05.09 – NEW YORK

Eu e Flá resolvemos fazer nosso próprio programa hoje. Algumas do grupo foram pegar aquele ônibus vermelhinho que vai a todas as atrações, outras queriam um ritmo muito mais frenético do que nós buscamos nessa viagem. Flá não aguenta mais o tour no ônibus, porque toda vez que traz um grupo ela tem que levar. Já avisou que nem morta sobe ao Top of the World, não vai ao Battery Park e tem mais um lugar aonde ela se recusa a ir, mas esqueci qual é. Também não estou a fim desse tipo de passeio, então, lá fomos nós, livres e soltas, a fazer o que bem entendêssemos.
Claro que não saí cedo!!!!! Ponto essencial, para mim, quando se trata de relaxar. Descemos depois do horário do café da manhã e paramos logo em uma lojinha, como tem milhões em Manhattan, que vendem jornal, revista, aqueles pães cheios de açúcar por cima, um monte de chocolate, umas comidas, e mais não sei o quê, tudo espremido. A gente mal enxerga o vendedor. Como Deus sempre é bom para mim, existe bagel com cream-cheese. Porque eu não gosto nem um pouco daqueles pães cheios de açúcar. Pelo menos de manhã. Na verdade, só gosto mesmo é do Cinnabon, mas só de tarde. Então lá fomos nós, eu felizinha da vida, espero que ela também. Comi meu bagel, e fomos para a 5a. Avenida. Nosso destino, Central Park. Mas não tínhamos pressa nenhuma de chegar lá.
Um dos prazeres que eu tenho nas viagens é ver as lojas nas quais não compro. AQUELAS. Interessante. Eu acho o máximo olhar aquelas vitrines. Tanta coisa linda. Fico “de cara” com os tecidos maravilhosos que usam para fazer as roupas que nunca vou comprar. Isso não me dá a mínima tristeza. Acho lindo, admiro, e amo comprar minhas roupas na J. C. Penny. Assim, fomos seguindo pela avenida maravilhosa, conversando, bem devagar, do jeito que a gente gosta. Até que avistei um oásis!
Lá eu TINHA que entrar e comprar alguma coisa. Apaixonada por livros como sou, enxergar uma Barnes & Noble (uma das maiores redes de livrarias do mundo) é como ver um oásis. Nem sei quanto tempo passamos lá dentro. Ela para um lado, eu para o outro. Bendito Nextel!
Comprei uma coisa linda: um diário que dura cinco anos. Tem uma página para cada dia do ano, com cinco divisões. Você anota o número do ano na primeira parte, escreve uma ou duas frases sobre seu dia. Faz isso todos os dias. À medida que os anos forem passando, faz o mesmo nas outras divisões. Até que, ao fim, tem registrada sua “evolução” durante os cinco anos. Achei uma “diliça”. Mais outras comprinhas, e voltamos para a rua.
Tem uma coisa que não entendo. A Hollister. Um calor danado, e uma fila enorme na porta, gente esperando para entrar e comprar camiseta. Sei que tem outros artigos, e que está na moda, mas acho o cúmulo ficar na fila para uma loja dessas. Gostaria de ler algum estudo sobre o tema, porque, para mim, o crime não compensa, ou seja, os artigos não são essa maravilha toda para causar tanta comoção. Enfim…
Levamos muito tempo para chegar ao Central Park, e andamos por lá, bem despreocupadas. Hoje é feriado aqui. Dia do Trabalho. Então, o parque estava cheio. Mas não repleto. Gostoso. Fomos ao zoológico que até hoje eu não conhecia e a Flá, bondosamente, suportou mais uma vez. Depois, comemos cachorro quente sentadas em um bando de frente para umas quadras de vôlei de areia. Enquanto os jogos corriam soltos, com boladas fortes, uma velhinha se exercitava caminhando na areia nas laterais das quadras. Cena insólita. Ela andava de lado, magrinha, fraquinha, e aqueles caras enormes jogando a bola de um lado para o outro na maior força. Se ela fosse atingida, adeus velhinha.
Eu e Flá comentamos sobre um aspecto muito interessante da vida em NY, de que o Central Park talvez seja a maior manifestação: o cruzamento entre vida de cidade grande, cheia de tudo que se pode pensar em termos de tecnologia e desenvolvimento, combinado a certos aspectos de vida tranquila e sossegada. As pessoas sentadas nas escadas dos museus e bibliotecas também mostram isso. Na frente da Biblioteca Pública, há uma área grande, cheia de árvores, com mesas e cadeiras. Não é restaurante, é um lugar para as pessoas sentarem, conversarem, lerem um bom livro, só isso. Há várias praças e lugares como esse espalhados no meio dos arranha-céus imensos. Muito interessante o contraste.
Depois fomos ao MoMA. Eu me divirto muito com arte moderna. Há um andar com Monet, Picasso, van Gogh e outros famosos e mais antigos que, devo confessar, fazem mais meu estilo. Mas a arte moderna é muito mais divertida. Tinha, por exemplo, um cubão de feno. Daqueles que a gente vê os fazendeiros fazendo nos filmes. Eu amei um carrinho de mercado com as sacolas todas amarradas do lado de fora. E saí de uma instalação rindo a valer, dizendo para a Flá que acabara de ter a maior experiência tranformadora da minha vida: um caminho cheio de curvas, formado por pano branco pendurado no teto e indo até o chão.
Acho que sou crítica demais para conseguir levar a sério essas obras modernas. Uma sala, porém, mexeu muito comigo. Uma parede vermelha e azul, enorme, pintada de cima a baixo com a palavra AIDS. E as obras da sala toda apontavam para o mesmo tema. Coisas pesadas, densas, que me atingiram. Principalmente um quadro em que o artista (ou a, não sei), pintou, sobrepostas, situações que possibilitam a transmissão da AIDS. Não consigo encontrar uma única palavra em português para descrever o que senti. Coloco uma em inglês, pedindo desculpas aos que não falam a língua: “sobering”. No entanto, gosto mais da parte divertida.
Saímos do museu exaustas. Mas continuamos andando. Estava bom. Com fome, fomos até a Times Square à procura de uma Sbarro. Eu AMO a pizza de espinafre com champignon de lá. Já falei que não sou chique? Barriguinha cheia, uma passada básica na Walgreens, para comprar pomada para passar no calcanhar que JÁ está doendo à beça e… hotel.
Tenho certeza absoluta, por tudo que conheço de turismo, que nosso programa JAMAIS faria parte de uma excursão. Sei, também, que não agradaria a maior parte das pessoas. Mas sei que o Sérgio e a Dani iam amar também. Serginho, não tanto, mas nos acompanharia, com certeza. Meus pais também gostariam muito. Para mim, foi um dia perfeito. O melhor que já tive aqui em NY. Vamos ver amanhã… Pretendo sair sozinha de manhã.

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