NAQUELA MESA TÁ FALTANDO ELE…

Sim, é Natal.
Acordei várias vezes durante a noite, com vontade de chorar. Agora mesmo, estou chorando. É, estou muito triste e é Natal.
Vou cantar hoje, como contei ontem, minha cantata predileta. Mas com dor no coração.
Deus levou o Carlão para o Céu. Ontem nos despedimos dele. Durante a noite, eu acordava pensando na Jesse, sozinha em casa. Orava por ela, mas não podia fazer mais nada.
O Natal era, há vários anos, o dia em que eu tinha certeza de que almoçaria com Jesse e Carlão, na casa da Eliane. Como não nos encontrávamos sempre, era o dia de atualizar informações. Fotografias da Graziela, da Marina e do Felipe (o neto), e também da Dandara (a cachorrinha, que é igualzinha à Lola). Ríamos, lembrávamos de Ceias antigas, quando eles iam para a casa dos meus pais, de ocasiões em que estivemos juntos durante toda a vida.
Amanhã, o lugar dele estará vazio. Como diz a música, “naquela mesa tá faltando ele, e a saudade dele tá doendo em mim…”.
Mas há que celebrar. Carlão está no Céu, sei disso. Um dia, também estarei lá, tenho a mais firme certeza disso. Todos os dias serão Natal. Poderemos ter Ceias e mais Ceias, e Carlão vai poder comer tudo que não podia comer aqui. Teólogos, por favor, não me crucifiquem (aliás, teólogos tiveram participação importantíssima na crucificação daquele cujo nascimento celebramos hoje). Eu não sei como vai ser o Céu, mas posso imaginar do jeito que quiser. Quando eu chegar lá, com certeza vai ser infinitamente melhor do que tudo que sou capaz de pensar.
Na Ceia de hoje, Carlão vai celebrar com meu sogro. Uma prévia para quando todos nós formos chegando. Bem, eu já tenho uma turma bem numerosa para me receber lá.
Com essa tristeza imensa no meu coração, poderia pensar em “cancelar o Natal”. Como não sou o Grinch, acho melhor celebrar ainda mais. Celebrar triste? Sim, agradecer a Deus a esperança contida no nascimento de Jesus, como falei ontem. Esperança de dias melhores, de consolo, de prosperidade em todas as áreas da vida. Esperança, enfim, de voltar a encontrar com os queridos que já partiram.
Natal é, essencialmente, uma festa familiar. À medida que o tempo passa, e a família vai ficando cada vez mais “desfalcada” por causa dos que partem, fica mais difícil manter a celebração. No entanto, se entendermos o profundo significado de Deus deitado na mangedoura, seremos capazes de nos alegrar, mesmo chorando. O paradoxo torna a vida muito mais interessante e desafiadora. Choro e riso, tristeza e alegria, dor e felicidade. Tudo junto num montinho.