82,9 – DIA AGITADO

Bem que eu escrevi ontem: em certos dias a Cicinha resolve apresentar números maiores, e ninguém a convence do contrário. Sem problemas, depois ela desce de novo.
Saio muito pouco de casa. Mas, contrariando meus costumes, hoje, saí de manhã, almocei na rua e só cheguei de volta no fim da tarde. Até agora não revelei uma coisa importantíssima que está para ocorrer, motivo de minhas andanças: finalmente vou fazer cirurgia para corrigir os estragos do tempo nos seios e nas pálpebras! Estou fazendo os exames.
Sinto muita vontade de “consertar” os seios desde que Flávia e Daniela nasceram, há 25 anos! No entanto, nunca tive coragem de gastar tanto dinheiro comigo. Sempre havia uma coisa com os filhos: aparelhos nos dentes, colégio, bicicleta nova, viagens, festas de aniversário, etc, etc, etc. Tive prazer em fazer cada uma dessas coisas, não sou daquelas mães que se ressentem pelo que gastaram com os filhos. Curti tudo. Só o que gastamos em viagens daria para me consertar inteira e sobraria para consertar mais umas três, mas não troco o que fizemos por nada. Uma vez, Sérgio reservou um dinheiro para a cirurgia, mas a Dani resolveu ir para os EUA, ficar um ano, e meus seios viraram intercâmbio. Sem problema, curti com ela as experiências maravilhosas que ela teve. Mas estou radiante porque, enfim, chegou a minha vez.
Tive uma consulta de manhã e outra à tarde. Pensei que ia sair dos consultórios com tudo resolvido e que poderia fazer a cirurgia na semana que vem. Doce ilusão! Cada um pediu mais um exame, e, pelo menos até dia 19 de outubro, nada de cirurgia. Droga!
No intervalo entre as duas consultas, fui ao shopping. Mais uma vez, verifiquei como a imagem mental que faço de mim mesma difere da real. Devido ao calor, vesti uma camiseta sem mangas e uma calça jeans. Sapatinho bonitinho, combinando com o cinto. Brinco de argola, batom cor de boca, relojão dourado, anel imenso como gosto. Arrumada com apuro! E, na minha mente, a Crau dos 64kg. Toda vez que passava na frente de um espelho, levava um susto com a imagem refletida.
Isso acontece desde que comecei a engordar de verdade. Minha mente não assimilou essa pessoa gorda. Não sou eu. É ruim quando me vejo, eu fico atônita: “Puxa, tinha esquecido que estou deste jeito!”. Não gosto disso.
Enquanto eu não conseguia fazer nada para reverter o engordamento, sofria bastante nessas ocasiões. Hoje, não. Vejo, fico aborrecida, mas penso: “estou agindo para resolver o problema”. Sei que hoje estou melhor do que na semana passada e que na semana que vem estarei melhor do que hoje. E vamos em frente que atrás vem gente.
Sinto desconforto imenso com o excesso de peso. Nem sei como tenho colocado ali no título, todos os dias, os números que a Cicinha me mostra. Quando a médica me perguntou, hoje, quanto eu pesava, fiquei no peso de ontem: 82,5. Só 400g, acho que ela não vai se aborrecer. Mas EU sei que hoje havia mais 400g. Coisa difícil isso.

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