RECOMPENSAS

Desde que comecei a tentar emagrecer, venho criando estratégias (por acaso já falei que tenho estratégia para quase tudo na vida? kkkkkk) para me incentivar, sendo você, Bloguinho, uma das mais eficientes.
Algumas fracassaram porque surgiram antes que eu estivesse realmente pronta para agir, outras porque jamais funcionaram, em nenhum momento da história, com nenhuma pessoa viva ou morta. Vou contar algumas.
Comprei aquele aparelho do Polishop que fica dando uns choquinhos na barriga. Agora pode rir. Sem maiores comentários.
Como não gosto de bicicleta ergométrica convencional, comprei daquelas de cadeirinha, onde a gente fica sentada. Usei muito, creio que umas dez vezes. Está enfeitando a churrasqueira, com toda sua pompa.
Criei uma tabela no Excel, onde anotava meu peso todos os dias. Anotei durante uns três meses. Até que durou bastante!
Voltei ao Vigilantes do Peso. Paguei seis meses, fui a umas quatro ou cinco reuniões. Acho que não contei aqui, mas já fui instrutora em um programa bem semelhante ao VP. Então, sei de cor aquelas palestras, conheço a dieta melhor do que conheço a palma da minha mão.
Bem, eu sempre soube o óbvio: preciso ingerir menos calorias do que gasto por dia. Não existe outra forma de emagrecer. Mas uma pessoa em depressão, sem forças para viver, quanto mais para pensar em dieta e exercício, não consegue colocar em prática coisa tão simples. Por isso, eu ficava procurando saídas fáceis, ou paleativos, em tentativas frustradas de reverter um processo que me deixava cada dia mais angustiada.
Felizmente chegou o dia em que a depressão se foi, eu me coloquei em pé de novo e comecei a fazer o que funciona. Criei mais uma estratégia (ah, tenho estratégias…). Um presente para mim mesma a cada dois ou três quilos. Nada muito especial, apenas uma recompensa. Meu primeiro pensamento: uma caixa de Ferrero Rocher!!!!! Isso seria muito bom. Emagreço um quilo, como uma caixa de bombom, engordo de novo. Emagreço, outra caixa, e, assim, eu passaria o resto da vida gorda, emagrecendo um quilo e engordando de novo. Mas que recompensa eu poderia me dar? Eu não conseguia descobrir. Sapato? Roupa? Isso eu compro quando estou com vontade, não ia ser especial.
Eu tive uma ideia que foi excelente para mim (não sei se adiantaria com outras pessoas). A cada quilo que emagreço, eu compro alguma coisa que vou usar na academia! Top, calça, camiseta, casaquinho, garrafinha nova, bolsa, etc, etc, etc. Sempre um objeto que vai me lembrar, lá na academia, que a coisa está funcionando. Com isso, a vitória passou a incentivar mais vitória.
Para mim, uma das maiores dificuldades é me manter animada. O processo de emagrecer muitos quilos é longo. Há fases de desânimo. Inclusive, a ideia de que não há um fim pode ser desalentadora. Não há fim porque, quando atingir um peso que me satisfaça, se eu parar de cuidar do corpo, vou engordar de novo. Então, é para a vida toda.
Mas a opção de vitória gerar incentivo para mais vitória é excelente. Depois, eu posso estabelecer recompensas, digamos, mensais, para me manter no peso certo. Taí, Bloguinho, você acabou de me dar uma ideia excelente. Ainda não tinha pensado nisso. Você é o máximo!

Euzinha, no meu peso ideial…

WE ARE THE CHAMPIONS

Tenho paixão por música. De quase todos os gêneros. Só não gosto de sertanejo. Escuto música praticamente o tempo todo. Enquanto estou trabalhando, no carro, na academia, enfim, sempre que é possível.
Cresci com a convicção de que existia uma separação definitiva entre música secular e sacra. Não penso mais assim. Na verdade, na igreja protestante brasileira as pessoas tendem a fazer essa polarização. Quando comecei a ter mais contato com a cultura dos EUA, percebi que eles não são como nós. Artistas circulam pelas duas esferas. Percebi que o mesmo acontece na igreja católica no Brasil. Como a colonização dos EUA foi protestante, e aqui, católica, a cultura predominante se “apropria” da música chamada secular. Essa percepção foi apenas um primeiro passo no sentido de quebrar a barreira em mim. O passo mais importante, até definitivo, veio em um livro que traduzi, chamado Uma vida de meditação, de Ken Gire. Ele afirma que em toda obra de criação podemos encontrar traços de Deus, porque a capacidade de criar é divina. Isso vale para todo tipo de arte, da pintura ao cinema, passando pela literatura e, claro, pela música. Bom, poderíamos excluir as produções de baixa qualidade, as que pretendem ofender, as que buscam ser “do mal”, mas não é disso que trato hoje.
Há cerca de 15 anos, nossa família sonhou em fazer uma viagem à Califórnia e depois passar o Natal em Orlando. Levamos uns três anos para conseguir realizar o sonho. O ano da viagem foi extremamente difícil. Henrique não conseguiu ir com a família para a parte da Califórnia, só nos encontrou em Orlando. O mais difícil, porém, foi que papai teve câncer. Foi operado 40 dias antes da viagem. Mas foi, e participou de tudo! Sérgio também, como em tantas épocas de nossa vida, lutou o ano todo para manter a empresa funcionando. Rodrigo perdeu o emprego, Joel não estava em um bom emprego. Depois da cirurgia do papai, eu tive o que hoje sei ser uma crise de depressão. Chega de descrever as dificuldades. Já ficou claro que foi um ano duro.
Mas realizamos nosso sonho. Fomos para São Francisco no início de dezembro, passeamos por lugares que amamos na Califórnia, esquiamos em Lake Tahoe, fomos a Las Vegas. Nos divertimos a valer. Depois, Orlando! No Natal, Deus nos deu um presente: Wildo e Rosane, que na época moravam lá, nos ofereceram uma Ceia. Pensávamos que íamos passar a véspera de Natal no hotel, mas tivemos Ceia e até Santa Ceia.
Na noite do Ano Novo, nem todos queriam fazer a mesma coisa. Então, nos dividimos em grupos menores. Eu, Sérgio, Serginho, papai e mamãe combinamos com Cris e Joel que os encontraríamos no início da noite no Magic Kingdom, para ver o show de fogos. Tolinhos, nós. O parque estava fechado quando chegamos lá, lotado. Mas o padrão de qualidade Disney não falha e eles ofereceram, para todos que não conseguiram entrar no parque, um show em um estádio. Lindo. Lá estavam os personagens, tinha música, muitas atrações, muita diversão. À meia noite, um show de fogos maravilhoso, acompanhado pelo Queen: We are the champions, my friend! We’ll keep on kighting till the end! No time for loosers, ‘cause we are the champions of the world! Comecei a chorar. Falei para Deus que sabia que NÓS éramos os campeões naquela noite. Havíamos superado tantas barreiras e estávamos ali, rindo, felizes! Falei para Deus que cantava aquela música como hino a ele, porque sabia que, sem ele, jamais teríamos chegado ali.
Já me disseram que, se eu prestar atenção ao resto da letra, não poderei fazer dessa música um hino. Não me interessa. O refrão é o meu hino. E eu louvo a Deus de todo coração com ele.
Em 2004, eu e Sérgio realizamos outro sonho antigo: fomos a Mônaco. Estávamos muito empolgados ao chegar. A estrada que beira a Costa Azul é cheia de curvas e, quando fizemos a curva onde pudemos avistar Mônaco, meu hino começou a tocar no rádio. Ninguém jamais me convencerá de que foi coincidência. Dos bilhões de músicas que existem neste mundo, meu hino tocar exatamente no momento em que realizo mais um sonho, também vencendo muitas barreiras? Qual a chance disso acontecer? Espero, ansiosa, o dia em que meu hino tocará outra vez, em alguma outra ocasião muito especial.