Há não sei quantos mil anos, um homem estava muito triste, dentro da sua tenda. Se fosse hoje, ele estaria deitado em uma cama cheia de travesseiros. Com um deles, cobriria a cabeça. Talvez a televisão estivesse ligada, em algum documentário do Discovery Channel, que não mexesse, de qualquer forma com as emoções. Sei muito bem como ele se sentia. Eu faço isso.
Mas, naquele tempo, era uma tenda. Com o que havia de melhor na época. Almofadas, tapetes, vasos, tudo de que ele precisava para se sentir confortável. Mas a tristeza era grande. Ele estava desanimado. De vez em quando, alguém passava e falava alguma coisa, achando que ia ajudar:
– Sai daí, Abraão, você precisa vender um pouco de ovelhas, estamos meio sem dinheiro!
– Olha, Abraão, vai ter festa lá na tenda do Ezequias, você vai se animar!
– Abraão, não aguento mais te ver aí nessa tenda. Acho melhor você dar um jeito de sair daí e fazer alguma coisa. Ingrato, olha o tanto que Deus tem nos abençoado e você aí desse jeito! (Claro que essa era a Sara, a esposa.)
– Abraão, cadê sua fé em Deus? Esqueceu que é Ele quem te fortalece, quem te dá alegria? Pensa em tudo que Ele já fez por você, desde que você saiu de Ur!
– Isso não é vida para um servo do Deus vivo!
O coitado do Abraão queria chorar, se encolher no meio das almofadas e dormir. E o pior é que ainda não existiam remédios adequados à situação dele. Ô dó!
Um dia, Deus falou com ele. Imagino (assim como imaginei os detalhes acima) que Abraão deve ter ficado meio receoso quanto ao que Deus ia falar.
– Caramba, se as pessoas me falam todas aquelas coisas, acho que Deus, que é perfeito, vai me dar a maior bronca!
Mas a ordem de Deus foi linda:
– Sai da tua tenda e olha as estrelas!
Isso Abraão conseguia fazer. Não tinha força para ir a festas, para consertar cercas e tendas estragadas, para contar ovelhas, para trabalhar, para conversar, para nada. Mas era capaz de ir olhar estrelas. Era noite, ninguém estaria por perto, ninguém iria incomodar. Ele obedeceu. Saiu, olhou o céu estrelado do deserto, e, ali, Deus falou com ele. Não mandou fazer nada. Apenas reafirmou que estava do lado dele, que cumpriria as promessas que tinha feito muito tempo antes. Não questionou a fé e a dedicação de Abraão, como tantos haviam feito antes. Só falou palavras de amor e fidelidade, enquanto Abraão contemplava a noite estrelada.
Pensei em tudo isso ontem, quando saí da minha tenda e vi estrelas. Bem, saí da tenda para levar duas estrelinhas (Alice e Amanda) à igreja delas. Consegui. Me levantei, me arrumei e fui. Era simples. Só levar as duas, participar do culto alegre, ouvir a palavra sempre maravilhosa do pr. Ibi e voltar para casa.
Já durante o louvor, cantamos essa frase sobre sair da tenda e olhar as estrelas. Deus começou a falar comigo. E falou o tempo todo. Sobre coisas que sou capaz de fazer, que consigo, que tenho forças.
Fico “de cara” com a bondade de Deus. Ele conhece meu coração, minha mente, meu espírito e meu corpo. Ele entende, ao contrário da maioria das pessoas, que fico dentro da tenda porque não tenho forças para sair dela. Não falta fé, não falta relacionamento com ele. Na hora certa, naquele instante exato em que ele sabe que eu consigo obedecer, ele dá a ordem simples:
– Sai da tenda e olha as estrelas, minha filha!
Hoje de manhã não tinha estrela no céu, mas eu saí da tenda e vi o sol.
Em tempo, preciso esclarecer que nunca, jamais, o Sérgio falou comigo do jeito que a Sara falou com o Abraão ali em cima. Quando eu estou na minha tenda, ele me deixa quietinha no meu canto. Chega a fechar a porta para nem os cachorros me incomodarem. Pensa num marido excelente!!!!!!!!
Mês: agosto 2011
VAI PRA ONDE AGORA?
É uma pergunta recorrente. Tem sempre alguém me perguntando pra onde eu vou agora. Até parece que Brasília não passa de um entreposto, onde eu troco de mala. Concordo que viajo muito, mas a fama é maior do que a realidade. Dani, meu amigo, não a filha, nem o sobrinho, pergunta:
– Agora você vai passar um período aqui em Brasília?
Mas ele viaja tanto, ou mais do que eu. Implicância dele.
Hoje, no entanto, sou obrigada a responder que vou para New York.
Não é meu destino predileto. De todas as cidades que conheço, três brigam pela preferência: Rio, São Francisco e Paris. Fazendo uma análise mais detalhada, verifico que a ordem que eu escolhi para listar representa também a ordem de preferência, mas a diferença entre elas é mínima.
New York tem uma característica que não me agrada: em geral, as pessoas saem daqui com uma meta definida – fazer compras (fato que costuma se repetir com Miami).
Apesar de gostar muito de fazer compras, eu detesto “dia de compras”, não gosto de outlets. Prefiro comprar uma coisa em um shopping bem bonito do que cinco em um outlet bagunçado. Como diz minha sábia tia Minó, sou uma pobre “suberba”. Bem, dizer que sou pobre é um absurdo, mas dá para sentir o espírito da coisa.
Quando a gente vai a New York, sempre tem no grupo gente que pretende trazer a cidade inteira nas costas. O famoso “shop till you drop” (comprar até cair). Nada a ver comigo.
Outro dia, minha prima Ana me ligou, para saber como estava o Sérgio, para dizer que estava orando por nós. E me contou que ganhou de presente uma viagem, com um grupo de mulheres organizado pela minha cunhada Renata. Sei que no grupo tem muita gente que está alucinada para comprar, mas a Ana é como eu. Somos muito parecidas, tanto fisicamente quanto em quase todos os outros aspectos. Não posso imaginar companheira melhor do que ela para explorar os museus, livrarias e parques da Big Apple.
Além disso, minha filha Flávia também vai com o grupo. Plano: assistir as quartas-de-final do US Open. UAU! Será que, enfim, vou visitar a cidade do jeito que quero? Sem Empire State, Top of the World, Estátua da Liberdade, nem outlet e shopping que ficam a quilômetros de distância?
Sérgio não vai. Isso é um ponto extremamente negativo na viagem, porque ele é meu melhor companheiro de aventuras. Mas tem uma vantagem: vou assistir Mamma Mia, que ele se recusou terminantemente a ver na última viagem à Big Apple.
Grandes planos. Será que se tornarão realidade? Nunca sabemos o que o futuro nos reserva, mas parece que vou mesmo.
Apesar das boas perspectivas, uma coisa me chateia: Dani (minha filha, não o amigo, nem o sobrinho) não pode ir. Eu queria ir com as duas filhas. E meu melhor companheiro de viagem também não vai. Mas eu vou fazer o possível para me divertir ao máximo. Não vai ser difícil.
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| Prefiro assim, mas…. |
