O FRACASSO

Muito tempo estudando. Era a prova que eu esperava. Um dos “entes estatais” em que gostaria de trabalhar. Sabia que a matéria não era do meu conhecimento, mas fui em frente. Estudei o máximo que consegui. E… não cheguei nem perto de me classificar. Pelo contrário. Contando as notas do fim para o começo talvez tenha ficado entre as primeiras.

Talvez não, porque na parte de conhecimentos gerais eu fui muito bem. Mas, nos específicos, depois de descontar os erros, fiz TRÊS pontos. Pode rir. Eu ri.

Aprendi muitas coisas maravilhosas com meus pais. Uma delas é não ficar me lamentando nem resmungando quando as coisas não correm da forma como eu queria. Outra é rir das situações adversas.

As duas se aplicam aqui. Não vou perder tempo murmurando e resmungando por causa do monte de perguntas que errei e que anularam as que acertei. Nem vou reclamar dos organizadores da prova. Estava lá, eu não acertei e pronto.

Mas posso rir da ironia de dedicar dias e dias ao estudo e fazer TRÊS pontos.

Além disso, eu acredito que tudo que estudo me enriquece. Outros concursos virão. O conhecimento (pouco, digamos de passagem) que acumulei para esse fracasso será útil em algum momento no futuro.

Claro que saí da prova muito aborrecida. Segunda-feira, estava um caco. Ontem ainda estava tão chateada que só consegui vir olhar o gabarito hoje, mesmo sabendo que saiu ontem. São reações normais diante de situações adversas. Mas, hoje, já comecei a pensar no que vem pela frente.

Ainda não há nenhum concurso previsto. Vou, então, acabar de escreveu meu SEGUNDO livro. Espero que daqui a uns quinze dias ele já esteja disponível na Amazon (formato digital). Tenho dois trabalhos de tradução, ambos extremamente interessantes. E vou continuar estudando, porque, em algum momento, vai ser publicado outro edital, com mais um concurso público. E tenho certeza absoluta de que se esse for o melhor caminho para mim, vou conseguir estudar e passar na prova.

Simples assim. A vida pode ser uma série de fracassos ou uma série de recomeços. Basta a gente escolher o que prefere.

A GENTE NÃO AFUNDA DE JEITO NENHUM

Está lá. Eu escrevi, falando sobre a água do Mar Morto. Na festa de lançamento do meu livro, pr. Ibi pegou a frase e deu a ela significado totalmente novo.

Há algum tempo essa mensagem sobre se afogar vem me “perseguindo”. Pr. Misael a transmitiu em um culto. Pedro ia bem faceiro andando sobre as águas ao encontro de Jesus quando prestou atenção no vento e… lá vai ele se afogar. Mas Jesus estendeu a mão, que ele pegou na mesma hora e os dois voltaram para o barco. Mensagem clara: NÃO PRESTE ATENÇÃO NO VENTO, PRESTE ATENÇÃO EM JESUS!

Meses se passaram e a mesma mensagem voltou com força total em nossa classe da Escola Dominical, com outro nome: ventos contrários. O mesmo texto bíblico, mas só que expresso em outros termos.

Fui a um culto no Núcleo da Fé e, adivinha qual foi a pregação? Isso mesmo. O texto do semi-afogamento de Pedro e a volta dele para a segurança do barco, de mãos dadas com Jesus.

Quando eu escrevi que a gente não afunda, não estava pensando em nada além da água hipersalgada do Mar Morto.

Ontem, lendo um livro do Stephen King para escritores, enquanto esperava uma fila quase infinita no Banco, cheguei a uma parte em que ele fala sobre simbolismos. E ele diz que os simbolismos podem ser conscientes, mas muitas vezes nós os colocamos sem nos dar conta de que estão lá. E me reporto a uma entrevista de Humberto Eco, que afirmou que nem desconfiava de quantas coisas tentara dizer com o que havia escrito. E podem ser involuntários, ou seja, extraídos depois do texto pronto, e usados para lhe dar novos significados.

Eu posso dizer com toda franqueza que minha frase sobre não afundar não teve qualquer simbolismo consciente. Mas o fato é que, apesar de mais ventos contrários do que sou capaz de enumerar aqui neste post, a gente até hoje não afundou, e creio que não vai afundar.

Foi isso que o Ibi falou: “Pelo que sei da vida deles, essa frase se aplica – a gente não afunda de jeito nenhum”. É verdade.

Não somos bonzinhos, nem fortes, nem super-espirituais. Mas, na hora do sufoco, a gente olha para o lugar certo – para Jesus. E não afunda. Chora, esperneia, fica triste, mas segue em frente. E, por isso, não afunda…

Foi a primeira vez que alguém abriu meu livro, pegou uma frase e deu a ela uma interpretação nova. Foi uma sensação muito boa perceber que aquilo que coloco no papel pode ter aspectos que eu não imaginei enquanto escrevia. Sei que a palavra escrita, depois que segue seu caminho, tem desdobramentos que o próprio autor não prevê. E ver acontecer com a minha escrita, em meu próprio benefício, não tem preço. Melhor, muito melhor do que ter Mastercard…

E olha aí o Sérgio “não afundando” no Mar Morto: