O NASCIMENTO DE TIA CLÁUDIA

Tia Cláudia nasceu no dia 14 de setembro de 1978. O trabalho de parto foi longo e difícil. Começou cedo. O médico, atento e competente, avisou, ao final da tarde, que não dava mais para esperar por um parto normal. A cesariana seria necessária. Havia preocupação, claro. A família toda se afligia, esperava o final feliz, com a chegada do bebê, um dos mais esperados do século passado.

Estive no hospital à tarde. Como não podia ajudar em nada, só me restava esperar, voltei para casa e fiquei ao lado do telefone. Bia me prometeu que me avisaria assim que a figura mais esperada entrasse em cena.

Finalmente, o telefone tocou. Nasceu! Corri para o hospital, o mais rápido possível. A tiracolo, o namorado que todos conheciam, mas que ainda não sabiam que havia se tornado meu namorado quatro dias antes.

A mãe estava sedada. Não dava para falar com ela. Ah, mas dava para vê-lo. Com a cabeça encostada no vidro do berçário, senti as mãozinhas dele agarrarem meu coração. Nunca havia sentido tanta vontade de proteger, de cuidar, de evitar sofrimento. Descobri, ali, inúmeros sentimentos inéditos, que, inclusive, não sei colocar em palavras. Chorei, olhando para ele. Por que precisava ficar sozinho? Até minutos antes estava protegido na barriga da mãe e, agora, estava em um local inóspito, frio, sem o calor humano de que precisava. Lembro-me bem. Encostei a cabeça no vidro do berçário e falei, baixinho (não queria que o Sérgio ouvisse, ele ainda não me conhecia o suficiente para ver certas maluquices):

– Oi, eu sou a tia Cláudia!

Só isso. Ele entendeu, eu também. Nem somos parentes de DNA, mas o somos de coração. Engraçado foi que repeti a mesma frase, em fevereiro de 2002, quando vi meu primeiro sobrinho pela primeira vez:

– Oi, eu sou a tia Cláudia!

Só depois me lembrei de que já tinha dito isso antes, lá, com o Dasinho, quando a tia Cláudia nasceu.

Mulheres de nossa geração têm mil e um papéis a desempenhar: mãe, esposa, dona de casa, profissional, mulher elegante, antenada. Creio que desempenho de forma razoável cada um deles. Mas um dos que me dá mais prazer é o de tia! Ainda não sou avó, provavelmente esse será o suprassumo, então, hoje, curto a tia. Pode, tia? Pode, sobrinha. Pode, sobrinho.

É, mas foi lá, na maternidade e no instante em que meus olhos contemplaram o Dasinho, que a tia Cláudia nasceu. Foi ele sempre o desbravador, o inovador. O primeiro a fazer todas as coisas, a me ensinar o que as tias devem saber, aquilo que elas podem fazer para mimar essas preciosidades que Deus coloca em nosso caminho, em nosso coração.

Sou grata a Deus pela vida do Dasinho. Pelo tanto que aprendi, e ainda aprendo, com ele. Admiro, hoje, o homem que ele se tornou, a família que formou. E foi se casar logo com minha semifilha Lúcia! Que delícia!

Muito obrigada, meu amado, por me ensinar a ser tia. Repito, um dos papéis que tenho mais prazer em desempenhar. Eu e você fazemos aniversário hoje!

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