HILÁRIO (2) – Santa Ceia

Examinando o conteúdo de meu blog, cheguei à conclusão de que falta um cenário mais solene. Vamos, portanto, a um domingo de Santa Ceia na Igreja Metodista da Asa Sul.

Procurei uma foto que mostrasse o templo todo, mas, por incrível que pareça, não tenho. Domingo que vem eu tiro! Mas essa aí serve aos propósitos, já que os fatos narrados ocorreram nessa plataforma. Dá para ver que, atrás dos cantores ha uma mesa, que é onde ficam o pão e o vinho (que chamamos os elementos) para a Santa Ceia. Nos bancos azuis bem ao fundo, o Coral. O templo é grande, a entrada é bem ampla.
Pastor Euler tem um zelo extremo pela celebração da Ceia. Na Igreja Metodista, as pessoas vão até o altar para pegar os elementos. Quando não há muita gente, todo o ritual é feito com as pessoas ajoelhadas no altar. Mas, com um grupo grande, isso fica inviável. Assim, no domingo de manhã, pastor Euler convidava três casais para o ajudarem a servir os elementos. Ficavam um à esquerda da plataforma da foto, outro à direita e o terceiro atravessava todo o templo e se colocava à porta dos fundos, para servir as pessoas sentadas mais atrás.
Certo domingo, fomos convidados eu e Sérgio, Nucha e Maurício e Célia e Jezreel.
Abrindo parênteses, preciso informar uma característica que eu e Nucha compartilhamos e, para isso, vou contar outro fato, ocorrido anos antes dessa noite de Santa Ceia. Estávamos em um jantar. Eu e Nucha sentadas juntas, e mamãe na mesma mesa. De repente, uma mulher levou o maior tombo, bem na nossa frente. Observei meu prato, como se ele fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Nucha fez o mesmo. O marido da mulher, todo sem jeito, puxava a mão da coitada e dizia para ela levantar e ela:
– Mas tá doendo!
Eu e Nucha firmes, olhando os pratos. Mamãe não aguentou e soltou:
– Cláudia tem um probleminha…
Eu e a Nucha explodimos na gargalhada, as lágrimas escorriam pelo rosto, manchando a maquiagem. O probleminha é que não posso ver ninguém cair, eu rio de chorar. E o mesmo acontece com a Nucha. Não é só cair. Qualquer “mal feito” nos faz cair na gargalhada.
Bem, voltemos à noite solene. Pastor Euler, com sua toga toda bordada, nós, mulheres, chiques no úrrrrtimo. Sérgio, que canta no coral, estava com a beca. Ficamos todos por trás da mesa, de frente para a congregação, com o coral às nossas costas. Tudo muito bonito. Pastor Euler seguiu todo o ritual, e chegou à parte em que primeiro tomam a Ceia os que vão servir. Então, entregou o pãozinho e o suquinho para a gente e falou:
– Comamos e bebamos, etc, etc.
Imediatamente, Sérgio… engasgou com aquela quantidade mínima de suco e pão. Mas engasgou feio. E tentava não tossir. Eu tive um ataque de riso, como poucos em minha vida. Nucha, do outro lado dele, não ajudava em nada, também se dobrando de rir. O pessoal do coral, atrás do Sérgio, batia nas costas dele, oferecia água, e o coitado a tossir, se sacudindo todo. E eu e a Nucha nos sacudíamos de rir.
Durante todo esse tempo, a congregação estava em pé, olhando para nós. Eu olhava para o chão, tentando me controlar. Quando achava que tinha conseguido, via os amigos olhando para nós e rindo também, e caía na gargalhada de novo. Pastor Euler, Célia e Jezreel, do outro lado, não entendiam o que estava acontecendo com as doidas que não paravam de rir. E o pastor teve a péssima ideia de mandar que eu e Sérgio fôssemos para a entrada da igreja. Atravessei todo o corredor sacudindo o pãozinho, de tanto que ria, enquanto o Sérgio ainda tossia. Só identificava no meio daquele mar de gente os meus amigos, rindo da minha cara. Lembro bem da Sílvia, sacudindo a cabeça e dizendo que eu não tenho jeito mesmo.
A fila para servirmos era imensa. Parecia de cumprimentos depois do casamento. Cada vez que o Sérgio tossia, ou que um dos amigos mais chegados se aproximava, eu caía na gargalhada de novo.
De alguma forma, conseguimos terminar o ritual. Saí do templo quase correndo, e ri até perder as forças. Quando chegamos em casa, meia hora depois, Sérgio ainda estava tossindo do engasgo. Explicamos ao pastor o que tinha acontecido, mas, não entendo por quê, ele nunca mais nos chamou para ajudá-lo na Ceia…

HILÁRIO!!!! (1) – Facilitando as coisas para o papai

Nem precisei sortear o papelzinho. O de ontem me deu ideia para vários posts. Alterando um pouco as palavras do renomado filósofo Zagalo, vocês vão ter que me aguentar (engolir é meio forte, já que preciso conquistar leitores, não afastá-los, né?).
Bem, resolvi contar os momentos mais engraçados de que me lembro, aqueles em que quase fiz xixi na calça de tanto rir. Então vamos lá.
Estávamos na Disneyland. Não sei se já deu para notar, mas somos Disneymaníacos, então, como estávamos na Califórnia, era vital irmos à Disneyland. Nosso hotel tinha transporte para o parque. Como papai não gosta de acordar cedo (no que puxei a ele, claro), eu, mamãe e ele ficamos para ir mais tarde. Pegamos o ônibus e, ao chegar, ele precisou caminhar uma boa distância até o local em que alugamos a cadeira motorizada. Foi até preciso parar no caminho para ele sentar um pouco.

Cadeira alugada, “divertição” o dia inteiro.

Piratas do Caribe! Esse aí é o Jack Sparrow.

Claro que ficamos até o parque fechar. Sempre é assim. Papai e mamãe têm mais pique do que gente com metade da idade deles. Quando saímos, o parque já estava bem deserto. A entrada da Disneyland é bem grande. Falei, do alto de meu vasto conhecimento:
– Pai, para o senhor andar menos, vai com a cadeira até a ponta lá da esquerda (o lugar por onde chegamos). Vocês sentam no banquinho que tem lá e eu volto para devolver a cadeira.
Assim fizemos. Eu, papai, mamãe, Cristina e Amanda. Voltei com o scooter e, enquanto isso, eles descobriram que, para ir embora, a gente tinha que pegar o trenzinho na outra extremidade. Ou seja, para evitar que ele andasse, eu o fiz andar MUITO mais.
Cristina resolveu verificar se o carro estava perto, porque ela tinha chegado bem cedo, e estacionado bem na entrada. Sem se dar conta, ela passou de uma corda, mas tinha se afastado de nós apenas um 5 ou 10m. Ia voltando, quando foi barrada por uma funcionária. Vou legendar a conversa:
– Você não pode entrar por aqui.
– Mas eu só passei para ver se meu carro está aqui. Você me viu.
– Aqui não é entrada.
– Mas eu estou com eles. Olha eles ali, no banco.
– Para entrar, você tem que revistar a bolsa.
– Então revista.
– Eu não tenho autorização para revistar bolsas.
– O que eu faço?
– Vai lá na revista de bolsas.
Lá foi a coitada, e nós rindo a valer. Mas o melhor estava por vir. Era verão, mas eu nunca passei tanto frio quanto naquele verão na Califórnia (tenho uma foto do termômetro da van marcando 12 graus). Sonhava com meus casacos, quase todos pendurados nos cabides, em minha casinha. Cristina foi pela inspeção de bolsas e começamos nossa jornada rumo ao trenzinho que nos levaria ao estacionamento.
Pobre do papai! Mancando, com a maior dificuldade, e a gente rolando de rir. Ele também ria, não pensem que estávamos “mangando” do coitado. A situação era realmente cômica.
Quando avistamos as filas do trenzinho, não podíamos acreditar. Parecia metrô em horário de pico. Tinha um parado, cheio. Depois, as pessoas à nossa frente lotaram outro. Ficamos para o terceiro.
Acredito que por ter o cérebro congelado pelo frio que sentíamos, Amanda começou a falar tudo em espanhol. Um pequeno detalhe: ela não fala espanhol. E lá ia ela:
– Mantengan-se alejados de las puertas! Mantengam los braços e las piernas dientro de lo trem.
A gente ria dela e do frio. Do papai mancando, da mamãe agoniada, da mulher que não sabia inspecionar bolsa e de tudo mais. As pessoas em volta, certamente achando que somos doidos, olhavam espantados para a gente. Mas o clímax estava por vir.
Finalmente, depois do que pareceu meia hora (deve ter sido uns 10 minutos, no máximo), nosso trenzinho chegou. Mamãe entrou, papai em seguida. Depois, nós três, não lembro em que ordem. Burrice total. Papai deveria ter sido o último. O caso é que os bancos são muito juntos, e papai não conseguia dobrar os joelhos, porque tinha ficado muito tempo em pé. Aí, ele engastalhou no meio do caminho. Ficou meio sentado e meio em pé. O homem do trenzinho mandava todo mundo sentar para a gente poder ir embora, mas papai não conseguia. E nós quatro (e ele também), ríamos de chorar:
– Nunca mais a gente vai sair daqui! Ele não senta e o trem não anda com ele em pé!
E Amanda falava, em espanhol, para ele sentar.
Como estou aqui, digitando, e não dentro do trem da Disneyland, dá para sacar que, em algum momento, ele caiu sentado. Enfim, rumo ao estacionamento!
Em Orlando, o trenzinho tem várias paradas, sempre bem perto do carro da gente, de modo que, quando parou longe, ficamos sentados, esperando a parada seguinte. Surpresa! Era a única parada!
Como já estávamos no embalo, continuamos rindo. A Amanda, em espanhol, claro. De repente, a gargalhada da Cristina ficou mais intensa. Quando conseguiu falar, informou:
– Como eu cheguei bem cedo, estacionei o carro lá na outra ponta, bem perto da entrada!
Ou seja, estava bem pertinho do lugar em que deixei o papai para devolver a cadeira. Ela foi magnânima. Enquanto ficamos parados, tiritando de frio, ela correu, pegou o carro e nos buscou. Enfim, sãos e salvos. E com o aquecimento do carro ligado!
Quando finalmente conseguimos voltar ao hotel, encontramos Clarice preocupadíssima, sem saber o que tinha acontecido conosco. Amanda explicou tudo, em espanhol, claro.
Informo, com alegria, que o cérebro dela já descongelou e ela voltou a falar português.

Placa na entrada da Disneyland. É muito bom fazer isso de vez em quando. Ou, no nosso caso, de vez em sempre.