ENCONTROS, ou TANGENDO A LIRA

Outro dia eu postei a poesia do vovô para os netos. Aquela que nos manda continuar tangendo a lira que ele não pode mais tanger.
A história do vovô dá um lindo romance, ou um filme cheio de reviravoltas. Ele veio para o Brasil no início do século XX. Era padre. Acabou largando a batina, virou pastor, casou-se, teve quatro filhos, ficou viúvo, casou de novo e teve mais sete filhos. Depois, deixou de ser pastor também.
Ele pensava demais, analisava tudo, estudava demais. Não se encaixava em estruturas religiosas rígidas. Nunca perdeu a fé, mas não aceitava os preconceitos inseridos na religião por autoridades eclesiásticas ou pelos próprios fieis.
Dentro de todo esse quadro revolucionário, vovô ficou sem sua família italiana de origem. A família passou a ser ele, vovó, filhos, filhas, noras, genros, netos e bisnetos. Talvez por isso, nossa família Ziller cresceu com uma necessidade muito grande de estar junta. A vida levou cada um para um lado. Na separação mais traumática, tio Armando e tia Filó passaram quinze anos exilados durante a ditadura militar. Parte da família se estabeleceu em São Paulo, mas, hoje, há gente tangendo a lira por vários cantos do globo terrestre.
Mas a gente sempre procura jeitos de se reunir, de se encontrar. O mais recente é um grupo no Facebook. “Reconhecer” primos é uma delícia. Programamos um encontro no Rio, em novembro. Mas, todos os dias, temos algum contato. Fotos antigas, lembranças de momentos vividos, principalmente em Belo Horizonte, novidades, saber o que cada um anda fazendo. Tudo muito bom. Pena que nem todos participam.
No entanto, a cada nova intereção, a cada retomada de relacionamento, sinto que estamos tangendo a amada lira do vovô. Nem todos escrevemos poesia como ele, mas a nossa amizade é um hino ao amor à família que ele tanto prezava.
Eu tento participar das interações familiares, qualquer que seja a forma que elas tomem. Seja em festas, casamentos, encontros programados, pela internet, estou sempre participando. Afinal, tanger a tal lira do vovô é muito divertido… E, como ele disse, parece que o ouvimos cantar nessas horas.
Parte da família tangendo a lira em um encontro em Belo Horizonte:

Lendo a poesia de tio Bide sobre a família
Amarrados de dois a dois, tínhamos que nos soltar sem arrebentar o barbante. RISADAS!!!!!!!
Tio Bide e Edi: os primeiros (e únicos) a conseguirem se soltar
Equipe vencedora da gincana. O pôster que papai está segurando foi o prêmio. Foto linda do Zillertar, presente de Laura Ziller. Está enfeitando meu escritório até hoje.
João Carlos canta o hino do Atlético de trás para frente: Son somos od ebulc ociteltA orieniM… KKKK

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