22) SANITÁRIO

Estou muito sem tempo hoje, preciso concluir uma tradução, mas lembrei de uma história durante o sermão de ontem, e tenho que contar, ou melhor, relembrar.

Rev. Garrison falava português muito bem. Não cometia erros gramaticais. Já o vocabulário, às vezes, pregava peças nele.

Certa vez, vovó comentou com ele:

– Minha impressão é que, ao preparar seus sermões, o senhor analisa cada palavra e pesquisa com cuidado nos dicionários para encontrar a mais adequada.

Ele respondeu:

– É exatamente assim!

Claro que teve sotaque carregado até o final da vida, e que, na conversa informal, lá vinham os deslizes inevitáveis de uma pessoa falando uma língua que não é a seu idioma natal.

Certa noite, após pregar o sermão praticamente perfeito de sempre e de encerrar o culto com a oração e o hino, pediu que ficássemos mais um pouquinho, pois queria fazer um pedido de oração especial. Havia um homem doente, com problemas mentais, e ele queria pedir para orarmos.

E contou:

– Foi muito triste essa semana. Eu fui ver nosso irmão fulano de tal no sanitário.

Começou uma risadinha aqui, outra ali, todo mundo querendo disfarçar, já que, além de ninguém desejar magoar o pastor, o assunto era muito sério e triste. Ele nos conhecia bem, e logo falou:

– Errei, ê? Eu treinei muito: sanitário, sanatório, sanitário, sanatório. Achei que tinha decorado…

Aí a gente caiu na gargalhada mesmo. Mas oramos, e o irmão pode sair logo do “sanitário”.

21) CANTANDO VOU

Alguém me disse que Bach afirmava que toda nota tocada neste mundo deveria ser em louvor a Deus. Quem sou eu para discordar dele? A música nos leva bem pertinho de Deus. E a música na Igreja Metodista da Asa Sul sempre foi da melhor qualidade!

Tanto o Coral “oficial”, quanto outros, como o dos Homens, e os grupos com menos componentes, quanto o momento de louvor. Sempre música excelente!

Mas eu quero falar especificamente do Coral. Se você quiser fazer amizades na IMAS, entre para o Coral. É o melhor caminho para conhecer pessoas, se entrosar, louvar a Deus e… se divertir muito.

Poderia encontrar 50 histórias apenas acontecidas no Coral. Já até contei uma, em BRASIL x HOLANDA (https://claudiazillerfaria.com/2012/04/10/10-brasil-x-holanda/). Hoje vou contar outra, em que o astro é meu cunhado Joel.

O Coral foi cantar em Anápolis, a convite do Seu Oséias, que morava lá na época. Ônibus alugado, todo mundo acomodado, caminho rodado, culto começado. Joel faria um solo. Digo faria, porque não fez.

Não sei por que cargas d’água, em vez de segurar a partitura, foi fazer o solo olhando a letra na partitura do companheiro ao lado. E disse que a culpa foi do pobre inocente. Falou que ele tremia e, por isso, Joel não conseguia enxergar a letra. Falou as duas primeiras palavras e… não sabia continuar. Ficava fazendo:

– Ummmmmm, zummm, ummmm…

Seguindo a melodia, claro. O coitado que funcionava como porta-partituras começou a rir (como, de resto, todo o Coral) e balançava cada vez mais o papel. Joel via cada vez menos. E prosseguia, animado, no solo:

– Ummmmm, zummmm, ummmm, zummm…

Foi assim até o final.

E, depois que o culto acabou, cadê a coragem para entrar no ônibus? Como não tinha outro jeito, precisava voltar para casa e o que havia era aquele ônibus, enfrentou a galera. Claro que foi trucidado, tadinho. Entrou e todo mundo:

– Ummmm, zummm, ummmm, zummmm…

A música foi batizada de “Melô da Mosca”. Se chama assim até hoje.

Para não criar um problema em família, preciso dizer que ele canta muito bem, tem voz linda, e já fez inúmeros outros solos sem esquecer a letra. Bem… tem uma ocasião em Alphaville, mas isso fica para outra hora.