EFEITOS ESPECIAIS – Filmes descartáveis

Analisando com cuidado a imensa coleção de filmes descartáveis que re-assisto zilhões de vezes, descobri um ponto em comum, além dos romances improváveis com final feliz: os efeitos especiais. Sou simplesmente apaixonada por eles.

Uma lista rápida prova minha tese: Volcano, O Dia Depois de Amanhã, Impacto Profundo, 2012, Terremoto (desse eu não gosto muito – o mocinho morre no final), Armagedon, O Inferno de Dante, O Impossível, Independence Day.

Acabei de assistir Volcano pela enésima vez. Sinto uma alegria profunda ao ver a lava chegando ao Oceano Pacífico. Todas as vezes. Sei que vai acontecer, mas minha alegria atinge níveis elevadíssimos na hora em que o mar começa a ferver no contato com a lava.

Nos filmes que envolovem ondas gigantes, fico paralizada na frente da televisão, como que aprisionada pela visão daqueles monstros de água. Depois, à noite, tenho pesadelos com elas. Mas isso não impede que volte a assistir mil vezes.

Esses filmes, que chamo de filme catástrofe, têm uma característica em comum: relacionamentos problemáticos entre pais e filhos adolescentes, que acabam se resolvendo quando o pai se torna o herói da história.

Mais uma vez considero interessante. Meu pai é, e sempre foi, o herói de todos nós, seus filhos. Não é, portanto, essa a característica que me toca. Sinto-me, realmente, atraída pela força descomunal da natureza imaginada.

Para provar minha tese, vejamos alguns deles:

– Volcano – um pai mais presente no trabalho do que na vida da filha. Fala sério, Albiléo? O trabalho sempre foi, para ele, um caminho para atender as necessidades de sua família. Então, o que gosto, mesmo, é de ver a hora em que a lava chega ao Oceano Pacífico.

– O Dia Depois de Amanhã – outro pai que dá mais atenção ao trabalho do que ao filho. Mas, depois, vai a pé até Nova York para buscar o filho que está preso pela neve. Já comentei sobre as coisas que meu pai seria capaz de fazer por nós, em um post intitulado, sintomaticamente, Papai.

– Impacto Profundo – o pai abandona a família e, diante da morte iminente, a filha resolve perdoá-lo. Enquanto eles se abraçam na tela, a onda gigante que se aproxima me fascina. E reparo até no final da plataforma continental que o recuo das águas mostra, antes da chegada da onda. Na verdade, acho que assisto o filme todo para ver essa onda chegando ao continente.

Acho que ficou claro e não preciso analisar os outros. Todos apresentam o tema da reconciliação pais e filhos. Vale a pena assistir por causa da mensagem. No entando, eu curto muito mais as cenas da força descomunal da natureza. Vejo e volto a ver com a finalidade específica de contemplar a Califórnia mergulhando no mar, as ondas gigantes invadindo Nova York, a lava tomando conta de Los Angeles e alcançando o mar, o meteoro se desfazendo em pedaços por causa da explosão dentro dele, os vulcões surgindo do nada. Pareço meio esquisita? Acho que sou, mesmo. Afinal, gravo esses filmes para poder revê-los a qualquer hora que desejar. Nada de gravar as grandes obras de arte. Prefiro os descartáveis.

Talvez, o ponto em comum que me cativa nesses filmes extremamente descartáveis seja a possibilidade de sobrevivência humana. Nossa resistência e capacidade de adaptação às condições mais adversas que se possa imaginar. É, acho que é isso. Se não for, algum dia eu acabo descobrindo o motivo dessa idiossincrasia um tanto esquisita.

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