8.9 – O PRIMEIRO A GENTE NÃO ESQUECE

Foram dois primeiros que não vou esquecer: primeiro aniversário de casamento longe do Sérgio (esse não foi bom) e o primeiro US Open.
É. Vi na quadra Nadal, Serena e Djokovic. É mole ou quer mais?
Preciso confessar que Flushing Meadows, o complexo onde acontece o torneio, deixa muito a desejar, em termos de charme, quando comparado a Roland Garros. O da França, porém, eu só visitei, sem qualquer jogo. E tem o fato, que pesa muito, de Guga ter vencido três vezes e a gente encontrar fotos dele por toda parte. Além disso, RG tem a elegância francesa, a loja tem artigos finos, os restaurantes são da melhor qualidade. Nos EUA, tudo bem americano: camiseta, boné, cachorro quente, pizza e picolé.
De toda forma, minha estreia nas arquibancadas ocorreu no US Open. E eu amei. Por causa das chuvas dos dias anteriores, houve uma concentração de jogos de primeira linha no dia em que eu e a Flávia fomos.
O caminho para chegar ao complexo foi uma experiência especial também.
Quando a gente vai a NY, acaba se restringindo a Manhattan e o bendito outlet que fica a não sei quantos mil quilômetros de lá, aonde nunca fui, nem sei se pretendo ir algum dia.
Uma vez, quando eu e Sérgio fomos com Daso e Bette a NY, pegamos a balsa para Staten Island. Achei bem legal ver como as pessoas moram foram da ilha, foi um passeio bem interessante. Fomos também um pouco além, até o Brooklyn, mas só para ir à igreja e logo voltamos, não deu para ver muita coisa.
Flushing Meadows me deu uma oportunidade única. Pegamos o metrô na Grand Central. Há um nível para várias linhas e a nossa, a 7, fica um nível abaixo das outras. Isso não me agradou nada. Não nasci para ser tatu. Em todo caso, tudo pelo Djoko e cia. A certa altura, notei que fazia muito tempo que não parávamos em qualquer estação. Comentei com a Flá e ouvi a resposta:
– O que você nem imagina é que estamos embaixo do rio!
Ai, como sofro! Já tinha ouvido essa mesma resposta dada pela Cristina, 20 anos antes, sob o mesmo rio, só que de carro. E o rio é largo. Quase um Amazonas! Antes que eu parasse por completo de respirar, chegamos a uma estação. Pensa numa pessoa aliviada.
Na outra margem, porém, uma boa surpresa me esperava: o metrô é de superfície. E eu fui observando aquela parte de NY que poucos turistas visitam (apesar de ser turista de carteirinha, gosto demais de ir a lugares aonde pouca gente vai). Valeu a pena ficar sem ar embaixo do rio.
Sendo grande apreciadora de filmes, parecia que estava assistindo cenas que se passam em ruas muito parecidas com aquelas, de casas simples, na maior parte brancas, muros pixados, quadras de basquete decadentes, mercados e lojas de aparência duvidosa. Me lembrei, especialmente, de um filme com a Queen Latiffa, As Férias da Minha Vida. Não sei se ela morava naquele bairro, mas era muito semelhante.
É bom ver o lado sem glamour da cidade. Melhor ainda se é de passagem, e a gente está indo rumo ao US Open.
Ah, no mesmo parque, fica o estádio do Mets. Canso de ver nos filmes a pergunta:
– Are you a Mets’ fan? (Você é fã do Mets?)
Agora já sei onde eles moram. Imenso o estádio. Aposto que o Mets tem muitos fãs.
Quanto aos jogos, todos que precisavam ganhar, ganharam: Nadal, Serena e Djoko. Depois de enjoar de ver tênis, eu e Flá fomos comer pizza na Sbarro na Times Square. Alguém quer um pedaço?

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