Hoje eu me perguntei isso: e se a Cicinha nunca mais marcar 64kg? Bem, a coitada nunca marcou. Quando ela chegou aqui, eu já tinha deixado essa marca para trás.
Durante a terapia, comentamos sobre eu ter revelado meu peso aqui no blog. Engraçado, todos falam em perguntar idade, as mulheres mentem ao responder, etc. Mas, com relação ao peso, a barreira é ainda maior! Pouquíssima gente revela seu peso. Temos medo! Somos avaliados na inversa proporção do número de quilos. Quanto maior, menor nosso valor pessoal. Isso nos aprisiona.
Há algum tempo eu venho me libertando da tirania das Cicinhas e ciçonas da vida. Meu valor não está ali. Colocar o que ela me fala bem ali, no título, foi decisão pensada, com o intuito de me livrar dessa opressão.
O que desejo é me sentir bem comigo mesma. Quero gostar do que vejo no espelho, me sentir bonita quando me arrumo para sair. Vestir biquini sem ter vontade de cavar um buraco e me esconder. O interessante é que tudo o que quero está dentro de mim. Na verdade, o número de quilos tem pouca influência nisso.
Preciso confessar que estou MUITO longe desses ideiais e que, claro, para chegar a eles, vou ter que diminuir bastante o meu peso. Mas o que preciso deixar bem claro é que minha jornada terminará no momento em que eu colocar nela um ponto final. Assim que eu me sentir bem eu direi: acabou. Era aqui que eu pretendia chegar.
Foi por isso que não estabeleci um alvo. Estou conhecendo de novo muitos aspectos da minha pessoa. Alguns conheço de novo, outros, pela primeira vez. Ninguém passa cinco anos no vale da sombra da morte sem sair do outro lado muito diferente. Não sei quando me sentirei bem: com 70kg? Com 65? Ou, talvez, com 75? É uma incógnita, que descobrirei aqui, junto com você, blog querido.
Posso dizer que hoje, com 82,9kg, me sinto melhor do que me sentia há alguns anos, quando chegava a 68 e corria para emagrecer. Eu me sentia uma baleia. E, hoje, não me sinto assim. Sei que estou acima do peso, mas sei, também, que sigo um processo que me faz ficar melhor a cada dia.
Eu e eu mesma temos nos relacionado bem, felizmente!
Mês: outubro 2010
82,6 – OS ESCONDERIJOS
A dúvida eterna, sobre o tempo que as calorias levam da boca aos quadris permanece firme. Se é que dúvida pode ser firme. Enfim…
Enquanto isso, adquiri várias certezas depois de ter engordado. Uma delas é que a gordura tem capacidade quase ilimitada de se esconder nos lugares mais improváveis. Por exemplo, ninguém fala pra gente que, quando as nádegas engordam, ficam muito mais juntas uma da outra, o que, todos podem imaginar, causa inúmeros desconfortos. A gente só pensa na parte visível que cresce. Bem, evitarei o desconforto de escrever mais sobre isso. A gordura também gosta da parte interna das coxas, que começam a raspar uma na outra incessantemente, com intensidade maior, parece, no verão. Calças e shorts ficam puídos…
Eu não posso usar desodorante. Tenho alergia. Já sei, lá vêm as sugestões: minâncora, leite de rosas, um novo tipo hipoalergênico. Vou poupar o trabalho – já experimentei de tudo. Basta usar o mesmo produto na axila uma semana e começa uma coceira insuportável. Descobri meu esquema (repito: tenho esquema para quase tudo na vida, e, onde não tenho, estou elaborando), que é tomar muitos banhos, manter sempre a região bem depilada e, eventualmente, usar perfume como desodorante. Isso funciona há muito tempo. Quando, porém, a gordura resolveu se alojar na região, o braço ficou muito mais junto do corpo, então, com a ausência de ventilação, o problema do, digamos, cecê, ficou mais sério. Ninguém nunca pensa nisso quando fala em excesso de peso…
E os pés e joelhos? Os coitados passaram a carregar de um lado para o outro, o tempo todo, cinco sacos de arroz! Doíam, reclamavam. Claro, não estavam acostumados com aquilo. Só vendo a alegria deles nos últimos tempos. Chegam a saltitar de alívio, e olha que estamos só no começo!
As duas maiores surpresas terríveis que enfrentei foram especiais.
Não sou muito de usar colares. Quando estava em depressão, então, mal me vestia, quanto mais pensar em colar. Engraçado é que sou super-vaidosa, não saio sem brincos e anéis, mas os colares não são minha praia. Mas gosto de ter o pescoço enfeitadinho, de modo que ponho um cordão de ouro, fininho, e fico com ele durante muito tempo. Bem, durante o período tenebroso, tirei o cordãozinho por algum motivo. Claro que não pus de volta. Um dia, já com o máximo de cobertura, digamos assim, que adquiri, resolvi pôr um cordão. Escolhi um bem lindo e… ele estava apertado no pescoço.
– Uai, esse cordão não era tão apertado, eu acho. Deixa pôr outro… ué, apertado também. Não estou entendendo.
Levei algum tempo para aceitar que MEU PESCOÇO TINHA ENGORDADO!!!!!! Gente, nem imaginava que isso era possível! Que tragédia! Até o pescoço…
Algum tempo depois, resolvi usar um relógio esquecido havia muito… o fim da história é previsível: descobri que pulso engorda também! Isso é deprimente demais. Pulso e pescoço.
A gordura tem essa capacidade de se esconder, e a gente encontra nos momentos mais inoportunos. Mas ela não é onipotente. E digo, com o maior prazer que tanto o cordão quanto o relógio já voltaram ao tamanho normal. Posso usá-los na hora em que bem entender…