PRECISO DE SUGESTÕES

Leio tudo que encontro sobre o Monte Everest. É uma de minhas obsessões mais gostosas. O relato das aventuras verdadeiras dos que escalam a montanha praticamente inescalável me encanta. Minha coleção de livros sobre o tema é vasta. Há inclusive um brasileiro – Luciano Pires – que foi ao acampamento base e escreveu um relato excelente, com muitas fotos e muito bom humor: O Meu Everest.
Na lojinha inevitável depois da montanha russa Everest no Animal Kingdom, na Disney, sempre encontro muitos tesouros. Como a história do rapaz mais jovem que já chegou ao topo (depois que li esse livro, outro ainda mais novo fez o mesmo, e vou ler o livro dele também). Ou o de título inspirador Touching My Father’s Soul (Tocando a alma de meu pai), de Tenzing Norgay, filho do homem que chegou ao topo com Edmund Hillary, os dois primeiros a realizarem a façanha. Há ainda Os Fantasmas do Everest, sobre uma expedição interessante que foi em busca dos restos mortais de dois alpinistas que talvez tenham chegado ao topo antes de Hillary e Norgay, mas que morreram na montanha. Nunca conseguiram provar nada.
Minha fascinação começou com o livro No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer, que conta uma tragédia. Em maio de 1996, em uma única noite, oito pessoas morreram na montanha, por causa de uma tempestade. Um dos participantes da expedição, Beck Weathers, foi considerado morto, e deixado na montanha pelos companheiros. Parece desprezo, mas eles não descem com o corpo dos que morrem na escalada, é perigoso demais. De alguma forma, que nem ele sabe explicar, Weathers acordou do coma, se levantou e voltou para o acampamento. E escreveu a história, que comecei a ler semana passada: Left for Dead (Abandonado como morto).
Tudo que escrevi sobre o Everest foi apenas para estabelecer o caminho que me trouxe ao livro de Weathers. Logo nas primeiras páginas, ele conta que não foi sempre um alpinista apaixonado. Ele sofria muito com… sim, ela, a depressão. As crises o deixavam incapacitado. Em uma viagem com a família, escalou uma montanha. E… se apaixonou pela atividade. Descobriu que, enquanto escalava, conseguia esquecer a doença e que o prazer que sentia perdurava por algum tempo depois que ele acabava, afastando, ainda que temporariamente, todo o mal estar produzido pela depressão.
A experiência dele comprova exatamente o que venho tentanto fazer há algum tempo: encontrar uma atividade que me apaixone, que me motive. Penso muito nisso (já mencionei que sou obsessiva?).
Sei de uma coisa: Não vai ser alpinismo!!!!!!!!!!!!!!!!! Provavelmente, nada que envolva muito desgaste físico, embora eu queira suar um pouco. A presença de outras pessoas é essencial, já que vivo muito isolada (tradutora autônoma, que tem escritório em casa e só conhece os editores por e-mail…). Não adianta ser longe da minha casa, porque vou desanimar. Ah, e eu tenho que gostar o suficiente para conseguir sair de casa (isso vai ser difícil, mas preciso tentar).
Também não pode ser nada introspectivo. Tudo que eu faço é assim: tricô, scrapbooking, cuidar das orquídeas, ler, escrever, caminho sozinha. Enfim, em minhas atividades de lazer, estou sozinha e com muito espaço para pensar e sentir.
A primeira atividade que me vem à mente é dançar. Sou uma bailarina frustrada. Completamente descoodenada, não consigo nem cantar e bater palma ao mesmo tempo. Mas como gostaria de dançar! Até comprei um jogo para o Wii para aprender. Surgiu na tela um kossaco fazendo aquelas danças russas. Sem comentários.
Já tentei convencer o Sérgio a aprender dança de salão comigo, mas ele não quer. Pensei em fazer balé, mas dois fatores me atrapalham: 1) assista o desenho Fantasia e encontre a hipopótama de saiote – sim, seria eu; 2) falando sério, há um grande histórico de problemas de joelho na família, Clarice inclusive começou o balé e teve que parar – meus joelhos doem, então… não vou arriscar. Mas há outras modalidades, como, por exemplo o sapateado. Mas não encontro uma academia sequer na Asa Sul que dê aulas de sapateado para adultos. Alguém aí conhece?
Outra coisa que pensei em fazer foi um curso de fotografia digital. Sei que existem grupos de pessoas que fazem esses cursos e depois fotografam juntas, trocam experiências sobre o assunto. E um curso sobre vinhos? Esse tema também me interessa. Aprecio vinho, e gostaria de conhecer a fundo.
Não gosto de cozinhar, mas poderia aprender a fazer pratos especiais, para ocasiões especiais.
Bem, apresentei meu dilema. E, como diz o título, preciso de sugestões. Please, me ajudem a encontrar uma atividade que me empolgue. Estou à espera das ideias mais doidas que passarem pela cabecinha de meus amados leitores.