19) O QUE FOI SEM NUNCA TER SIDO

Várias pessoas disseram que gostariam de saber qual o sermão que meu pai havia preparado para o domingo, e que abandonou, preferindo falar do que estava no coração dele. Meio relutante, ele me entregou o esboço, que transcrevo abaixo, exatamente como ele escreveu. Espero que gostem. Eu gostei, mas… sou suspeita!

Quero agradecer, de coração, ao Rev. Misael, por ter convidado meu pai para pregar no domingo! Depois de tudo que ele passou com a saúde nos últimos tempos, não imaginava vê-lo de novo no púlpito. Foi uma alegria indescritível!!!!!

CANTAI AO SENHOR UM CÂNTICO NOVO – Mt 13:1-9

Esta é a canção de desafio que desejo fazer à igreja, neste momento, quando ainda estamos comemorando os 50 anos de existência de nossa comunidade.

Trago à memória a década de 50 e encontro a terra “Prometida alvoroçada”, tomada pelo trabalho contínuo, dando lugar aos primeiros movimentos para a edificação de Brasília, uma cidade “fantasma”.

Assisti à festa de inauguração. Algum tempo depois orientação divina promoveu a mudança de minha esposa e dois filhos para Brasília. Cheguei a Brasília no dia 18 de fevereiro de 1962 e o complemento familiar no dia 12 de abril do mesmo ano.

Enquanto o tempo passava, a Igreja do Núcleo Bandeirante foi sendo fortalecida por famílias que aqui aportavam. Os irmãos eram do estado do Rio, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Nordeste e de outras regiões que não consigo trazer à memória.

A Igreja composta, enfim, de brasileiros de todos os cantos, foi reforçada por irmãos de outros países, principalmente da América do Norte.

É necessário destacar que o Conselho Geral da igreja Metodista se fez presente através do Rev. Isaías Fernandes Sucasas e sua esposa Da. Jacira Sucasas que, da mesma forma que outros irmãos que aqui chegaram, batalharam como obreiros da seara santa para instalarem uma tocha de luz que, em coro com outras Igrejas, proclamaram a presença do Senhor Jesus.

O esforço das várias comunidades foi seguido pelos metodistas, e logo foi tomando corpo. A Igreja Metodista atendeu às ordens divinas – “Vamos nós trabalhar” … e cantando, deram muito em favor da OBRA! Hoje aqui está esta CASA DE DEUS.

O PRIMEIRO GRUPO DEU CONTA DO RECADO E OLHOU PARA A FRENTE.

Eu poderia aqui mencionar alguns nomes dos que seguiram em frente para instalar a IGREJA METODISTA DA ASA SUL. Não vou especificar nomes, eu os tinha na memória que está fraca, pressionada nos 85 anos que nosso DEUS tem me concedido. Posso dividir com vocês o que senti e isto faço… cantando e chorando um grupo seguiu carregando a OBRA que era muito maior do que todos juntos. Era a marcha carregando o estandarte de FÉ em direção a um futuro promissor. Ninguém sabia que aquele terreno em que foi alojada a IGREJA era pequeno, insuficiente para que fosse implantada a IGREJA METODISTA DA ASA SUL e, pela vontade de nosso DEUS, a TERRACAP fez uma troca milagrosa e nos concedeu o terreno que hoje ocupamos.

O SEGUNDO GRUPO DEU CONTA DO RECADO E OLHOU PARA A FRENTE.

Mais famílias chegaram, reforçando a equipe que lutava para continuar a obra iniciada no Núcleo Bandeirante. O segundo grupo implantou em vários cantos de Brasília, a cruz de Cristo ressurreto, vivo nas almas dos que receberam dos irmãos batalhadores do Núcleo Bandeirante uma Casa de Deus que anuncia a força do evangelho vivo de Cristo Jesus.

No embalo da graça que envolveu a nova família agora reforçada pelos irmãos com os quais Deus fortaleceu os heróis da fé que Ele já instalara em Brasília, um sonho que fazia parte das orações contantes de todos os obreiros ficou mais forte: VAMOS CONSTRUIR A NOSSA IGREJA. Nesse ponto, foi lançada a pedra fundamental da Igreja da Asa Sul.

O Rev. Kenneth Traxler e o Rev. Almir Pereira Bahia, já chamados para a GLÓRIA CELESTIAL, tiveram oportunidade de ativarem o lançamento da pedra fundamental, eis que foram designados Presidente e Vice-Presidente da Comissão Construtura.

O Rev. Traxler era a ligação com as fontes fornecedoras do capital para a construção do templo. Foi erguido o edifício de educação religiosa. A fonte supridora dos recursos financeiros informou ao presidente da comissão construtora que não enviaria mais recursos. O prédio não estava acabado, havia muito que fazer. Os recursos financeiros externos acabaram e os nacionais não existiam.

O grupo que recebeu o encargo fez o que lhe foi possível e agora parece que quanto à conclusão da OBRA vem do desafio: COMO MANTER A OBRA EM CRESCIMENTO?

A Igreja não pode achar que já estão esgotados os nossos recursos!

Minha história termina aqui… não tenho o que acrescentar. Somente quero deixar expressa uma lição que encontrei em um livro com lições de Wesley: “OS ACAMPAMENTOS TRAZEM AVIVAMENTOS PARA AS IGREJAS”. O nosso líder espiritual no entanto acrescenta: “O avivamento real só ocorre quando ele se manifesta, por completo, na vida da igreja”.

EU CREIO QUE ESTE GRUPO ATUAL APRESENTARÁ COMO RESULTADO DE SUA EXISTÊNCIA, PARA UM GRUPO FUTURO, UM TEMPLO COMPLETO PARA O LOUVOR DE NOSSO PAI CELESTE!

18) OS QUE PASSARAM

Sou das mais antigas. Apesar de extremamente conservada (às favas com a falsa modéstia – ainda hoje, comentei com Bernadette que estamos muito melhores do que há 20 anos!), estou aqui praticamente desde a fundação – chegamos em abril de 1962. Conversando agora mesmo com Keyla Dâmaso, que comentou o post CORRE!!!!!!!!!!!!! (https://claudiazillerfaria.com/2012/04/09/9-corre/), falei sobre a saudade que sinto dela, de dona Eunice e do Ézer, os outros membros da família do Dotô, que não frequentam a nossa igreja.

E me lembrei de algumas pessoas que passaram por nossa comunidade e que já não estão conosco. Não me refiro aos que foram para a chamada “Igreja Triunfante”, onde já estão muitos, como a dona Léa, de quem falei ontem. Falo dos que ainda estão por aqui, neste mundo nosso, de maravilha e luta, mas que moram em outros lugares, ou preferiram se unir a outras comunidades de fé, ou simplesmente preferem não participar de nada no momento.

Sou como o filho mais velho da parábola. Aquele que ficou em casa. Ao contrário dele, ou melhor, aprendi com a experiência dele que posso desfrutar de tudo que o Pai tem para mim, e que posso me alegrar quando o irmão volta para casa. Mas também, por causa do filho bíblico, posso ir além, e me alegrar com aqueles que estão em outros lugares, realizando trabalhos maravilhosos. Como a própria Keyla, que é conselheira dos adolescentes (ou jovens, não sei) na igreja dela e desempenha a tarefa com excelência.

Temos nosso pastor, o M… Pastor Sérgio, grande alegria para nossa turma, que viu sair daqui um pastor de peso, tanto literal quanto espiritual. Minha irmãzinha Clarice, que hoje é pastora no Núcleo da Fé e realiza trabalho maravilhoso. Luiz Felipe, fazendo seu doutorado em teologia no Canadá. Marinalva, trabalhando com a JOCUM em algum lugar deste mundo e André Fernandes, que é obreiro na JOCUM no Havaí. Flávia, minha filhinha, que está lá com ele e depois vai como missionária para o Cambodja!!!!!!!!!! E o primeiro de que me lembro, Ricardo Bonfim, que foi para os Estados Unidos estudar, fixou moradia lá e realiza trabalho abençoado para o reino de Deus.

E quantos passaram por aqui e foram embora, deixando um monte de saudade, recordações preciosas, colaborações importantes. Mudaram a vida de nós que permanecemos.

De vez em quando, alguém aparece para visitar a velha casa. Que alegria! Quantas recordações boas do tempo passado! Como é bom ver que eles progrediram, avançaram, e que nós fizemos o mesmo. Mas aquela base conjunta continua lá. O que aprendemos, vivemos juntos, formou o fundamento sobre o qual edificamos vidas muito diferentes, mas que seguem na direção do Pai.

Alguns se afastaram do caminho, claro. Não há problema, chega o dia em que voltam ao caminho do Senhor. Tenho visto isso acontecer vezes sem conta.

E, se você, hoje, não faz parte da Igreja Metodista da Asa Sul, mas fez em algum momento de sua história, participe conosco da comemoração maior, no domingo de manhã, às 10:00. E depois, almoce lá conosco, para matar a saudade.

O Pai mandou matar o bezerro cevado e nós, os filhos que ficamos em casa, em vez de ficar resmungando do lado de fora, queremos conversar com você, saber das experiências que você tem tido, das alegrias por que tem passado e, caso você queira desabafar, das lutas que tem enfrentado!

É como coração de mãe: sempre cabe mais um!