PRESENTE DE DEUS – AS SETE PRIMAS

Gosto de dizer que Deus ama nos presentear. Foi o que ele fez no final de 2013. Me deu um presente desses inesquecíveis.

Em um post em outro blog que mantenho (http://penaestradasempre.wordpress.com/2013/10/20/que-vontade-de-viajar/), comentei que estava com muita vontade de viajar. Estava mesmo, de verdade, com força. E, quando o Natal chegou, a vontade enorme parecia muito longe de se tornar realidade. No dia 29.12 seria a comemoração de 60 anos de casamento de meus tios Célia e Oswaldo, em São Paulo. Pensa numa coisa que parecia impossível.

Peguemos a máquina do tempo. Tia Célia é irmã da minha mãe. As idades dos cinco filhos dela são próximas às dos quatro filhos da minha mãe. Apesar de morarmos em cidades diferentes desde que eu tinha cinco anos, crescemos muito unidos. As férias eram assim: metade em Brasília, metade em São Paulo. Todos juntos. Não sei como as mães aguentavam. Naquele tempo, as férias escolares eram bem longas: um mês inteiro em julho e do final de novembro até março. Muitos dias de brincadeiras, aventuras, risadas e conversas. A casa onde estávamos, era a Casa das Sete Primas e dos Dois Primos.

Avancemos um pouco. Crescemos, nos casamos. Desde 1998 as Sete Primas não se reuniam. Suzana morando na Dinamarca e Emília nos Estados Unidos dificultava um tanto a reunião completa. Não que tenhamos nos separado por completo. As reuniões esporádicas aconteciam, mas sempre com alguma ausência.

A máquina do tempo vai mais além. E chega a setembro ou outubro deste ano. Lílian entrou em contato comigo. Comemoração do 60° ano de casamento dos pais dela. Queria saber se poderíamos ir a São Paulo. Respondi:

– Vontade não falta, mas parece que não vai dar… Vamos pedir a Deus e esperar nele.

A essa altura, a celebração seria com os habitantes do Brasil. Mesmo assim, a vontade de ir à reunião de família era imensa. Mas nem comentávamos. Eram tantas entradas e saídas de hospital, tantos avanços e retrocessos que nem chegávamos a sonhar com a viagem.

Mas, no dia em que eu falei sobre a vontade de viajar, Deus, lá do trono dele, sorriu e falou:

– Ela nem imagina a surpresa que estou preparando.

Chegou o Natal. Quatro dias para a festa. Na noite de Natal, papai falou:

– Eu estou com vontade de ir à festa em São Paulo.

Clarice e mamãe partiram para a ação. Hotel pela Bancorbrás. Lílian acionada, começou a procurar táxis adaptados para cadeiras de rodas e cuidador para ajudar a mamãe a atender as necessidades do papai. Na noite do dia 26, mamãe me disse:

– Amanhã à tarde eu, seu pai, você e Clarice vamos para São Paulo. Cristina vai no domingo de manhã. Voltamos todos na segunda-feira.

Pensa numa pessoa empolgada. Até que abri minha página no Facebook e vi uma foto. Aí comecei a chorar de alegria: Emília tinha chegado! Veio para a festa. Lílian comentou: “Falta só mais uma, depois são vocês”. Não entendi. Mas aí eu vi outra foto: Suzana e Flora chegando da Dinamarca!!! As Sete Primas iam se encontrar em São Paulo! Com o bônus de conhecermos a Flora, que já tem cinco anos e ainda não tínhamos visto pessoalmente.

Quando desembarcamos em São Paulo, Lílian e Suzana nos esperavam. Assim que nos vimos, começamos a chorar. Nos abraçamos ainda separadas por aquela cordinha de aeroporto. Um dos  “garramentos” mais deliciosos que podem existir – as duas, eu, Clarice e mamãe. O rapaz da companhia aérea, que empurrava a cadeira do papai, não deve ter entendido nada. Só nós sabíamos a emoção contida naquele momento mágico, preparado por Deus para nos dar de presente.

Foi um final de semana de sonho. Não foi fácil. As limitações do papai são reais. Ele está fraco, precisa descansar. Mesmo assim, participou da alegria, recebeu o carinho dos sobrinhos que tanto ama.

Cabe aqui um destaque. Tenho dois biprimos. Explico. Alexandre, filho do irmão do meu pai (Amílcar), casou-se com Solange, filha da irmã da minha mãe (Célia). Um toque especial desse final de semana foi encontrar o Alexandre. Solange tinha vindo nos visitar meses antes, mas fazia bastante tempo que papai e Alexandre não se viam. Então, toda hora meu biprimo ia se sentar perto do tio para matar a saudade. Meu pai se alegrou muito com isso.

Depois que acabou a festa, Clarice chamou o táxi para levá-los de volta ao hotel. O motorista acompanhou atento o grupo de homens cuidando do “tio Biléo”, observando para que tudo ficasse perfeito para a pequena corrida até o destino. Esse motorista começou a chorar. Chorou durante todo o caminho. Quando Clarice foi pagar, ele falou que não cobraria aquela corrida de jeito nenhum. Por quê? Não sabemos. Alguma coisa, no carinho todo que cercou meu pai, na forma como os sobrinhos agiram, tocou no coração dele. Apesar de não saber o motivo, sei de uma coisa: realmente, a dedicação dos meus primos foi comovente.

Deus não nos dá presente ruim. E, como sempre digo, precisamos manter os olhos bem abertos para enxergar onde estão os presentes e ter coragem para aceitá-los. Mamãe poderia ter dito que seria muito difícil. E foi. Mas ela, e nós todos, e o motorista de táxi, teríamos perdido um dos finais de semana mais gostosos que já vivi.

As Sete Primas

As Sete Primas

Família reunida no final da festa.

Família reunida no final da festa.

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