HOMENAGEM A UM AMIGO

Sou fascinada pela sabedoria que encontro na Bíblia. Para mim, a parte mais importante é a mensagem da restauração do relacionamento de Deus com o ser humano, quebrado pela entrada do pecado na história. Mas a Bíblia apresenta mais do que isso. Trata dos aspectos mais variados da vida, com orientações que se aplicam a todas as áreas da existência.
Uma das porções que mais me agradam é “tudo o que o homem semear, isso ceifará”. Quem semeia o bem, a alguma altura da vida receberá o bem. Quem faz o contrário, recebe o contrário. Não se trata, aqui, de recompensa após a morte. A Bíblia se refere a colhermos os frutos de nossos atos aqui mesmo, neste mundo de meu Deus.
Há alguns anos, meu querido amigo Geba sofreu uma grande injustiça. Não cabe aqui apresentar detalhes, mas preciso dizer que sabia que ele era inocente e que, se ele tivesse cometido o crime de que o acusavam, um dos beneficiados teria sido meu irmão Henrique. Houve até um fórum de acusações no site do Correio Braziliense. Quanta vontade senti de entrar lá, dizer que conhecia meu amigo, que tinha certeza de que ele não tinha feito, e não faria, as coisas de que o acusavam. Aliás, entrei várias vezes, cheguei a digitar uma mensagem, mas não postei, porque o sobrenome Ziller apareceria. E aí a situação do Geba poderia piorar muito. O pensamento seria:
– Olha aqui uma pessoa defendendo ele. Ziller. Ei, tem um cara chamado Ziller. Também deve ter sido beneficiado por ele!
E lá iria meu amigo sofrer mais ainda. Não pude fazer nada, além de defendê-lo em particular, falando para as pessoas que comentavam o fato pessoalmente comigo. Na época, fiquei chocada ao verificar que nossa sociedade se acostumou de tal forma com a falta de integridade e honestidade, que nem os amigos mais próximos de uma pessoa podem ser testemunhas de seu caráter íntegro. Quando a gente se levanta para defender um amigo, os outros acreditam ainda mais na culpa dele, e acham que nossa defesa resulta de algum benefício que recebemos por causa da safadeza do outro. Que situação triste essa nossa!
Pois bem. Sei que Geba era inocente. Ele continuou a trabalhar com sua costumeira responsabilidade e competência. Atravessou aquela tempestade, e muitas outras que surgiram em seu caminho. Ah, mas, agora, ele colheu o que veio semeando todo esse tempo. Ocupa o cargo mais alto no órgão em que trabalha. Fiquei tão feliz! Senti orgulho de meu amigo. Profissional competente que consegue ser ao mesmo tempo bom marido, bom pai, bom filho, bom irmão, bom amigo. Bom em tudo que faz. Não quero dizer que é perfeito, mas se esmera.
Faz apenas um mês que a mãe dele foi para o Céu. Assim que fiquei sabendo da boa notícia, eu me lembrei dela. Eu tenho uma teoria. Talvez alguém não goste, mas não estou nem aí. Eu acho que, em determinados momentos, Deus permite que as pessoas que estão no Céu saibam o que acontece de bom com as pessoas que elas amam e que ainda estão aqui neste lado da vida. Eu penso que Deus chamou a mãe o Geba e falou que tinha uma coisa para mostrar a ela. E mostrou o novo cargo que o filho dela ocupa. Ela, com certeza, se alegrou e comemorou.
Como escrevi no início, a Bíblia tem sabedoria para tudo. E ela diz: “a quem honra, honra”. Por isso, fica registrada aqui minha homenagem ao meu amigo Geba! Não é mérito meu, mas sinto um orgulho danado de bom!!!!!!!!

SÃO TANTAS EMOÇÕES – ENCANTAMENTO

Traduzi um livro para pais. O autor sugeriu que os pais fizessem uma lista com o maior número de emoções humanas de que se lembrassem. Depois, escrevessem a primeira experiência de que lembravam, relacionada com cada emoção. A finalidade era contar aos filhos, mas eu achei que daria uma série de textos legais pro meu blog também.
É, são tantas emoções, como diz “ele”. Fiz uma lista… e senti vontade de escrever sobre a primeira vez em que me senti encantada.
Eu tinha oito anos. Até essa idade, meus pais só tinham dois filhos: eu e Henrique. Mamãe sofrera dois abortos, e eles queriam ter mais um bebê. Ela engravidou, mas foi uma gravidez difícil. Naquela época, as crianças não recebiam muitas informações, mas eu via uma enfermeira ir lá em casa aplicar injeção, havia sempre telefonemas para o médico. E houve uma coisa gostosa. Mamãe tinha que fazer exercícios leves. Então, todas as noites, papai chegava do banco, a gente jantava e depois descia para andar pela quadra. Não essa caminhada de hoje, em que a gente marca o tempo e a frequência cardíaca. Era um passeio. Não sei quanto tempo durava, mas era uma delícia.
Eu estava animada com o bebê. Sempre amei bebês, e teria um na minha casa! No fundo, sentia uma pontada de ciúme ao pensar em outra menina, mas era coisa passageira.
Certo dia, eu e Henrique fomos despachados para a casa da tia Sarah. Passamos o dia lá. À tarde, assistíamos Fury na televisão (Fury era um cavalo – era uma série) quando tio Bide me informou que eu agora tinha uma irmãzinha e que ele ia me levar para conhecê-la. E lá fomos nós. Tio Bide, tia Sarah e eu. No hospital, fomos ver a mamãe e depois papai nos levou ao berçário e pediu para a enfermeira mostrar a Cristina. Ela a pegou no bercinho e a segurou em pé. Biba, perdão, mas você estava muito feinha. Mais cabelo do que rosto, tinha umas manchas no rosto. E, assim que a enfermeira a levantou, a cabecinha caiu para a frente. UAU!!!!! Ali eu aprendi que os bebês não nascem bonitos.
Mas ela foi para casa. O bercinho era de madeira, com partes cor-de-rosa. Ela já foi para casa cor-de-rosa também. Eu queria pegar no colo, mas naquele tempo bebê ficava no berço. Ai de mim, como sofri!
Peguei uma cadeira e coloquei ao lado do berço. Encantamento total. Não conseguia sair dali. Ela se mexeu! Esfregou o narizinho! Bocejou! Abriu os olhinhos!
Sei que passei um dia inteiro ali. Quanto tempo fiquei, depois, não lembro. Mas não consigo esquecer o encantamento que senti ao ver aquela bebezinha tão linda.
Que milagre é esse que acontece? O bebê nasce feio pra caramba e, da segunda vez que a gente vê, ele já é a coisa mais linda do mundo? É o encantamento…
A bebê cresceu e continua a encantar!

Eu e ela, no frio do verão de San Francisco. Ambas encantadas.