CUNHADO É PARENTE?

Dizem as más línguas que não. Disconcordo. Com a licença de todos os outros cunhados e cunhadas que possuo, quero falar com o aniversariante de hoje.

Em primeiro lugar, Rô, muito obrigada pelo almoço de domingo. Você trabalhou muito para que eu tivesse um almoço bem gostoso e aconchegante. Eu vi.

Você se lembra como nos conhecemos? Aniversário da Amanda. Na minha casa. A pessoa que deveria trazer o pão do cachorro-quente ainda não tinha chegado. Você, ainda no início do namoro com a Clarice, já estava pronto para resolver o problema, pegar o carro e ir até o Plano Piloto comprar pão. Eu não me esqueço desse nosso primeiro contato. Pensei que seria empolgação de namorado novo. Estava enganada. Vinte anos depois, você continua do mesmo jeito. Só que não se limita a resolver os problemas da Clarice, você se dispõe a cuidar de toda a família.

Olha a lista de coisas que você fez e faz e que eu quero te agradecer:

  • cuida da Amanda
  • atravessou a rua de madrugada, de pijama, para ajudar minha mãe a pôr o papai de volta na cama
  • todas as paellas que você já fez e as muitas que, espero, ainda fará
  • aquela sexta à noite em que você levou o Joel para o hospital – o que rende boas risadas até hoje
  • todas as vezes em que você levou e buscou meu pai, cuidou dele, carregou, enfim, fez tudo que foi necessário
  • o carinho com minha mãe
  • a força que você dá para a gente em todos os momentos
  • ser desastrado – isso nos faz rir, e o riso é sempre uma bênção – se você não “se acidentasse tanto” nossa vida seria bem menos divertida
  • sua disposição de ajudar em todas as situações
  • você abre sua casa com uma generosidade imensa
  • enfrenta as dificuldades, lutas e decepções sem desanimar
  • seu senso de humor
  • a prontidão com que você preparou, sem qualquer aviso prévio, a cerimônia do casamento do Sér e da Nora
  • sua generosidade
  • aquele dia em que você e mamãe voltaram aqui em casa, porque sabiam que o Sérgio estava precisando de uma força
  • sua disposição para servir em todas as situações – vê uma necessidade e já vai agindo para ajudar

Por causa dessas coisas, e de várias outras, em vez de te dar parabéns, eu quero te agradecer. Muito obrigada por dedicar seu amor à nossa família, por se doar por cada um de nós. Quem diz que cunhado não é parente não tem um cunhado como você.

P.S: Não pense que não vejo suas lutas. Vejo e oro por você. Te amo, cunhado! Beijos.

Julho2007009

MINHA AMIGA PETISTA

Sábado à noite. Eu, coxinha que de tão coxinha digo que sou daquelas com catupiry, estava grudada na transmissão dos debates na Câmara. Foi quando vi minha amiga petista Lúcia.

Preciso falar sobre ela. Vaidosa, está sempre impecável. Cabelo escovado, maquiagem adequada ao momento, bem vestida. Sempre sorrindo, um sorriso que ilumina todo o seu rosto. Lúcia é uma das pessoas mais carinhosas que conheço. Sabe aquela amiga que sempre tem uma palavra para te elogiar, para te incentivar? Pois é. Nossas filhas são amigas desde sempre. Eu amo as filhas e os netos dela profundamente e sei que a recíproca é verdadeira.

Lúcia tem passado por tempos difíceis, como, podemos dizer, todos os funcionários de qualquer dos lados dessa briga insana que se instalou em nosso país. Trabalha há muitos anos na liderança do PT na Câmara. Competente e dedicada, uma de suas funções é assessorar os deputados durantes as sessões. Por isso eu a vi no sábado. Um deputado estava em uma daquelas infindas “questões de ordem” e ela a postos, ao lado dele, para atendê-lo em qualquer necessidade.

Ela estava exausta. Vi na hora, já que a conheço muito bem. O cabelo que está sempre impecável estava preso para cima, com fios soltos. Dava para perceber que estava incomodando e ela prendeu de qualquer jeito, contrariando seus costumes. A maquiagem tinha saído há muito tempo. Nem batom. Olheiras profundas. Mandei uma mensagem para ela na mesma hora, dizendo que a tinha visto que estava orando por ela. Sim, sou coxinha e oro para Deus fortalecer uma petista. Ela me respondeu que estava exausta e que pedia para orarmos por paz. Atendi o pedido dela, claro.

Por que estou contando isso? Porque talvez meu relato sirva como uma gota num oceano de desentendimento e ódio. Coxinha e mortadela podem e devem ser amigas. Eu e Lúcia nunca discutimos por causa de política. Tanto eu quanto ela sabemos que nossas opiniões divergem. Eu a respeito e ela me respeita. Mais do que isso. Quero o bem dela, assim como ela quer o meu.

Outro dia, ela postou no Facebook uma foto do Orient Express, o trem famoso que vai de Paris a Veneza, no qual sonho viajar desde que li o livro da Agatha Christie. Sei que a viagem é caríssima. Nos comentários, começamos a brincar sobre como conseguiríamos dinheiro para a viagem. Chegamos à conclusão de que, no domingo, ela venderia sanduíche de mortadela e eu venderia coxinha na Esplanada dos Ministérios. Simples assim. De brincadeira. Sem ofensa. Eu sei que ela não é uma aproveitadora que “mama nas tetas do governo”, e ela não me considera uma tapada que não enxerga além do próprio umbigo e desconhece a história do Brasil.

Falando sério, gostaria que houvesse mais, muito mais, coxinhas e mortadelas como eu e a Lúcia. Modéstia às favas, o Brasil só teria a ganhar com isso.