WE ARE THE CHAMPIONS

Tenho paixão por música. De quase todos os gêneros. Só não gosto de sertanejo. Escuto música praticamente o tempo todo. Enquanto estou trabalhando, no carro, na academia, enfim, sempre que é possível.
Cresci com a convicção de que existia uma separação definitiva entre música secular e sacra. Não penso mais assim. Na verdade, na igreja protestante brasileira as pessoas tendem a fazer essa polarização. Quando comecei a ter mais contato com a cultura dos EUA, percebi que eles não são como nós. Artistas circulam pelas duas esferas. Percebi que o mesmo acontece na igreja católica no Brasil. Como a colonização dos EUA foi protestante, e aqui, católica, a cultura predominante se “apropria” da música chamada secular. Essa percepção foi apenas um primeiro passo no sentido de quebrar a barreira em mim. O passo mais importante, até definitivo, veio em um livro que traduzi, chamado Uma vida de meditação, de Ken Gire. Ele afirma que em toda obra de criação podemos encontrar traços de Deus, porque a capacidade de criar é divina. Isso vale para todo tipo de arte, da pintura ao cinema, passando pela literatura e, claro, pela música. Bom, poderíamos excluir as produções de baixa qualidade, as que pretendem ofender, as que buscam ser “do mal”, mas não é disso que trato hoje.
Há cerca de 15 anos, nossa família sonhou em fazer uma viagem à Califórnia e depois passar o Natal em Orlando. Levamos uns três anos para conseguir realizar o sonho. O ano da viagem foi extremamente difícil. Henrique não conseguiu ir com a família para a parte da Califórnia, só nos encontrou em Orlando. O mais difícil, porém, foi que papai teve câncer. Foi operado 40 dias antes da viagem. Mas foi, e participou de tudo! Sérgio também, como em tantas épocas de nossa vida, lutou o ano todo para manter a empresa funcionando. Rodrigo perdeu o emprego, Joel não estava em um bom emprego. Depois da cirurgia do papai, eu tive o que hoje sei ser uma crise de depressão. Chega de descrever as dificuldades. Já ficou claro que foi um ano duro.
Mas realizamos nosso sonho. Fomos para São Francisco no início de dezembro, passeamos por lugares que amamos na Califórnia, esquiamos em Lake Tahoe, fomos a Las Vegas. Nos divertimos a valer. Depois, Orlando! No Natal, Deus nos deu um presente: Wildo e Rosane, que na época moravam lá, nos ofereceram uma Ceia. Pensávamos que íamos passar a véspera de Natal no hotel, mas tivemos Ceia e até Santa Ceia.
Na noite do Ano Novo, nem todos queriam fazer a mesma coisa. Então, nos dividimos em grupos menores. Eu, Sérgio, Serginho, papai e mamãe combinamos com Cris e Joel que os encontraríamos no início da noite no Magic Kingdom, para ver o show de fogos. Tolinhos, nós. O parque estava fechado quando chegamos lá, lotado. Mas o padrão de qualidade Disney não falha e eles ofereceram, para todos que não conseguiram entrar no parque, um show em um estádio. Lindo. Lá estavam os personagens, tinha música, muitas atrações, muita diversão. À meia noite, um show de fogos maravilhoso, acompanhado pelo Queen: We are the champions, my friend! We’ll keep on kighting till the end! No time for loosers, ‘cause we are the champions of the world! Comecei a chorar. Falei para Deus que sabia que NÓS éramos os campeões naquela noite. Havíamos superado tantas barreiras e estávamos ali, rindo, felizes! Falei para Deus que cantava aquela música como hino a ele, porque sabia que, sem ele, jamais teríamos chegado ali.
Já me disseram que, se eu prestar atenção ao resto da letra, não poderei fazer dessa música um hino. Não me interessa. O refrão é o meu hino. E eu louvo a Deus de todo coração com ele.
Em 2004, eu e Sérgio realizamos outro sonho antigo: fomos a Mônaco. Estávamos muito empolgados ao chegar. A estrada que beira a Costa Azul é cheia de curvas e, quando fizemos a curva onde pudemos avistar Mônaco, meu hino começou a tocar no rádio. Ninguém jamais me convencerá de que foi coincidência. Dos bilhões de músicas que existem neste mundo, meu hino tocar exatamente no momento em que realizo mais um sonho, também vencendo muitas barreiras? Qual a chance disso acontecer? Espero, ansiosa, o dia em que meu hino tocará outra vez, em alguma outra ocasião muito especial.

81,5 – PROCURE A SAÍDA DE EMERGÊNCIA MAIS PRÓXIMA!

Viu, Bloguinho, o peso desta semana? Que sucesso, né?
Ontem à noite, antes de ver tal número animador na Cicinha (só vi hoje de manhã), fui do meu quarto à cozinha, fazer um lanchinho light. Tinha a melhor das intenções. Pão integral light, um pouquinho de patê de peito de peru. Tudo bem planejado.
Enquanto me encaminhava para a despensa para pegar o pão, algo terrível pulou em meu caminho. Interceptou minha passagem. Bloqueou todas as rotas de fuga.
Parecia aquele boneco de marshmallow que cresce no final de Caçadores de Fantasmas. Foi inchando, inchando cada vez mais. Não teve jeito, peguei uma colher e o ataquei com todas as forças.
Mas, interessante, bastaram duas investidas, não muito fortes, e ele perdeu o poder. ISSO me alegrou. Não é comum ele perder o poder com tanta velocidade. Sinal de que MEUS poderes estão cada dia maiores.
Ele nada mais é do que o brigadeiro de colher que a Flá fez ontem à noite. Eu não sabia que ela tinha feito e, quando fui lanchar, me deparei com aquela tentação máxima à minha espera. Fiquei tão feliz, porque não comi muito. Só um pouquinho já me satisfez, fui embora sem vontade de comer mais.
É muito engraçada essa impressão que tenho de que a comida cresce, ou grita comigo, me chamando. Uma vez aconteceu com uma caixa de bombons que gritava meu nome. No tempo em que a depressão era forte, latas de leite condensado ou potes de Nutella ocupavam todos os espaços vazios da casa, não diminuiam enquanto eu não os atacava. Hoje, graças a Deus, eles ficam do tamanho deles mesmos, fechadinhos na despensa. Só não consegui vencer ainda o doce de leite. Ele tem a voz maviosa como das sereias, me atrai com seu canto. Acabo me afogando…
Mas hoje estou feliz. Meu peso baixou, não acabei com o brigadeiro, só comi um pouquinho (e, mais importante: não senti vontade de comer mais), meu filhinho está completando 30 anos!
O mês de dezembro começa bem…