SECURA

Um conselho para todos que passam os dias se lamuriando e murmurando por causa da seca em Brasília: BEBAM ÁGUA!!!!!! E parem de reclamar. Ponto final.

Estou até ouvindo:

– Mas eu bebo muita água.

Se seu xixi não está quase da cor da água e quase sem cheiro, se você continua sentindo a cabeça “pesada” ou doendo, seu nariz está entupido, sua boca está seca, ou se está “mole”, sem forças, eu afirmo: VOCÊ NÃO BEBEU ÁGUA SUFICIENTE!

Uma vez me disseram que eu bebo água demais e que isso não é bom para os rins. Procurei meu amigo dotô Jezreel e perguntei se era verdade. Ele, que entende muito de rins, já que os dele causam preocupação, me informou que posso beber quanta água quiser, que não existe isso de excesso de água fazer mal.

É tão fácil resolver o problema, e fica todo mundo resmungando o tempo todo.

Nesta época do ano os ipês amarelos florescem. Uma das coisas mais maravilhosas que Deus criou. Basta olhar à nossa volta e lá estão eles. Plantados por toda a cidade.

O show dos ipês é longo.

Primeiro, no início do período de seca (vou fazer uma pausa e beber água, porque estou com a boca seca…) – pronto, bebi logo dois copões – são os ipês cor de rosa. Delicados, prenúncio do que há de vir. Depois, surgem os roxos. Eram os prediletos da minha avó, que pronunciava “ipêroxo” (com apenas um r mesmo). Então, preparado o cenário, eles explodem! Os amarelos. Cachos maravilhosos, que se espalham pelo chão. Parecem bolas nos galhos sem folhas.  No final, para encerrar o espetáculo com um momento de calma, os brancos se manifestam. Discretos, com a função de aquietar nossos olhos empolgados com a vibração amarela.

Enquanto tudo isso, e muito mais, acontece no cerrado, as pessoas se arrastam de um lado para o outro, resmungando contra a secura do ar.

Siga meu conselho: beba água até quase se afogar e contemple os ipês amarelos. No ano que vem, você vai gostar da estiagem de nossa linda cidade. E vai aproveitar para agradecer a Deus as maravilhas que ele espalha pelo nosso caminho.

CHUVEIRO QUENTE

O livro “Refúgio Secreto”, que conta a história de Corrie Ten Boom, foi lançado na década de 70. Leitora ávida, logo devorei a saga heroica de Corrie e sua família. Em uma das cenas que mais me marcou ela narra a crueldade extra dos carcereiros. De vez em quando levavam as prisioneiras para o banheiro. Eram obrigadas a ficarem todas nuas sob uma longa fila de chuveiros. Por mais frio que estivesse, eles abriam a água gelada em cima delas. Às vezes, para se “divertir”, eles fazia sair água pelando. Alternavam a água gelada e quentíssima.

Desde que li o livro, agradeço a Deus quando tomo banho no meu chuveiro gostoso, com a temperatura da água controlada por mim. Gosto de banho bem quente. No sábado, levei quase duas horas no processo elaborado a que dou o nome de banho. Não atirem pedras, defensores da natureza! Não fiquei todo esse tempo com a água correndo. Há muitas atividades envolvidas nesse processo: esfoliação, depilação, massagem, etc, etc, etc. A água do planeta não foi toda consumida por minha pessoa. Mas, quando a utilizei, saiu na temperatura que escolhi, durante o tempo que determinei. E, como sempre, quando ela caiu sobre mim eu suspirei:

– Que delícia! Obrigada, Deus, pelo meu chuveiro gostoso!

O que terá a ver o livro de Corrie com meu banho de sábado?

Ontem de manhã, estava ainda deitada, quando meu telefone soou com o alerta de mensagem. Oba! Flávia online! Conversar com ela é uma raridade, então dou pulos de alegria. Ela me contou que na semana passada foi aniversário da líder da equipe dela lá no Camboja. Eles programaram uma atividade super especial: um dia hospedados em um hotel, com direito a chuveiro com água quente.

– Como assim, filha?

– Na base da JOCUM não tem chuveiro nem água quente. O banheiro é uma privada, uma pia e uma mangueira.

Eu não sabia disso. Minha filhinha, aquela em quem eu dei banho quentinho desde que nasceu, que nunca gostou de água fria, que pouco entrou em nossa piscina exatamente por isso, para quem eu esquentava a água do banho nas férias em Ilhéus, quando choveu demais e a casa que alugamos não tinha chuveiro elétrico, hoje está feliz lá do outro lado do mundo, tomando banho de mangueira todos os dias!

Fiquei com orgulho dela. Até hoje não tinha me contado, e não contou para se queixar. Aliás, ela só reclama (pouco) da comida. Todo o restante (incluindo o rato no quarto) ela comenta com humor e simplicidade.

Quando eu penso em tudo que ela deixou aqui para ir atender o chamado de Deus, eu penso que quando eu crescer quero ser igual a ela. E sou grata a Ele por não ter permitido que eu estragasse essa pessoa maravilhosa que ele confiou a mim e ao Sérgio.