CRIANÇAS MIMADAS. AI!!!!!!!!

Mimo mesmo, e pronto.
Não adianta argumentar. No meu entender, criança é um ser  feito para a gente mimar até o máximo possível.
Claro que, com os filhos, precisamos educar também. E, muitas vezes, deixar os mimos de lado e “partir para a ignorância”, no bom sentido.
Mas meus filhos já são adultos, já está na hora de mimarem outras pessoas, então eu mimo meus sobrinhos. Ainda não tenho netos, mas podem me aguardar.
Muitos dizem que os mimos estragam as crianças, que elas ficam egoístas, birrentas, desobedientes. Sei não, minha experiência é oposta a isso. Felizmente, meus irmãos demoraram para ter filhos, de modo que, quando meus sobrinhos começaram a chegar (os de DNA semelhante, porque já tinha sobrinhos Faria), eu pude curtir sem ter que, ao mesmo tempo, separar brigas deles com meus filhos, ou precisar negar alguma coisa para evitar problemas posteriores em casa.
Pois é, quando Júlia e Isabela eram pequenas, muitas vezes vinham para cá. Renata ia avisando:
– Olha, elas não podem comer nada antes do almoço!
Eu rebatia imediatamente:
– Se pedirem, eu vou dar. Quer que elas fiquem comigo assim mesmo? Vou deixar fazerem tudo que quiserem, desde que não destruam nada, nem se machuquem.
Como queria algumas horas de folga, ela concordava. As duas, fosse a hora que fosse, assim que chegavam aqui em casa, me perguntavam:
– Você me dá um biscoitinho?
Evidente. Um pacote de passatempo recheado para cada uma.
Clarice nem tentava fazer recomendações. Ela sabia que eu faria o que a Amanda quisesse. A começar por não levar para a escola, caso ficasse aqui em casa pela manhã (ela odiava a escola, que era à tarde), passando por comer o que quisesse, dar os presente que ela pedia, etc, etc, etc.
Cristina também já tinha visto tudo o que vinha acontecendo, e ela também é chegada em mimar criancinhas, de modo que nunca fez qualquer advertência inútil na tentativa de regular minha relação com Marcos e Fefê.
Mas eu creio que atingi a perfeição com a Alice. Como Clarice e Rodrigo viajam muito, ela ficava bastante tempo comigo. E mandava em mim, evidentemente. A maior das alegrias aconteceu quando passei duas semanas cuidando dela em Orlando. Os pais também estavam lá, mas ela ficava comigo. Dormia no meu quarto, passeávamos só nós duas pelos parques, escolhíamos nossos programas sozinhas, sem seguir o da excursão. Eu fazendo tudo que ela queria, claro, inclusive ficar na piscina do hotel nos dias em que ela não queria ir aos parques.
Muitos falaram, outros apenas sugeriram, que eu estragaria a menina por completo. A verdade é que eu passei duas semanas com ela sem precisar dar nenhuma bronca. Ela não me desobedeceu quando precisei dar ordens. Não fez birra nem uma vez. Não brigou comigo. Não se negou a tomar banho, pentear cabelo, escovar dentes, comer, nem fazer qualquer outra coisa que eu disse que ela tinha que fazer.
Bem, já deu para entender que fiz e faço com a Alice tudo que as pessoas dizem que “estraga” uma criança. Discordo. Eu apenas, em vez de usar intelecto e imposição, uso coração e concordância. Depois de conquistar o coração da criança, a gente consegue dirigir pelo caminho correto, sem grandes choques.
A prova disso veio ontem.
Alice está em Orlando com os pais. Em uma loja, viu dois bichinhos que amou. Segundo Clarice descreveu, eles rolam pelo chão e dão gargalhada. Um era um jacaré, outro era um porquinho (coleciono porquinhos).
Ela queria o jacaré. E queria trazer o porco para mim. A mãe falou que não ia comprar, que não dava, etc, etc, etc. Coisa de mãe.
E a coisinha falou:
– Tá, mãe, o meu até pode ficar, mas eu PRECISO levar o porquinho para a tia Cláudia.
Não comprou, mas ela PRECISAVA me dar uma coisa. Aprendeu a alegria de dar. Sabe abrir mão do egoísmo de conseguir tudo que quer pelo prazer de fazer uma surpresa para uma pessoa amada. Sei que não foi só comigo que aprendeu, ela vive cercada por pessoas que dão presentes, e também se doam. Mas fico feliz por ter participado do processo em que uma criança aprende a alegria de fazer os outros alegres.  

HILÁRIO (8) – Não pode rir, tá?

Hoje é curtinho, só para matar a saudade. Estou a caminho de concluir uma tradução, e meu tempo precisa ser dedicado a ela.
Em 1988, tirei meu primeiro passaporte. Isso mesmo, em 1988. Já com meus três filhos. Serginho tinha quase oito anos, Flávia e Daniela tinham acabado de completar três.
Sou uma mãe meio esquisita. Hoje isso já não importa tanto, porque eles são adultos, mas, quando eram crianças, surgiam determinadas situações estranhas. De vez em quando, diante da necessidade de uma bronca bem dada, eu caía na gargalhada. Claro que tinha meus momentos de mãe brava, que nem eram tão raros assim, mas, muitas vezes, minhas reações eram inesperadas. Felizmente, Deus, em sua sabedoria, me deu crianças que não precisavam de muita interferência materna para se tornarem adultos equilibrados. Deus sempre sabe o que faz.
Mas o caso de hoje não envolve nenhum momento de correção, é apenas um dos fatos que aconteceu conosco.
Depois que terminou a festa de aniversário (3 anos) da Flávia e da Daniela, Henrique apresentou um projeto de irmos, papai, mamãe, filhos, genro e netos, passar um mês nos Estados Unidos. Isso foi em agosto, a viagem seria em dezembro. (Não consigo lembrar disso sem lembrar também que viajamos antes do casamento da Adriana. Grande arrependimento, viu, prima?) Com pouco tempo e tudo a preparar, corremos contra o relógio. E pensar que, hoje, fico sabendo na hora do almoço que vou viajar à noite e dá tudo certo. O que a experiência faz!
A primeira providência, claro, foi tirar passaporte e visto. Pus os três no carro e fomos até o fotógrafo. No caminho, fui aconselhando, como era meu costume. Nunca gostei de chamar a atenção das crianças, então eu tentava sempre avisar, antes, como deveriam se comportar, principalmente porque as meninas eram, digamos assim, da pá completamente virada.
– A gente vai tirar a foto para o passaporte.
– O que é passapooooooooorrrrrrrrrrte? (Elas sempre perguntavam assim, espichando bem a última palavra.)
Vou poupar os leitores de todo o diálogo, e dar uma ideia do que eu falei, inúmeras vezes:
– Vocês têm que ficar bem quietinhos. Flá e Dani, não podem ficar se mexendo no banquinho. Não é para encostar em nada, porque se alguma coisa quebrar, eu vou ter que pagar e aí… lá se vai o dinheiro da viagem. Ah, e não pode rir. Vai ter um banquinho, com um pano branco atrás. Vocês vão sentar, olhar para a câmera e ficar bem quietinhos até o moço falar que está pronto. Certo? O Serginho vai primeiro, porque ele é maior, aí vocês veem como tem que ser.
Os três entraram na loja meio ressabiados, depois de tantos avisos. Bem melhor assim. O funcionário nos levou até o estúdio. Serginho foi o primeiro, como combinado. Muito sério, ficou bem quietinho, logo a foto estava pronta.

Aqui deveria ser a foto dele no passaporte, mas eu usei para fazer um mural, então essa fica no lugar da outra.

Em seguida, a Flávia. Apesar de apenas quatro minutos separarem a idade das duas meninas, eu usava o critério do mais velho para a caçula, para facilitar as coisas. Também muito comportada, apesar do ar meio sapeca e de ficar se mexendo um pouco no banquinho.

Com 66% da tarefa concluída, lá foi a Dani, tão comedida quanto a Flá:

Alívio total! 100% de sucesso, sem necessidade de chamar a atenção de ninguém.
E chegou a vez da mãe! Os três foram para a porta do estúdio, e ficaram bem juntinhos, olhando para mim.

Bem, esse não é exatamente o estúdio, mas foi isso que eu vi: três criancinhas olhando para mim e sorrindo. E, tenho a menor ideia da origem, mas tive um acesso de riso incontrolável. Se tivesse sido alguns anos antes, com certeza teria saído de lá com a calça molhada. As crianças e o fotógrafo olhavam para mim, sem entender nada. Eu dizia:
– Tá bom, agora eu consigo.
Parava de me sacudir, mas olhava para os três e caía na gargalhada de novo. Até hoje não sei explicar do que eu estava rindo. O homem começou a ficar irritado comigo. E mandou as crianças saírem para ver se eu parava de rir.
Impasse total. Eu tinha (e tenho) PÂNICO de sequestro de crianças e jamais deixei meus filhos sozinhos em uma loja nem por um segundo sequer. Falei que não deixava de jeito nenhum, só se a porta do estúdio ficasse aberta. Ele disse que a luz atrapalharia a foto. Também que homem chato!
Eu falei que ia me controlar, mas não teve jeito. Aí eu acho que o riso já era de nervoso, de pensar em deixar meus filhinhos por 30 segundos sozinhos na loja.
Foi necessário o fotógrafo chamar a moça do caixa, aí eu ficar com vontade de chorar de medo, mas fiquei o mais parada possível e… enfim, saí do estúdio igual uma louca, chamando os meninos.
Na volta para casa, comentei:
– Vocês aprenderam hoje como a gente não pode se comportar quando vai tirar foto para o passaporte.
Ah, e a minha foto eu não ponho aqui DE JEITO NENHUM!!!!!!!!!!!!!!!!!