06.09 – CHUVA E MAIS CHUVA

Hoje, o grupo tinha um programa que não me atraía, e resolvi não ir. Isso significa ficar por conta própria na Big Apple! Coisa importante para uma pessoa que se perde dentro da Fnac!
Pensei em ir ao Ground Zero. É comovente, está completando 10 anos. Em minha mente, várias pessoas, a começar pelo Sérgio, recomendaram:
– Que Ground Zero que nada! Vai fazer alguma coisa alegre!
Decidi seguir o sábio conselho imaginado por mim, que tenho certeza de que ouviria.
Desde que saí de Brasília eu queria fazer uma compra específica aqui: uma pulseira Pandora. Até bem pouco tempo atrás, eu não conhecia a Pandora. Achei o máximo o conceito. A gente compra a pulseira, e depois vai comprando coisinhas (os Charms) para colocar nela, lembretes de momentos especiais. Queria comprar em Brasília, mas não estava em um momento muito alegre, e queria que a compra me fizesse lembrar de uma situação bem feliz e gostosa. Então, decidi que deixaria para comprar nesta viagem. E comprei. Comecei a minha com 3 Charms: um coração, um C e um S!
Ih, coloquei o carro na frente dos bois, e já revelei que acabei comprando a Pandora. Mas voltemos ao começo. Nem vi a hora em que a Flávia saiu de manhã, coitada. Apesar de também não estar com vontade de fazer o tal programa, ela é guia, né? Não tem opção. Lá foi ela. Dormi até 10 horas, me levantei e ia colocar um vestido de alcinha com uma sapatilha para ir a dois lugares: primeiro a uma joalheria que achei na internet e que vende a Pandora e depois ao International Center of Photography. Felizmente tive a sábia ideia de olhar pela janela. Chovendo. Ai, que tragédia! Todo mundo de casaco e guarda-chuva. Mas nada me deteria em minha busca pela pulseira! Vesti uma calça jeans, calcei um sapato fechadinho, camiseta, casaco, e… pé na estrada. Bem perto do hotel achei um lugar para comer o bagel meu de cada dia. Melhor do que o de ontem, sentei em uma mesinha, tomei capuccino. Liguei para o Sérgio. Isso mesmo: tudo em ritmo bem lento, como gosto.
Saí do restaurante e a chuva continuava. Precisei comprar um guarda-chuva. Nada, porém, me afastaria de meu intento de comprar minha pulseira. Era minha missão de hoje. Segui pela 6a. Avenida, me molhando cada vez mais. Afinal, o Centro de Fotografia ficava mais perto do que a joalheria, então, entrei lá. Mesmo porque a chuva tinha piorado muito. Minha calça estava molhada até o joelho. E eu feliz da vida. Afinal, chegar ao primeiro destino sem me perder era uma vitória danada de boa! As exposições de fotografia estão interditadas, só voltam a abrir no dia 9, mas a lojinha estava aberta. E comprei um apontador de lápis de mesa que é igual à primeira máquina fotográfica que tive, ainda do tipo caixote! Senti saudade do tempo em que a usei, no 2o. grau, curso profissionalizante de fotografia. Esperei a chuva diminuir um pouco e prossegui pela 6a. Avenida. Eu tinha que encontrar a tal loja.
O problema é que a chuva diminuiu um pouquinho e depois resolveu desabar em cima de mim. Faz mal não, porque achei a loja e comprei a sonhada Pandora!
De lá, resolvi seguir para o Museu Metropolitan. Fica no Central Park, e lá fui eu. Parecia que a cada passo que eu dava a chuva aumentava mais. Demorei, mas cheguei. Desde que saí do hotel de manhã, andei da rua 35 à 80!!!!!!! Na chuva! E amei cada momento. Afinal, com essas caminhadas devagar pela rua, olhando os prédios e lojas com calma, entrando só onde eu quero, sem correr atrás dos que querem fazer um monte de compras, estou aprendendo a gostar muito de New York! Que bom!
Cheguei tão ensopada ao Met (é assim que os novaiorquinos falam, viu?) que fui direto à loja para ver se vendem calças. Só camisetas. Ai, como sofro!
Fui para o banheiro, tinha fila. De repente, ouvi uma voz conhecida. Olhei para trás, Renata e Lourdes na fila, uma pessoa atrás de mim. É verdade verdadeira: a gente não pode fazer nada errado, porque sempre alguém conhecido pode estar bem pertinho! O museu lotado daquele jeito, e a gente se encontrar na fila do banheiro! Elas também estavam molhadas. Fizemos o possível para nos enxugar e fomos lanchar. Já eram 3 da tarde, e eu estava apenas com o bagel da manhã! Há uma cafeteria no andar de baixo do Met, e comi uma massa bem gostosa, com uma garrafinha de vinho. Foi bom para me aquecer um pouco.
Andamos despreocupadamente pelo museu, vendo aquelas coisas lindas. Uma passagem pelo Egito, já que aquele ambiente que aparece no filme Maid in Manhattan é um dos lugares mais belos e a Lourdes não conhecia. Mesmo se ela não estivesse comigo eu teria ido lá, porque acho muito bonita aquela estrutura enorme de metal e vidro.
Depois, queríamos ver os impressionistas, e fomos para lá. Nem olhamos mapa. Andar pelo museu sem prestar muita atenção ao roteiro foi uma novidade para mim, e achei muito gostoso. Encontramos os Monets, van Goghs, Gauguins e cia, nos esbaldamos com esculturas gregas e, enfim, estava na hora de voltar para a chuva.
Decidimos pegar um táxi, mas, em dia de chuva, você precisa de outra solução em NY. Os táxis passam todos cheios. De repente, apareceu a fada madrinha, que fez um ratinho virar um motoristão, e transformou uma abóbora em uma limusine!!!!!!! O cara parou, perguntou para onde queríamos ir, disse o preço e se ofereceu para nos trazer. Pulamos para dentro e aprontamos uma confusão da melhor qualidade. Nenhuma das três nunca havia andado de limusine. Tiramos mil fotos, deitamos nos bancos, trocamos de lugar nem sei quantas vezes (bendito engarrafamento de trânsito provocado pela chuva!!!). Curtimos que nem criança. Falei para o ratinho transformado em motoristão que estávamos nos sentindo como Cinderelas. Ele não sabia quem era Cinderela. Tadão!
Afinal, a fada madrinha arranjou para a carruagem continuar carruagem mais um pouco e levar a Lourdes com a filha dela para o teatro.
Quanto a mim, cheguei a meu maravilhoso castelo, enchi a banheira de água quente e tomei um maravilhoso banho de espuma!!!!!!!
E tem gente que acha que chuva pode estragar a viagem. Não entendo isso!

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