29) DESDE SEMPRE

Fiz um porquinho. Será que é daí que vem minha paixão por esses bichinhos? Esse primeiro que eu fiz era de lata de talco. Lembra de umas latas de talco redondas? Pois é. Colei papel cor de rosa em volta da lata, para formar o corpinho. Fiz a carinha e as patinhas de cartolina cor de rosa e colei. Claro que o primeiro porquinho já se desfez na poeira do tempo, mas eu consigo vê-lo em minha memória.

Isso aconteceu em uma EBF – Escola Bíblica de Férias – quando eu tinha 5 ou 6 anos. Algum tempo depois de fazer o porquinho, lembro que fiz um caderninho de receitas, com a capa também de cartolina cor de rosa, e dei para minha mãe.

As EBFs da IMAS foram sempre assim – marcantes, planejadas com carinho, realizadas com esmero. Sempre o melhor do melhor que nossa comunidade pode oferecer.

É pena, mas tive que crescer. Então, assim que entrei na adolescência, passei a ser “tia” da EBF. Muito novinha ainda, dirigi uma. Que maluquice!!!!!! Um bando de adolescentes a organizar uma EBF. Foi em dezembro de não sei que ano do século passado. Para o encerramento, ensaiamos uma cantata com as crianças, usando hinos tradicionais de Natal. Eu achei lindo. O que os outros acharam? Não tenho a menor ideia.

Depois veio uma fase mais equilibrada: adultos dirigiam, eu dava aulas. Quando “cresci”, voltei à direção. Como já contei no post 25 desta série de 50, fui abençoada com a melhor equipe de colaboradores que uma pessoa pode almejar. Assim, nossas EBFs continuaram a ser maravilhosas.

É uma marca de nossa igreja. Aquele movimento empolgante de adolescentes, adultos (de todas as idades), homens, mulheres, pobres, ricos, enfim, de todos, em torno do tesouro maior que temos – nossas crianças. A alegria, as risadas, o barulho, a animação enchem cada cantinho de nosso prédio que, durante o resto do ano, fica tão silencioso durante a semana.

Depois que deixei a direção do Departamento Infantil, eu me afastei das EBFs pela primeira vez na vida. Não por estar aborrecida, nem por qualquer sentimento ruim. Simplesmente aconteceu.

Mas, neste ano… Luciana me convidou para uma pequena participação: Oficina de Origami. Que delícia!!!!!! Foi como voltar para casa e deitar na nossa cama depois de uma viagem bem longa.

Claro que tudo mudou. No meu tempo não existiam aqueles brinquedos infláveis enormes que ficam espalhados pelo gramado. Nada de cama elástica. Nosso parquinho era, para dizer o mínimo, precário. A gente não tinha uniforme. Não havia nutricionista para planejar lanche saudável. O que era bonito ficou ainda mais lindo!

Nunca vamos saber, aqui neste mundo, os frutos que resultaram das EBFs. Já ouvi pessoas dizerem que é muito trabalho e muito gasto para nenhum retorno. “Disconcordo” por completo. Cabe a nós, como Igreja, lançar a semente. Onde e quando ela vai germinar não cabe a nós, cabe Àquele que manda a chuva e faz nascer o sol todas as manhãs. Nele, nenhum trabalho de plantar sementes é desperdício.

De todo esse tempo de EBF, eu só me lembro de uma família que ficou na igreja depois que as crianças participaram. Quatro pessoas. Mas conheço inúmeras que esperam o ano todo pela oportunidade de trabalhar aquela única semana em prol das crianças. Reservam os dias com cuidado. Planejam férias em torno desses dias.

Creio, firmemente, que, quando chegar o dia em que nos apresentaremos diante do Pai, ficaremos surpresos por descobrir quantas sementes brotaram, nos lugares mais impensáveis, e renderam frutos e mais frutos na vida de crianças que, de outra forma, nunca teriam ouvido falar do amor infinito de Deus.

18) OS QUE PASSARAM

Sou das mais antigas. Apesar de extremamente conservada (às favas com a falsa modéstia – ainda hoje, comentei com Bernadette que estamos muito melhores do que há 20 anos!), estou aqui praticamente desde a fundação – chegamos em abril de 1962. Conversando agora mesmo com Keyla Dâmaso, que comentou o post CORRE!!!!!!!!!!!!! (https://claudiazillerfaria.com/2012/04/09/9-corre/), falei sobre a saudade que sinto dela, de dona Eunice e do Ézer, os outros membros da família do Dotô, que não frequentam a nossa igreja.

E me lembrei de algumas pessoas que passaram por nossa comunidade e que já não estão conosco. Não me refiro aos que foram para a chamada “Igreja Triunfante”, onde já estão muitos, como a dona Léa, de quem falei ontem. Falo dos que ainda estão por aqui, neste mundo nosso, de maravilha e luta, mas que moram em outros lugares, ou preferiram se unir a outras comunidades de fé, ou simplesmente preferem não participar de nada no momento.

Sou como o filho mais velho da parábola. Aquele que ficou em casa. Ao contrário dele, ou melhor, aprendi com a experiência dele que posso desfrutar de tudo que o Pai tem para mim, e que posso me alegrar quando o irmão volta para casa. Mas também, por causa do filho bíblico, posso ir além, e me alegrar com aqueles que estão em outros lugares, realizando trabalhos maravilhosos. Como a própria Keyla, que é conselheira dos adolescentes (ou jovens, não sei) na igreja dela e desempenha a tarefa com excelência.

Temos nosso pastor, o M… Pastor Sérgio, grande alegria para nossa turma, que viu sair daqui um pastor de peso, tanto literal quanto espiritual. Minha irmãzinha Clarice, que hoje é pastora no Núcleo da Fé e realiza trabalho maravilhoso. Luiz Felipe, fazendo seu doutorado em teologia no Canadá. Marinalva, trabalhando com a JOCUM em algum lugar deste mundo e André Fernandes, que é obreiro na JOCUM no Havaí. Flávia, minha filhinha, que está lá com ele e depois vai como missionária para o Cambodja!!!!!!!!!! E o primeiro de que me lembro, Ricardo Bonfim, que foi para os Estados Unidos estudar, fixou moradia lá e realiza trabalho abençoado para o reino de Deus.

E quantos passaram por aqui e foram embora, deixando um monte de saudade, recordações preciosas, colaborações importantes. Mudaram a vida de nós que permanecemos.

De vez em quando, alguém aparece para visitar a velha casa. Que alegria! Quantas recordações boas do tempo passado! Como é bom ver que eles progrediram, avançaram, e que nós fizemos o mesmo. Mas aquela base conjunta continua lá. O que aprendemos, vivemos juntos, formou o fundamento sobre o qual edificamos vidas muito diferentes, mas que seguem na direção do Pai.

Alguns se afastaram do caminho, claro. Não há problema, chega o dia em que voltam ao caminho do Senhor. Tenho visto isso acontecer vezes sem conta.

E, se você, hoje, não faz parte da Igreja Metodista da Asa Sul, mas fez em algum momento de sua história, participe conosco da comemoração maior, no domingo de manhã, às 10:00. E depois, almoce lá conosco, para matar a saudade.

O Pai mandou matar o bezerro cevado e nós, os filhos que ficamos em casa, em vez de ficar resmungando do lado de fora, queremos conversar com você, saber das experiências que você tem tido, das alegrias por que tem passado e, caso você queira desabafar, das lutas que tem enfrentado!

É como coração de mãe: sempre cabe mais um!