muito forte. Quando o cabo te levar, você vai sentir o impacto. Não desdobra o cotovelo.
Fui memorizando as instruções. Ficava com meus braços bem dobradinhos, do jeito que ele mandou. Afinal, o esperto é ele.
Enquanto decidíamos quem ia primeiro, eu logo falei:
– Quero ser a primeira. Se eu fizer bobagem, quem vai rir de mim são vocês, e não um bando de desconhecidos.
Chegou nossa vez. Eu e Renata. A gente se ajoelha na pranchinha, em uma “plataforma de lançamento”, toda de plástico, com furos, já na água (o resto da história mostrará a imensa vantagem da plataforma já ficar no lago).
Preciso confessar que estava nervosa. Os bracinhos bem dobradinhos, como o Henrique mandou. Pensava:
– Ai, meu pai, lá vem o troço me pegar. Vai dar um puxão. Não posso esticar o cotovelo. NÃO DESDOBRA O BRAÇO. FUIIIIIIIIIIIIII.
Fui só eu. Sem pranchinha. Com os braços dobrados no comecinho, mas logo não aguentei meu peso. Fui arrastada pela plataforma de lançamento que é cheia de protuberância e esfolou minhas coxas e pernas. Culpa do Henrique. Não me disse que tinha que ficar com os JOELHOS dobrados.
Renata não conseguiu pegar o cabo que lhe pertencia, por causa, claro do tanto que ria de minha pobre pessoa. Riu a ponto de fazer xixi, daí a utilidade da plataforma dentro do lago. Imagine se fosse no seco!!!!
Claro que eu não consegui me segurar no negócio. Assim que cheguei à água, soltei e fui até a margem, saí de lá com dificuldade, por causa da fraqueza causada pelo riso. Consegui superar o colete e o capacete do César. Ninguém mais lembrava disso.
A certa altura, Lenira comentou:
– Cláudia, você parecia aqueles frangos pendurados no açougue!
Preciso ser grata à minha querida amiga. Afinal, meu tipo físico está mais para Chester do que frango. Em todo caso, que humilhação!!!!!!!!
Ainda bem que resolvi ser a primeira. Podemos curtir até hoje essa história. Se tivesse sido a última, outras pessoas, em algum lugar do mundo, estariam curtindo a NOSSA história.
Umas risadinhas
A GELADEIRA E A ESTANTE
A casa onde moramos foi um presente de Deus para nós. Literalmente. Não havia dinheiro para construí-la. Não tivemos dinheiro nem para contratar uma empresa para fazer nosso mudança para cá. Nem ao menos um caminhãozinho. Veio tudo na caminhonete do César, trazido pelos homens da família. Muita coisa veio de carro.
Na semana anterior à mudança, comecei a trazer no meu carro as roupas – no cabide mesmo – e os brinquedos das crianças. No sábado, mutirão familiar para trazer as coisas pesadas. Lembro bem do Henrique em pé em cima de uma escada, implicando comigo por causa do excesso de livros (e hoje são MUITOS mais).
Pensa num casal sem grana. Éramos nós.
Chegou a hora de trazer a geladeira. César levou a caminhonete para a garagem do prédio. Ele, Joel e Ribeiro colocaram a supracitada na carroceria. Todos os canos do prédio passam pelo teto da garagem, então havia perigo de bater a geladeira. A partir desse ponto, as narrativas são divergentes.
César diz que falou pro Joel olhar se dava para passar com a geladeira e que o Joel não falou nada.
Joel fala que avisou, mas o César acelerou sem prestar atenção.
A versão do Ribeiro varia de acordo com a pessoa com quem ele quer implicar.
O fato, comprovado, com inúmeras testemunhas, é que a geladeira bateu em um dos canos e ficou com um amassado enorme. Ela já não era das melhores, estava na hora de trocar, mas A GENTE NÃO TINHA DINHEIRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Os três chegaram aqui com a geladeira igual à dos Flintstones, toda amassada, cada um acusando os outros pelo estrago. Lembro que olhei, me deu um frio na barriga. Como fazer sem geladeira? Será que ela ia gelar alguma coisa com um estrago daqueles? Não podíamos comprar outra.
Como sempre, diante de uma situação complicada assim, eu caí na gargalhada. Ri de chorar. Ainda bem que não fiquei brava, porque a bichinha funcionou até a gente poder comprar outra, e ainda ficou um tempo na churrasqueira depois disso.
Mas a mudança prosseguiu. Vieram os móveis. Já no fim da tarde, Ribeiro chegou com uma cara estranha:
– Aconteceu um acidente.
Ele foi fazer um retorno, a estante que ficava na sala (que também não era lá grande coisa) caiu da carroceria, quebrou no meio, ficou toda esfolada, tinha uma gaveta cheia de CDs, que se espalharam pela pista. O coitado catou tudo, inclusive as capas dos CDs. Era o lugar de colocar a televisão. A GENTE NÃO TINHA DINHEIRO para comprar outra!!!!!! O Ribeiro segurava a parte de cima, esperando a bronca. E eu… claro, caí na gargalhada.
O que mais eu poderia fazer? A família separou o sábado para nos ajudar. Ninguém é profissional de mudança. Não ganharam nem ao menos um lanche. Eu que não ia brigar com eles. Como a geladeira, a estante ficou algum tempo na sala. Eu combinei com o Ribeiro que, se houvesse alguma festa com gente estranha, ele ficaria na frente da estante, para esconder as feridas da pobre. Mas a gente passou uma cera, acho que ela cicatrizou.
E, como nem eu nem o Sérgio fizemos disso cavalo de batalha, a história da geladeira e da estante é, até hoje, motivo de risada na família.
Na verdade, nossa reação é que faz a situação. Poderíamos ter visto nos dois casos problemas muito sérios, mas, felizmente, vimos o lado cômico e, com isso, fizemos a vida mais fácil.