COM ASAS COMO ÁBIA. OPS, ÁGUIA

Ontem foi dia de dizer adeus a uma das mulheres mais fantásticas que já conheci. Tantas lembranças boas cruzaram minha mente! Desde minha infância até a última vez em que nos encontramos. Todas as pessoas que falaram sobre ela no culto de despedida repetiram sua marca maior: o amor. Mas eu queria registrar uma lembrança diferente.
Minhas filhas, quando eram pequenas, não entendiam quando a gente dizia “Ábia”, e a chamavam de dona Águia. Ontem, ao lembrar disso, logo me veio à mente o texto da Bíblia que diz que quem espera em Deus voa com asas como águia.
Ela viveu assim. Diante de qualquer dificuldade, ia até Deus, “grudava” nele e voava como águia. Lutava, se preocupava, se angustiava, mas vencia. Venceu até o fim.
Venho, há muitos anos, me esforçando para seguir o exemplo de dona Ábia em muitas áreas de minha vida. Confesso que não tenho conseguido como gostaria. Mas, espero em Deus que, um dia, eu seja capaz de voar como Águia, ou como Ábia.
Ai, como é grande a saudade! E só tem um dia que ela partiu…

ESSA PORQUEIRINHA VOMITOU!!!!!!!!

Sempre quis ter filhos gêmeos. Sérgio fala que omiti essa informação durante o namoro. Ainda bem, porque assim nos casamos e, depois do Sér, tivemos a Flá e a Dani.
Invariavelmente, as pessoas que ficam sabendo delas perguntam:
– Nossa, deram muito trabalho?
Claro que dois bebês dão mais trabalho do que um só. Mas também, todo mundo se mobiliza para ajudar. Quando o Serginho nasceu, ninguém apareceu na minha casa se oferecendo para cuidar dele enquanto eu descansava um pouco. Já com as duas, havia uma escala familiar para garantir que eu e Sérgio descansássemos o suficiente para enfrentar a correria de cada dia. Com isso, até saíamos à noite só com o Serginho… De certa forma, foi mais fácil.
Contratamos, também, uma pessoa para cuidar delas à noite. Assim, dormíamos o sono dos justos. Mas essa senhora abençoada precisava de uma folga por semana. Aí a gente penava!
Precisamos ficar no hospital uns dias depois que elas nasceram. Quase uma semana. Na primeira noite em casa, mamãe ficou conosco, e foi um terror. Uma das bebês mamava, daí a meia hora a outra, quando acabava com aquela a primeira já estava acordando de novo… 
Na segunda noite, dona Yolanda, a santa noturna, chegou e já foi logo dizendo:
– Precisam mamar na mesma hora. Assim que uma mamar, a gente acorda a outra.
Isso vai contra todos os meus princípios. Considero um dos maiores crimes da humanidade acordar uma pessoa. No entanto, para o bem maior… Assim foi.
Dali a uma semana, a folga da dona Yolanda. Eu e Sérgio montamos nosso esquema. Um moisés de cada lado de nossa cama, cada um cuidaria de uma das bebês. Ah, e tomariam a mamadeira ao mesmo tempo (eu não tinha leite suficiente para as duas à noite).
Na hora de irmos nos deitar, eu e ele, pais eficientíssimos, decidimos dar bastante leite para elas ficarem com as barriguinhas bem cheias e dormirem muito. Sentados na beira da cama, partimos para a ação. E comentávamos um com o outro, orgulhosos:
– A minha já tomou quase tudo!
– A minha também!
Arrotos e… bercinho.
Fui para a cozinha passar água nas mamadeiras. Ao voltar, me deparei com uma das cenas mais engraçadas que já vi. O Sérgio segurava a Daniela pela barriguinha, de bruços. Ela estava com os bracinhos e perninhas pendurados, dormindo. Toda suja de vômito. Ele olhou para mim, revoltado, e falou:
– Essa porqueirinha vomitou tudo!
Comecei a rir. Essa é minha reção em momentos complicados. Eu rio. Olhei para a Flávia, deitadinha de lado no bercinho dela, no meio de uma poça de vômito.
– A outra também!!!!!!
Aí os espertos foram trocar roupinhas, lençoizinhos, froinhas. Limpar carpete. Trocar nossas roupas, que acabaram ficando sujas também. E eu ri de chorar o tempo todo. Ri de nossa pretensão. Não tem jeito: com bebê não adianta tentar esperteza.
Depois de tudo arrumado, nos deitamos, ainda dando gargalhada. Aos poucos o cansaço venceu e íamos caindo no sono. Sono????? Como assim? As duas acordaram com fome.
Se posso arriscar um conselho para quem tem gêmeos – e até mesmo para quem tem só um recém-nascido de cada vez – é: não perca o bom humor. Ria de você mesmo. A vida é muito engraçada, se você quiser enxergar a graça.